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[Museum] A historiografia da arquitectura da época românica em Portugal (1870-2010)

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@ml.ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] A historiografia da arquitectura da época românica em Portugal (1870-2010)
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Tue, 2 Jul 2013 23:30:25 +0100


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Maria Leonor BOTELHO - A Historiografia da Arquitectura da Época Românica em Portugal (1870-2010). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Maio de 2013 (865 p.).


Resumo:

No quadro internacional, foi a partir do século XVII que se começou a valorizar a arquitectura medieval, acentuando-se essa mesma valorização durante o século XIX. Só então, no primeiro quartel de Oitocentos, começam a surgir os primeiros estudos que diferenciam as características formais, construtivas e iconográficas do estilo românico face ao estilo gótico. O estabelecimento de metodologias, a definição de cronologias e a caracterização estilística criaram um quadro conceptual e lançaram as bases para o avanço da disciplina no que diz respeito à alteridade do românico relativamente ao gótico.
Em Portugal, o estudo sobre românico surge tardiamente quando comparado com a restante realidade europeia. Datando de 1870 a primeira obra consagrada a este estilo artístico, o seu estudo estendeu-se até aos nossos dias, afirmando-se através de sucessivas fases de conhecimento que reflectem abordagens, temas e problemáticas bem datadas. No entanto, as conquistas e evoluções que a historiografia sobre a matéria foi fazendo, materializada num vasto número de trabalhos editados, contribuíram e muito para o conhecimento actual sobre o românico português. A imagem que se foi construindo do românico acompanha a evolução da escrita sobre este momento tão representativo da arquitectura portuguesa, conotado com a formação de Portugal e com o reinado de D. Afonso Henriques (1143-1185). Esta concepção influiu sobre o modo como se restaurou a arquitectura da época românica sensivelmente ao longo da primeira metade do século XX. E isto é tanto mais significativo quanto daqui decorre a imagem actual da arquitectura românica, tal como a conhecemos hoje.
Ao longo desta ampla cronologia, destacara-se três autores pela ruptura conceptual que o seu pensamento e a sua escrita sobre românico definiram. Deve-se a Augusto Filipe Simões (1835-1884) a publicação da primeira obra consagrada à arquitectura românica, as Reliquias da architectura romano-byzantina em Portugal e particularmente na cidade de Coimbra, dada ao prelo em 1870. Com Manuel Monteiro (1879-1952) foram lançadas as bases da posterior historiografia sobre a arquitectura da época românica em Portugal, definindo tipologias, classificando dialectos, estabelecendo cronologias e identificando influências. Só mais tarde, com Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1934-1996) é que se voltou a sentir uma nova ruptura conceptual na escrita sobre românico, tendo este autor, além de muitos outros
aspectos, procurado compreender o românico na sua época e na sua profunda relação antropológica com o território onde se insere.
A originalidade do românico português foi sendo reconhecida pela historiografia da especialidade. A sua íntima relação com o território, a importância nuclear que os seus testemunhos arquitectónicos assumiram na organização territorial, aos mais diversos níveis, foi sendo assimilada por aqueles que se consagram ao seu estudo. Acresce ainda a percepção da forte presença de influências estrangeiras, apesar das problemáticas que se lhe associam, adaptadas que foram num contexto muito específico, onde as pré-existências assumem um papel nuclear, acentuam ainda mais o carácter único da arquitectura portuguesa da época românica.

A autora:

Maria Leonor Botelho nasceu no Porto, a 12 de Junho de 1979. Licenciada em História, variante de História da Arte (ramo científico) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2001), em 2004 concluiu o Mestrado em Arte, Património e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa enquanto Bolseira da FCT, onde, sob a orientação da Prof. Doutora Maria João Baptista Neto, apresentou a dissertação consagrada ao tema "As transformações sofridas pela Sé do Porto no século XX. A acção da DGEMN (1929-1982)" (publ. sob o título "A Sé do Porto no Século XX", Livros Horizonte, 2006). Em 2010 apresentou à Faculdade de Letras da Universidade do Porto a sua tese de Doutoramento em História da Arte Portuguesa, orientada pela Prof. Doutora Lúcia Maria Cardoso Rosas, subordinada ao estudo da "A Historiografia da Arquitectura da Época Românica em Portugal (1870-2010)", com Bolsa da FCT. Investigadora integrada do CEPESE — Centro de Estudos de População e Sociedade —, da Universidade do Porto e do IEM — Instituto de Estudos Medievais, colaborou já com este último na obra "The History of Medieval Portugal c.1950-2010" (dir. José Mattoso, 2010). A sua área de investigação tem-se centrado sobre o estudo da arquitectura da época românica por-tuguesa, incluindo as vicissitudes porque passou ao longo dos séculos e muito parti-cularmente sobre a história do restauro e da conservação dos edifícios estudados. A título de exemplo, resulta desta colabo-ração a obra editada conjuntamente pela Fundación Santa María la Real e pela Fundacíon Rámon Areces, A Arte Româ-nica em Portugal (2010); o conjunto de quatro monografias que elaborou a con-vite da Câmara Municipal de Felgueiras no âmbito do Projecto "0 Românico de Felgueiras na Rota do Vale do Sousa" e, mais recentemente, a integração da equipa de investigadores-bolseiros ao serviço da UP e da VALSOUSA no âmbito do projeto da Rota do Românico — Tâmega. No seguimento das colaborações que desenvolveu já com o Centro de Estu-díos dei Románico — Fundación Santa María la Real, foi-lhe atualmente conce-dida bolsa de Pós-Doutoramento pela FCT para o desenvolvimento do projeto: "Enciclopédia do Românico na Península Ibérica — Portugal".








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