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… e o espólio do
seu museu vai ser leiloado! Um precedente que
não pode deixar de provocar uma certa apreensão, creio, aos que prezamos o
património; para quem encare também o património – como encara as pessoas – como
números, aqui está um bom exemplo para depressa se resolverem as crises de liquidez!...
J J. d’E. …………………. De:
Manuel Castro Nunes [mailto:arteminvenite@gmail.com] O mundo em que
vivemos, desorientado pelo itinerário de extravagâncias em que o desencadear de
situações talvez insolúveis o mergulhou, tornou-se num estranho mundo de ocorrências
inesperadas, assinalando uma ordem caótica de valores. Subitamente, tudo
se parece ter tornado legítimo em nome de uma sagrada economia financeira e no
quadro da salvação de uma alegada crise global que ainda ninguém sabe quem
criou. A cidade estadonidense
de Detroit entrou em falência, como se fosse uma mercearia de bairro. Ninguém
entende, se for honesto, como uma cidade estadonidense possa entrar em
falência. Mas a solução está
encontrada. As colecções do Museu da Cidade estão já a ser avaliadas pela
Christie's. Concluindo um
ciclo de umas décadas em que parecia que as questões da propriedade sobre os
bens patrimoniais materiais recebiam um quadro de reordenação que colocava o
público em maior preço do que o privado, o Museu de Detroit abre um inesperado
precedente. Não consigo fazer
para já outro juízo, senão o de que o liberalismo pode alcançar o cúmulo da
hipocrisia. Manuel de Castro
Nunes |
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