Em 19 de julho passado enviei o projeto de investigação em Museologia & Património “Património, Cognição, Memória”, respondendo ao desafio que me fez um Reitor de uma Universidade durante a nossa participação nos júris de doutoramento que decorreram nessa data (ver quadro adiante).
Ontem o Jorge Emanuel Espinho - Amigo de longa data e de tantas aventuras, que fez com o Franklim Espath Pedroso a Curadoria da exposição “Reinventando o Mundo”, que termina no próximo dia 15 de setembro no Rio de Janeiro no Museu Vale (antiga Estação Pedro Nolasco) - sabendo deste projeto de investigação, enviou a notícia da última descoberta que a equipa de Eric Kandel fez. E que foi publicada na revista Science Translational Medicine. E, com a emoção que só a Amizade sabe trocar, e porque sabe os escolhos que tive de ultrapassar, acrescentou aquela famosa afirmação de William James: “Primeiramente uma nova teoria é atacada porque é absurda; depois admite-se que ela é verdadeira, mas óbvia e insignificante; finalmente é considerada tão importante que os seus adversários reclamam que foram eles próprios que a descobriram.” [William James, “Pragmatism’s Conception of Truth” (1907), in Alburey Castell (org.), 1964:159]. De facto a descoberta da “estrutura do valor patrimonial” que fizemos em 2008, e confirmámos em 2010, e a relação interdisciplinar que propusemos para o prosseguimento do estudo da museologia e do património, sobretudo a relação com a cognição e o processo antropológico de hominização, foi um percurso que no início recebeu muita desconfiança e receio. Felizmente o tempo tem vindo a confirmar a pertinência do caminho que seguimos. Em 2013 a equipa de Eric Kandel acrescentou mais um importante contributo. Até agora acreditava-se que a perda de memória era a primeira fase da doença de Alzheimer, e que estava indissociavelmente ligada a essa doença. A partir desta descoberta confirma-se que a perda de memória é um fenómeno distinto. Afinal, trata-se de um défice na proteína RbAp48 existente no hipocampo. A ativação dos genes que produzem esta proteína, em pessoas de idade avançada, “permitiu voltarem a ter a memória que tinham durante a sua juventude”. Decorre daqui que a deterioração da memória ligada à idade, e a doença de Alzheimer, são problemas distintos: “a primeira é reversível, se a deficiência da proteína em questão for tratada; enquanto a segunda é, pelo menos para já, incurável”. Este resultado amplia as consequências e a responsabilidade na gestão do património que temos vindo a referir, e a pertinência do projeto de investigação que propusemos. Pedro Manuel-Cardoso |
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