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Paragem de leitura, 2013
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Destino Póvoa de Varzim, 2013
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No
dia 21 de setembro, sábado, às 16h00, será inaugurada, no Museu Municipal,
uma Exposição Multimédia alusiva à
figura do Cego do Maio por parte de uma descendente brasileira, Ana Maio.
O
título da exposição “Sei serem os próprios” foi
extraído da certidão do 1º casamento de José Rodrigues Maio com Maria Rosa da
Conceição, ambos nascidos em Póvoa
de Varzim. José Rodrigues Maio teve um segundo matrimónio com Ana Rosa de
Jesus. Desse matrimónio, nasceu Joaquim Rodrigues Maio na Póvoa de Varzim,
que migrou para o Brasil em 1919. Joaquim Rodrigues Maio era pai da artista
Ana Maio.
Durante
a infância, Ana Maio ouviu do seu pai muitas histórias sobre uma vila de
pescadores, plantada à beira de um imenso mar revolto, onde os
leões-marinhos, à noite, emitiam sons que se ouviam à distância. Ele contava,
ainda, que os seus antepassados tinham como principal atividade a pesca, e
que na Póvoa de Varzim havia um sujeito de coragem notória, que, além de
trabalhar na pesca, atuava no socorro a náufragos e não media esforços para salvar pescadores em perigo – o apelido faria referência a essa característica de
“não enxergar” os riscos ao lançar-se ao mar.
Anos
mais tarde, a artista soube que na Póvoa de Varzim havia um monumento em
homenagem a José Rodrigues Maio, inaugurado em 29 de agosto de 1909. Desde
então, ela sempre esteve imbuída da vontade de conhecer esse lugar, ouvir os
seus sons, contemplar o monumento ao Cego do Maio, estudar os mitos poveiros
e, particularmente, a história de vida desse heroico pescador.
A
primeira viagem que a artista fez à Póvoa de Varzim foi em 26 de setembro de
2010. Ao chegar na Póvoa, percorreu lentamente as ruas e, ao registrar a
paisagem em fotografias teve a sensação
de estar diante um encontro com arquivos da sua memória pessoal. Com base
nessa vivência, refletiu: como conservar, registrar e apresentar a memória?
A
exposição “Sei serem os
próprios” da professora universitária, pesquisadora e artista visual
Ana Maio, apresenta um ensaio videográfico conceitual sobre memória pessoal,
histórica e cultural, com narrativas elaboradas a partir de arquivos
encontrados e criados. Trata-se, portanto, da apresentação
de memórias da artista, reconstruídas a partir de textos teóricos e históricos
de autores portugueses, pesquisados suas fontes primárias na Biblioteca Rocha
Peixoto, assim como, arquivos criados em sua segunda viagem à Póvoa de
Varzim, em fevereiro de 2013,
a partir de ações artísticas, performance de
documentos, registros em fotografias e vídeos, e entrevistas com
pesquisadores, historiadores, artistas e outros sujeitos da comunidade
poveira.
“Sei
serem os próprios” reflete sobre escritas de si e invenções da memória.
Por conseguinte, os trabalhos configuram-se como tramas do tempo,
materializadas em narrativas que revelam aspetos de memória pessoal e
histórica, de caráter biográfico e imaginário de Ana Maio, constituídas a
partir de documentos. A origem do processo foram elementos da paisagem
cultural poveira, como o monumento ao Cego do Maio e outros marcos de memória, que são abordados em sua capacidade de testemunhar aspetos simbólicos de
histórias de vida, inventariar a memória e possibilitar a reconstrução de experiências pretéritas.
A
exposição apresenta as seguintes
obras-vídeo:
1.
Porção, 2013.
(00:02:36) Sugere uma narrativa processual da ação
de despejar uma porção do mar da
Praia do Cassino – Rio Grande (Brasil), no mar da Praia da Póvoa de
Varzim (Portugal) e vice-versa. Um pequeno gesto busca sintetizar questões
sobre migrações e mistura de culturas.
2.
Árvore de costados, 2013.
(00:08:23) Apresenta fragmentos de documentos do Arquivo Municipal da Póvoa
de Varzim e Arquivo Distrital do Porto, tais como: certidões de nascimento,
batismo, casamento e óbito de antecedentes familiares de José Rodrigues Maio
(Cego do Maio) e Ana Maio. Composto de nomes de pessoas, cidades, ruas,
números, datas, estados civis, profissões e expressões recorrentes em
arquivos de registro, o vídeo sobrepõe camadas de narrativas visuais e sonoras e mistura biografias e identidades.
3.
Cortejo, 2013. (00:12:14) Cartografia poética, que retoma em plano
sequência e câmara subjetiva, o percurso realizado para colocação da primeira pedra ao monumento do “Cego
do Maio", em 1909. Para além de mapear elementos da paisagem cultural, o
Cortejo reflete sobre a relação entre caminhar e pensar. Lugar de deslocamento
das coisas que não se permitem fixar, do pensamento movente, de imagens e
sons efêmeros, da memória como passagem.
4.
Paragem de leitura, 2013. (00:21:05) A experiência do corpo no tempo e
suas relações com o lugar. Aborda
o fluxo do tempo na imagem, no dispositivo e na ação
de leitura de um documento. Mistura elementos da paisagem do Brasil e de
Portugal.
5.
Destino Póvoa de Varzim, 2013.
(00:10:41) Articula o sentido da memória ao tempo e aos deslocamentos. A
subjetividade é acionada pelo destino de viagem da artista no metrô, entre a
cidade do Porto e Póvoa de Varzim. Imagens deslizantes se sobrepõem à janela,
sonorizadas por uma voz feminina que repete: “Direction Póvoa de Varzim”.
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