António Filipe Pimentel, Miguel Pina e Cunha e Álvaro Covões.
Is something new?
António Filipe Pimentel encontro a voz intelectualmente qualificada para o seu programa de promoção e sustentabilidade do Museu Nacional de Arte Antiga.
Miguel Pina e Cunha, para quem o maior dos heróis intelectuais é Karl Edward Weick, Que dispensa apresentação, todos os leitores o conhecerão. Embora Vasco Pulido Valente suspeite de que mais de um por cento dos portugueses conheça Joan Miró, estou convicto de que a maioria, noventa e nove por cento, dos aderentes a esta lista conhecem Karl Weick. O que não dizer dos leitores do NEGÓCIOS.
A grande descoberta de Weick foi a rotina e a de que, gramaticalmente, em termos de morfologia sintáctica, no que respeita ao modos dos verbos, a diferença entre rotina e inovação é a diferença entre o substantivo verbal, organização, ou o particípio passado, organizado, e o gerúndio, organizando.
Eu, pessoalmente, estava convencido de que, organizando, ou trabalhando, ou dormindo, descrevia mais uma rotina do que uma inovação. E foi a razão porque toda a minha vida e o meu raciocínio se alteraram após as primeiras leituras da obra de Weick.
Mas na verdade o meu herói intelectual é Miguel Pina e Cunha, a quem a leitura de Weick inspirou ideias tão engraçadas, para quebrar a rotina dos museus.
Passamos primeiro pelos CTT, compramos uns postais, observamos bem o postal. Quando entrarmos no museu e virmos as pinturas, verificamos que um postal é diferente de uma pintura.
Os meus parabéns a António Filipe Pimentel.
A Miguel Pina e Cunha e à ‘’Everything is new’’.
''Pode já pôr a ideia em prática na exposição do Museu Nacional de Arte Antiga. Poder fazer o exercício com os Brueghel é um extraordinário privilégio. Exercite o olhar. Descobrirá nestas pinturas uma inesgotável riqueza de detalhes. Cada vez que olha verá uma coisa diferente. E depois repita o exercício noutras situações. Como é que os "postais" que vejo na minha organização comparam com os de outras organizações? Como é que os quadros dos "artistas" da nossa organização comparam com os dos mestres? E os da loja A com os da B? Quando olha para a sua organização o que lhe diz aquilo que vê: é sempre igual ou as melhorias acontecem?
O nosso olhar destreina-se e desfoca-se facilmente. Vemos muita coisa a correr. Para desfrutar, aprender, corrigir e aperfeiçoar, é preciso fazer comparações ricas. O poder da riqueza, neste sentido, é o de tornar as coisas mais interessantes. Mesmo, ou sobretudo, as pequenas coisas, tão importantes e tão pouco valorizadas nesta era de pressa e de olhares fugazes.''
Miguel Pina e Cunha.
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