Divulgação
Até dia 31 de Março encontra-se aberto call for papers para o 4.º número da revista MIDAS – Museus e Estudos Interdisciplinares, a ser publicado no final de 2014. Para além de uma secção aberta a artigos de diversas temáticas (Varia), este número incluirá um dossier sobre o tema – “Museus, Utopia e Urbanidade”, coordenado por Helena Barranha e Nuno Crespo.
Pode encontrar mais informações aqui: http://midas.revues.org/418. Caso necessite de mais esclarecimentos pode contactar-nos através do email: revistamidas@gmail.com
DOSSIER TEMÁTICO: “Museus, Utopia e Urbanidade”
"As últimas décadas do século XX foram marcadas por uma inédita mobilização pública e privada, em torno da ideia de que os museus podem constituir poderosos instrumentos de renovação simbólica e funcional das cidades. Multiplicaram-se, por todo o mundo, novos espaços museológicos, ao mesmo tempo que se investia em mediáticas ampliações de instituições de referência.
Contudo, o optimismo associado ao chamado “efeito Bilbau”, amplamente difundido à escala global, depressa foi ensombrado pelo relativo ou absoluto fracasso de projectos com idêntica ambição. Paralelamente, aprofundava-se a reflexão teórica sobre o papel dos museus na sociedade e na cultura contemporânea, com importantes contributos nas áreas da história da arte e da arquitectura, da museologia ou da sociologia. No texto “Du temple de l’art au supermarché de la culture” (1994), Françoise Choay coloca mesmo a questão da inviabilidade do museu na sociedade do lazer e do consumo de massas, identificando um momento histórico paradoxal, de adiado reencontro com o tempo e o espaço, em que o apogeu mediático dos museus se confunde com o seu anunciado declínio.
Para além da inevitável ligação dos museus à cultura e ao desenvolvimento urbano das sociedades, eles possuem um papel fundamental na maneira como são usados como instâncias de reconhecimento das imagens que as comunidades produzem de si mesmas. Assim, o museu é também o lugar onde as comunidades reconhecem as suas linhas de força, as suas características, a sua identidade. E nesta ligação entre museu e identidade, as imagens da imaginação, que os museus devem guardar, são os elementos primitivos de mediação dos homens com o seu meio material e imaterial" (Helena Barranha e Nuno Crespo).
TEMAS A DESENVOLVER:
As ideias de museu
O museu e a cidade
O que é arquitectura de museus?
EDITORES convidados:
Helena Barranha é licenciada em Arquitectura (Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, 1995), tem Mestrado Europeu em Gestão do Património Cultural (Universidade do Algarve, em cooperação com a Université de Paris-8, 2001) e Doutoramento em Arquitectura (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 2008), com a dissertação Arquitectura de Museus de Arte Contemporânea em Portugal: da intervenção urbana ao desenho do espaço expositivo. É Professora Auxiliar na Secção de Arquitectura do Instituto Superior Técnico (IST) e Investigadora do Instituto de Engenharia de Estruturas, Território e Construção (ICIST-IST), desde 2003. Colabora, desde 2007, com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito do Mestrado em Museologia, onde é responsável pela disciplina de Arquitectura de Museus e Museografia. Foi docente do Departamento de História, Arqueologia e Património, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade do Algarve, de 1999 a 2003, e Directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, entre 2009 e 2012. A sua actividade profissional e de investigação centra-se no património arquitectónico, na arte contemporânea e na arquitectura de museus, temas sobre os quais tem apresentado diversas comunicações em conferências nacionais e internacionais.
Nuno Crespo nasceu em Lisboa em 1975, cidade onde vive e trabalha. É licenciado e doutorado em filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é investigador do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa. Como curador foi responsável pelas exposições “Fantasmas” de Nuno Cera no CCB (Lisboa), “Corpo Impossível” com Adriana Molder, Noé Sendas, Rui Chafes e Vasco Araujo no Palácio de Queluz, “Encontro Marcado” de Adriana Molder no Museu de Belas Artes de Oviedo (Espanha), pela exposição antológica de Pires Vieira no Museu da Cidade de Lisboa, “Imponderável” Miguel Ângelo Rocha, “Involucão” de Rui Chafes na Casa-Museu Teixeira Lopes (Vila Nova de Gaia), “Serralves” de João Luis Carrilho da Graça (AppletonSquare), “Fragmentos. Arte Contemporânea na Colecção Berardo” (Museu de Arte Contemporânea de Elvas), “Aires Mateus. Voids” (AppletonSquare), “Riso” (Museu da Electricidade), entre outras. Fez parte do colectivo de comissários do Prémio EDP – Novos Artistas (2006-2011) e BESPhoto (2007-2009). É crítico de arte e membro do conselho editorial do Ípsilon(suplemento cultural do jornal Público). A sua actividade de investigação tem sido dedicada, principalmente, à crítica da arte e ao cruzamento entre arte, arquitectura e filosofia e a autores como Kant, Wittgenstein, Walter Benjamin, Peter Zumthor e Adolf Loos. Das suas publicações podem destacar-se trabalhos sobre Adriana Molder, Aires Mateus, Axel Hütte, Bernd e Hilla Becher, Candida Höffer, Carrilho da Graça, Daniel Blaufuks, Fassbinder, Gerhard Richter, Julião Sarmento, Luisa Cunha, Miguel Ângelo Rocha, Nuno Cera, Paulo David, Rui Chafes, Vasco Araújo, entre outros; e o livro “Wittgenstein e a Estética” (2012) editado pela Assírio & Alvim.
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