Permitam que torne público o meu agradecimento à atual Direção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM. Pelo importante, generoso, e competente contributo que soube dar à museologia e ao património. Graça Filipe, Isabel Tissot, Luís Raposo, Maria Vlachou, Marta Lourenço, Paula Menino Homem, juntamente com os membros da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal, são um momento irrepetível e único que ficará na Memória. Agradeço a bela complexidade que nos souberam trazer. Foram tempos de coragem e salutar questionamento. São sementes que hão-de perdurar. Quanto ao futuro, que podemos fazer? Seja o que estiver para vir … há algo que está a mudar no Património e na Museologia. Todos persentimos que é necessário fazer algo para se conseguir acompanhar essa mudança. Não está a mudar apenas porque as pessoas mudam de cargos, ou os partidos políticos se sucedem eleições após eleições. Isso seria tentar enganarmo-nos a nós próprios. Está a mudar porque a sociedade global nos obriga a mudar. A mudar, porque estamos também a mudar enquanto Pessoas, enquanto País, enquanto Identidade, e até talvez enquanto Cultura. Temos a ilusão de que somos os mesmos, e que por isso tudo são conjunturas que nada mudarão. Mas talvez seja um erro, porque nós somos também o produto daquilo que o exterior de nós constrói, e não nos reduzimos à aparência da nossa materialidade, ou à evidência das expografias que fazemos dos acervos e das coleções. Na contemporaneidade, e muito mais no futuro, haverá uma cruel evidência para a qual nos temos de ir preparando: - De que os museus, enquanto instituições, já não são suficientes para garantir a musealização e a patrimonização do que a sociedade atual considera relevante, e deseja transmitir aos vindouros. Acresce, por um lado, que o aumento exponencial de objetos musealizados e a inevitável relativização do seu valor exigem uma compreensão do Património e dos Museus para além da tradicional especificidade que as coleções possuíam para fidelizar os visitantes e garantir o financiamento público ou privado. Por outro lado, os avanços no processamento molecular da Memória, a cisão técnica entre objeto e documento, e o modo como atualmente a Ciência obriga a alterar a maneira de representar os objetos e o real, instigam novos caminhos de compreensão e desafiam as perspetivas tradicionais. Cujas consequências se repercutem quer no ensino-formação da museologia, quer na responsabilidade pela gestão museológica e patrimonial. À Direção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM, o meu Agradecimento. Pedro Manuel-Cardoso |
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