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Órgão histórico da Ig.
Piedade: constr. 1795, J. A. Peres Fontanes; restaur. 2008, Dinarte Machado. -- Na sequência do movimento
reformista, Lutero e os seus seguidores criaram um extenso repertório de
melodias, com letra em vernáculo e ritmo regular – os corais – que viriam a
constituir o núcleo musical da liturgia protestante emergente. Como forma de
preparar a congregação para o canto daqueles corais, tornou-se habitual
executar no órgão uma introdução puramente instrumental. Dessas introduções
nasceu o prelúdio de coral, que frequentemente citava na íntegra a melodia
litúrgica original, envolvendo-a numa teia contrapontística enriquecida pela
variedade tímbrica que o instrumento permitia. No contexto de uma assembleia
luterana, essa citação da melodia era facilmente reconhecível, pelo que os
prelúdios de coral assumiam um valor litúrgico praticamente idêntico ao do
coral cantado. Johann Sebastian Bach
escreveu ao longo da sua vida centenas de prelúdios de coral, alguns dos quais
constituem, pela sua complexidade e profundidade, exemplos máximos do género.
Muitos dos prelúdios de coral de Bach foram agrupados pelo compositor em
colectâneas (Orgelbüchlein, Clavierübung III, ou os chamados «Corais
de Leipzig»), que seguem a ordem do ano litúrgico. Outras foram transmitidas
individualmente sem fazer parte de nenhuma colecção. Embora a maioria dos seus
prelúdios de coral faça uso dos vários teclados e pedaleira característicos do
órgão barroco alemão, Bach deixou-nos outros exclusivamente destinados aos
tecados manuais. Estes prelúdios de coral manualiter,
por vezes de reduzidas dimensões, atingem frequentemente uma concisão e uma
elaboração notáveis. O presente concerto permite apreciar diversas técnicas
usadas pelo compositor nestes seus prelúdios de coral. Algumas destas obras são
pequenas fugas baseadas na primeira frase da melodia litúrgica. É o caso de
Herr Christ, der ein'ge Gottes Sohn (BWV 698), Nun komm, der Heiden Heiland
(BWV 699) ou Vom Himmel hoch da komm' Ich her (BWV 701) – este último um
exemplo excepcional, dado que ao longo da obra são exploradas sucessivamente
todas as frases do coral. Outras, como Wer nur den lieben Gott lässt walten
(BWV 691) e Jesus, meine Zuversicht (BWV 728) apresentam versões muito
ornamentadas da melodia original. Noutras ainda, as diversas frases da melodia
do coral são apresentadas sucessivamente, envolvidas numa teia contrapontistica
a duas vozes (Allein Gott in der Höh sei Ehr, BWV 711), a três vozes, como
sucede em (Wer nur den lieben Gott läßt walten, BWV 690 e Christ lag in
Todesbanden, BWV 695), ou a quatro vozes (Vater unser im Himmelreich, BWV 683),
ou ainda contra acordes repetidos como sucede em Erbarm' dich mein, o Herre
Gott (BWV 721). Este concerto, que
celebra os 350 anos da Igreja da Piedade, permite também explorar a paleta
tímbrica do precioso órgão construído em 1795 por Joaquim António Peres Fontanes.
O programa foi concebido como uma unidade, sendo os prelúdios de coral
apresentados numa sequência correspondente ao ano litúrgico e sucedidos pelos
corais cantados, seguindo a tradição luterana. João Vaz -- Schola
Cantorum da Catedral de Santarém Fundada em Agosto de
2012, por Pe. Joaquim Ganhão, no âmbito do projecto Rota das Catedrais, é uma
estrutura da Paróquia do Divino Salvador de Santarém. É seu director artístico
e organista titular David Paccetti Correia e professor de coro e maestro titular
Pedro Rollin Rodrigues. A Schola Cantorum oferece aos seus alunos - rapazes e
raparigas com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos de idade - uma
oportunidade excepcional de formação musical e humana. Ser coralista da
Catedral é uma experiência de aprendizagem regular que incide em vários
âmbitos: música, voz, postura, respiração, dicção, línguas, história da
cultura, responsabilidade, amizade, espírito de equipa, disciplina, espírito
religioso. Para além de actuarem com alguma frequência em celebrações da
Catedral, os coralistas também têm a oportunidade de participar em digressões
nacionais e internacionais, como membros da Schola Cantorum da Catedral de
Santarém. Desde a sua fundação, a Schola actuou em Santarém, Lisboa, Porto,
Viana do Castelo, Torres Vedras e Nogueira da Regedoura. Prepara-se actualmente
para participar no XXXIX International Congress of Pueri Cantores, de João Vaz Natural de Lisboa,
diplomou-se em Órgão pela Escola Superior de Música da mesma cidade, sob a
orientação de Antoine Sibertin-Blanc, e pelo Conservatório Superior de Música
de Aragão em Saragoça, onde estudou com José Luis González Uriol, como bolseiro
da Fundação Calouste Gulbenkian. É também doutorado em Música e Musicologia
pela Universidade de Évora, tendo defendido uma tese sobre a música portuguesa
para órgão de finais do século XVIII, sob a orientação de Rui Vieira Nery. Tem
mantido uma intensa actividade a nível internacional, quer como concertista,
quer como docente, em cursos de aperfeiçoamento organístico. Efectuou mais de
uma dezena de gravações discográficas a solo, salientando-se as efectuadas em
órgãos históricos portugueses. Como executante e musicólogo tem dado especial
atenção à música sacra portuguesa, fundando em 2006 o grupo Capella
Patriarchal, que dirige. Lecciona actualmente Órgão na Escola Superior de
Música de Lisboa. Fundador do Festival Internacional de Órgão de Lisboa em
1998, é actualmente director artístico do Festival de Órgão da Madeira e da
série de recitais mensais que se realiza no órgão histórico da Igreja de São
Vicente de Fora, em Lisboa (instrumento cuja titularidade assumiu em 1997). Foi
o consultor permanente para o restauro dos seis órgãos da Basílica do Palácio
Nacional de Mafra. -- David Paccetti Correia Órgãos
Históricos de Santarém Gestor Email - geral.ohs@gmail.com Facebook -
historical.organs.santarem Mobile - (+351) 969724956
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Programa do concerto.pdf
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