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[Museum] "À PROCURA DE UM OUTRO CORPO" exposição em São Brás de Alportel

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Subject :   [Museum] "À PROCURA DE UM OUTRO CORPO" exposição em São Brás de Alportel
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Date :   Tue, 29 Jul 2014 17:50:10 +0100



À PROCURA DE UM OUTRO CORPO
    |     EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

Contamos com a vossa presença, na companhia dos vossos amigos e conhecidos, na inauguração desta exposição do Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, no dia 1 de Agosto (sexta-feira). Como a exposição está dispersa pela vila propomos começar na antiga Farmácia Passos, às 18 horas, para depois nos deslocarmos em direcção ao museu. No percurso poderemos ver as outras fotografias instaladas no espaço público.

Com os melhores cumprimentos,

Graça Passos

Aceda a toda a informação em  http://novocorpoexpo.wordpress.com/


À PROCURA DE UM OUTRO CORPO

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

LUÍSA FERREIRA



Nesta exposição podemos fruir o trabalho que resultou do encontro da fotógrafa Luísa Ferreira com as esculturas de Rosalina Passos e Joaquim Passos armazenadas há cerca de cinquenta anos na vila algarvia de São Brás de Alportel. A sua lente sensível e poética captou o diálogo entre a luz e a presença matérica das esculturas impregnada do labor contínuo do tempo. A presença velada destes seres ecoando a eterna tensão entre o poder criativo da vida, a violência e o sofrimento, faz parte da tessitura deste lugar inscrita no imaginário local com um misto de medo, curiosidade e admiração, que é ainda hoje evocada por muitos. O título - À procura de um outro corpo – sublinha a importância da arte na construção da nossa percepção e por essa via na construção da realidade. É essa dimensão política da estética que explica a realização da exposição no ano em que o concelho comemora o seu centenário no contexto da crise civilizacional actual.


1 DE AGOSTO A 31 DE OUTUBRO

Produção e textos: Graça Passos




Luísa Ferreira, fotógrafa independente, vive e trabalha em Lisboa. Começou a fotografar profissionalmente na década de 1980 e tem exposto regularmente desde 1989. Integrou a equipa de fotojornalistas fundadores do jornal Público (1989-1996) e foi correspondente da agência de notícias Associated Press (1996-1998). O seu projecto Éter (<< Ether >>) é a Primeira Escolha dos Recorridos Fotográficos da ARCO de Madrid em 1998. Entre outros projectos integrou a exposição Au Féminin.Women Photographing Women 1849-2009, uma história das mulheres fotografas desde 1849 com curadoria de Jorge Calado, Centro Cultural Calouste Gulbenkian, Paris, 2009; integrou, no âmbito do Centenário da República, a exposição Res Publica 1910 e 2010 face a face, com curadoria de Helena de Freitas e Leonor Nazaré na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
www.luisaferreira.com


Joaquim Passos (1917-1980) cursou engenharia mecânica no Instituto Superior Técnico de Lisboa e estudou artes plásticas na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa e na Escola Superior de Belas Artes em Lausanne (Suíça). Para além da escultura interessava-se por pintura, desenho e música. Aos 21 anos o seu envolvimento no partido comunista fê-lo prisioneiro da PIDE acabando por enlouquecer na sequência da tortura a que foi sujeito em 1938. Na expectativa de encontrar soluções para o seu estado de saúde foi submetido a uma lobotomia, a grande descoberta da medicina de então. A pulsão de criação, que o acompanhou toda a vida, foi arrasada por estas experiências extremas impossibilitando-o de dar continuidade à sua obra.


Rosalina Passos (1880-1958) descobriu no barro a possibilidade de aceder a outros mundos longe do confinamento da vida doméstica. A descoberta fortuita do prazer de modelar levou-a à criação frenética das figuras que foram povoando as salas viradas para a igreja matriz , na casa onde então vivia. Acabada a missa ou a catequese as pessoas eram acolhidas para olhar de perto os vultos vislumbrados do adro a que se juntavam, no natal, as figuras do presépio em tamanho natural executadas com barro grosseiro e cru. Filha de um jornalista sambransense, casada com o farmacêutico Virgílio Passos, um republicano muito envolvido no processo de criação do concelho, tinha três irmãos – Bernardo, Boaventura e Virgínia - que se dedicaram à poesia, literatura e pintura desenvolvendo uma actividade, também ligada á politica, que se destacava nessa época.





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