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[Museum] O Estado vai Lavar a Responsabilidade como Pilatos?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O Estado vai Lavar a Responsabilidade como Pilatos?
From :   Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Sat, 13 Dec 2014 13:23:05 +0000

O Estado vai lavar a responsabilidade como Pilatos?

Na teoria dos jogos (no sentido antropológico e matemático) há sempre aquelas três alternativas básicas: optar por um lado, ou pelo seu oposto, ou pela partilha e compromisso entre essas duas possibilidades. Quase sempre, por ser mais fácil, os comportamentos humanos e sociais optam pelas duas primeiras. Isso é o que a verificação científica nos mostra.

Neste caso os lados voltam a ser o Estado e a Iniciativa Privada; ou, se se quiser politizar a questão, entre a visão Social-Democrata e a visão Liberal (laissez faire, laissez passer).

E mais uma vez voltamos a constatar aquele impasse, que várias vezes aqui tenho referido, nas Políticas Públicas de Museologia e Património.

Ainda recentemente, fora o investimento megalómano para o Estuário do Tejo, para o qual chamei a atenção, no que se refere às consequências patrimoniais; depois o Museu do Brinquedo; há meses, o velho «plano para o eixo Belém-Ajuda», tido como uma encomenda nova; e agora, o Museu de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva.

A DGPC vem agora dizer que o melhor é (passo a citar) “resolverem o problema com parcerias, que hão-de vir”. Isto é, como se houvesse alguma justificação para o Estado lavar as mãos da responsabilidade que lhe deveria merecer o Património de Portugal, seja ele da esfera do Privado ou do Público.

Ou seja, o tal impasse que repetidamente aqui tenho criticado. Que, colocado em formato de pergunta, é o mesmo que perguntar: - Não haverá competência para fazer mais do que aquelas duas alternativas primárias da teoria do jogo humano das relações e do desenvolvimento? Até quando? Até quando subsistirá este impasse que infeta a cognição e inibe o Desenvolvimento do País? Tal como referi na proposta para a “Reforma da Política Pública de Património”.

O Museu de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, e as Pessoas que nele trabalharam durante anos, deram ao País, ao Património, e ao Estado um benefício de excelência que a todos serviu. Todos nos transformámos em melhor.

E agora o Estado, na primeira palavra que diz, é de que «logo se verá, façam parcerias»? É assim que se constrói um compromisso solidário e de partilha responsável entre o Público e o Privado? Será outra vez em cima deste velho e improdutivo impasse que nos vêm convencer de mais «planos para o Futuro»? De mais «programas de Governo»?

Sabemos que ainda há muitos que vêem no Património apenas os Museus, esquecendo o principal. Que a Museologia é, sobretudo, o trabalho dos Humanos perante a Continuidade. Concretamente, a tarefa de ser capaz de transformar o Património num objeto ou numa representação possíveis de serem preservados e reproduzidos pela Memória individual e coletiva dos presentes e vindouros. É o trabalho de construção desse objeto-representação – a que damos o nome de «objeto museológico», e que é diferente do «objeto patrimonial» – que distingue a Museologia das outras disciplinas do Conhecimento. E justifica haver museus, monumentos, direções-gerais, e graus académicos com esse nome.

Para quando essa Reforma da Política Pública de Património?

 

Pedro Manuel-Cardoso

 





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