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[Museum] Fw: DIAGNÓSTICO AO PATRIMÓNIO PORTUGUÊS

Subject :   [Museum] Fw: DIAGNÓSTICO AO PATRIMÓNIO PORTUGUÊS
From :   Maria Isabel Tristany <mty.mty@outlook.pt>
Date :   Fri, 30 Jan 2015 23:40:15 +0000



Enviado de Correio do Windows

De: Maria Isabel Tristany
Enviada: ‎sexta-feira‎, ‎30‎ de ‎janeiro‎ de ‎2015 ‎22‎:‎45
Para: museum@ci.uc.pt


Chegados ao ano das eleições legislativas, e no momento em que os gabinetes-de-estudos dos Partidos aprontam os textos dos Programas-de-Governo, julgo ser pertinente suscitar a atenção para aquilo que é básico e essencial, e que ainda não foi feito com o rigor que merecia.

Refiro-me ao sempre adiado Diagnóstico ao Património Português. Um trabalho que é essencial para se perspetivar a sustentabilidade e a eficácia das políticas públicas de património.

Não tem sido essa lacuna que também tem contribuído para o surgimento de interesses alheios, descontextualizados, muitas vezes ao arrepio do bom senso, como por exemplo o que tem acontecido no espaço do famigerado eixo Belém-Jerónimos, e em muitas outras decisões?

Esta mensagem é, por isso, uma proposta para que esse Diagnóstico se faça, antes de se desatarem a fazer planos ou a prometer caminhos. E se faça em colaboração e partilha com as instituições e entidades que possuem Património com relevância para Portugal.

Ter muitos visitantes, ter muitos museus e instituições congéneres, ter cada vez mais objetos e coleções (materiais e imateriais) transformados em património, será resolver o essencial do trabalho patrimonial? Quantificar e medir apenas isso é fazer corretamente o Diagnóstico?

É isso apenas que garante a Continuidade e o cumprimento da Museologia?

Qual é a situação das coleções e dos objetos que constituem o Património Português (em termos das funções e responsabilidades que estão escritas na lei portuguesa: investigação, documentação, preservação, interpretação, educação…)? Há uma noção mínima de quanto demorarão a degradar-se, e qual o plano nacional para gerir essa entropia (recursos humanos, técnicos, financeiros)? Que trabalho de documentação e de codificação está a ser feito para transferir esse Património para os novos suportes de memória e de armazenamento? Perante o dinheiro que é gasto com a visibilidade que dá protagonismo, quanto é gasto na outra parte mais obscura que garante a Continuidade do Património e da Cultura Portuguesa perante os presentes e vindouros? Qual é a situação física e documental das coleções e objetos que constituem o Património Português?

Por que razão essa preponderância dos processos de patrimonização (isto é, a opção pela visibilidade das exposições, pela constituição de cada vez mais coleções, ou de criação de mais museus) na atual política pública portuguesa esconde uma grande falha no trabalho/processo de musealização (isto é, no trabalho de transformação dos objetos patrimoniais em objetos museológicos, ou seja, capazes de transmitir o Património aos presentes e vindouros)?

Todo este lado essencial do Diagnóstico está por fazer. Está como que silenciado. Talvez à espera que se esqueçam dele, ou que não imputem responsabilidades a quem o subvalorizou.

É urgente e necessário um Diagnóstico que avalie a Realidade Patrimonial Portuguesa através de um instrumento objetivo e rigoroso de análise, por exemplo, como o que propusemos em 2004, ou outro ainda melhor:

 

 

Índice de Avaliação do Trabalho de Gestão do Património em Museologia

 

 

 

 

 

 

 

 

åƒ

Ip

preservar

+

Id

documentar

+

Ic

comunicar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ir

reconstituir

+

It

transmitir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I = Índice

p = preservar

d = documentar/codificar

c = comunicar

r = reconstituir/restituir

t = transmitir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 23 de Maio de 2014 apresentei uma Proposta concreta para a Reforma da Política Pública de Património. Que a Lista Museum (mensagem n.º 11712) e a prestigiada Património.Pt tiveram a amabilidade de publicar.

Do que aqui se trata agora, com esta proposta, é de suscitar mais um contributo para a Continuidade da Cultura Portuguesa e da sua afirmação, expressas através do seu Património e da possibilidade efetiva de o transmitir aos presentes e vindouros.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


Enviado de Correio do Windows


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