Nota prévia: Embora dirigida expressamente aos membros da Associação referida, perdoe-se-me se dou a conhecer esta mensagem,
tendo em conta o interesse patrimonial dos objectivos que persegue e em torno
dos quais cumpre terçar armas. À Maria Proença, bem haja pelo seu dinamismo e
perseverança. – J. d’E.
Cara(o)s associados
Cabe-me informar que no dia 26 de Dezembro passado, enviei à
Maria Viegas, na sua qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, o meu
pedido de demissão do cargo de Presidente da Direcção
da Associação As Idades dos Sabores.
Considero que não me encontro em condições físicas e
anímicas que me permitam desenvolver o cargo com a necessária força,
disponibilidade e competência. E considero também que este projecto, sobretudo
o que o definia e caracterizava na sua origem, merece ser mantido e
desenvolvido com entusiasmo e urgência. Lembro apenas que a Associação tem a designação
de Associação
para o Estudo e Promoção das Artes Culinárias. Estes objectivos estiveram sempre
na primeira linha das nossas actividades durante os primeiros anos, embora
fossemos poucos e sem recursos. Mas fomos fazendo coisas que nos
dignificaram e que levou a que fossemos considerados de utilidade pública.
O Protocolo estabelecido com a C.M. De Lisboa para nos ser
cedido o uso do espaço do Mercado de Santa Clara, constituiu um marco de alegria,
esperança e formulação de novas e
promissoras actividades.
Na realidade, recebemos este presente no momento exacto em
que oficialmente foi decretada a crise no país, crise não só financeira mas de
mudança de paradigma relativamente às questões culturais e sociais. Sabem
todos que lutámos para sobreviver, mesmo contra a opinião de alguns membros que
consideravam que devíamos desistir por falta de condições mínimas. Muitos
afirmaram que “que muita coisa ia mal no Centro das Artes Culinárias”, mas não
consegui nunca que essas coisas fossem claramente
explicitadas e, sobretudo, que fossem apresentadas soluções alternativas.
Porque muitos outros consideraram que valia a pena lutar e
se juntaram a nós, e também porque sou teimosa e dei muito de mim à sua criação ( ““Foi o tempo que dedicaste à tua
rosa que fez tua rosa tão importante.” ―Antoine de
Saint-Exupéry), continuámos a procurar garantir a sustentabilidade do
projecto, por vezes privilegiando caminhos que nos permitam continuar, mas em
detrimento de outros que cumpririam melhor os objectivos iniciais.
Mas por razões múltiplas, muitas vezes séria e graves que só
a cada um cabe avaliar, não podemos contar com o trabalho de muitos associados
e desenvolver mais e melhores projectos.
Confesso que não me encontro neste momento capacitada para fazer grandes análises do passado:
estou demasiado esgotada e esta coisas correm sempre o risco de
formularem juízos que me não interessam e não quero. Quero apenas,
em termos pessoais ou como presidente durante estes anos, saudar e agradecer a
colaboração continuada, generosa e
solidárias de alguns. Sei que temos muito a agradecer a muitos mas parece-me da
mais elementar justiça salientar o os pilares
que sempre foram o João Côrte-Real,
a Graça Lucena, a Maria Paola Porru e a sua equipa, a Sílvia Ercoli, a
Maria Viegas, o Abel Côrte–Real (apesar da discordância que, em privado sempre
mostrou relativamente ao meu demasiado envolvimento),bem como a Fernanda Frazão, a Ana Marques Pereira ,o Carlos
Brás Lopes (com sua presença nos momentos mais marcantes,
as suas mobílias e objectos e o seu bolo- sSempre o melhor bolo de chocolate do
mundo),a Sasha Lima e a Nazaré Costa
que de forma continuada sempre responderam às chamadas. Não esqueço
muitos outros que em tempos e momentos específicos deram o seu melhor e por alguns
dos quais tenho o maior respeito, agradecimento e ternura e a que quero
comovidamente agradecer a amizade: Professor Galopim
de Carvalho e Maria Arlete Azeitona. Saúdo o meu amigo José Charters Monteiro que aguerridamente me levou
pelos caminhos que conduzem a Leiria na busca dum espaço e dum projecto para a
Associção, a Carole que sempre
nos ofereceu a sua presença, sugestões, trabalho e confirmação, a Teresa Pinto Leite trabalhando arduamente nos
momentos de grandes azáfamas com o seu sorriso e bondade, O Fernando Martins
sempre pronto a “desenrascar” as afições, o Manel
Telles Grilo quando a vida lho permitiu. Sei que, injustamente, não
nomeio alguns cuja colaboração foi
essencial em momentos específicos. Talvez um dia nos reencontremos para acertar
estes desajustes.
Finalmente, faço votos para que se apresentem e eleições no
próximo dia 13, pessoas com interesse, disponibilidade, competência e projectos
para resolver as actuais situações de falta de meios, mas sobretudo de desvio
dos objectivos fundamentais de estudar e
divulgar as questões relacionadas com a alimentação,
a sua produção, a sua distribuição e consumo, o conhecimento e respeito pelos
territórios e sua valorização, os
seus ritos e tabus, a sua história e a história das muitas e variadas gentes
que sempre dela necessitaram para sobreviver, a criatividade para
encontrar uma identidade própria no preparar e cozinhar
os alimentos, na festa e no quotidiano.Há um processo sistemático para
não respeitar a harmonia das políticas necessárias ao futuro dos que se nos
seguirão. Cabe-nos estudar e divulgar o que se passa.
Espero que consigamos vencer e poderão sempre contar
com a ajuda da associada Maria Proença, enquanto lhe restarem forças.
Cordialmente
Maria