Aplauso para o director-geral do Património Cultural Não posso deixar de expressar a minha concordância genérica com a visão do director-geral do Património Cultural. Dr. Nuno Vassallo e Silva, estimado colega que muito prezo. Seja quais forem as razões de circunstância (como é próprio dos finais de legislatura, com as inerentes maior liberdade de opinião), a verdade é que o mesmo toca em pontos essenciais sobre as finalidades ultimas do património cultural e dos museus. Percebe-se também de forma evidente o incómodo quanto aos limites, inultrapassáveis, da estrutura centralista que dirige… Mas querer que fosse mais consequente neste domínio, seria talvez pedir o impossível. Uma inquietação deve no entanto ser expressa, a saber: o foco, que defendo, em Museus e Monumentos Nacionais dotados novamente de grande e até maior autonomia e competências do que já tiveram no passado, não deve fazer esquecer que o património cultural é muito mais amplo e a missão do Estado passa por domínios como os da reflexão estratégica, estabelecimento de normativos, monitorização e fiscalização. Parte destas missões poderão ser garantidas em cooperação com sectores governativos como os do Ambiente/Território ou transferidas para o plano regional (CCDRs) ou até para o plano local (Associações Municipais e Municípios). Mas apenas parte. Finalmente, importa também reflectir melhor sobre o estatuto de “monumento ou museu nacional”, entendidos aqui como os de tutela directa da Cultura. Sendo certo que na configuração actual dos monumentos e museus sob tutela da SEC e das DRCs existe muito de circunstâncias avulsas, fruto das vicissitudes históricas, podendo parte deles ser facilmente transferíveis para tutela autárquica, há ainda assim que considerar quer a dimensão o regional (sobretudo no caso dos museus e conformemente ao ideal republicano, que deu origem a vários deles), quer a dimensão paradigmática, inovadora ou de promoção das boas-práticas. Ambas poderão ter cabimento ainda num Instituto de Museus e Monumentos Nacionais, pelo menos enquanto a verdadeira regionalização não chegar. Luís Raposo De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de José d'Encarnação “Património é património, turismo é turismo. Os objectivos não são comuns” Nuno Vassallo e Silva Na primeira entrevista de fundo, o director-geral do Património diz que recuperar só para fins turísticos não é a solução. Parcerias com o turismo dão resultado, mas reconhece a pressão sobre as zonas classificadas. Entrevista de Isabel Salema e Lucinda Canelas PÚBLICO, TER 10 MAR 2015
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