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A Dança será musealizável? Sê-lo-á do mesmo modo que o Teatro? Se não for do mesmo modo, como o museu se transformará em dois, já que em um não é possível? Esses dois Objetos mudarão o atual museu, ou deixá-lo-ão igual ao que era, em prejuízo de um dos Objetos? Ou nada disto acontecerá, e o melhor é esquecer esta discussão? Será sempre possível fazer um museu da dança através de uma museologia tradicional. Mas será impossível musealizar a Dança se se fizer um museu de acordo com essa museologia tradicional. Isto é, será sempre possível fragmentar e decepar a Dança numa panóplia de objetos e documentos, que é o modo tradicional de fazer museologia e museus. Mas será impossível captar o significado e o valor da Dança se se proceder desse modo tradicional. Repensar o conceito de Objeto em museologia tem uma consequência prática e imediata. Que é a de se ser capaz de musealizar melhor, por exemplo, um Objeto como a Dança. A Dança exige da museologia (ciência que estuda e gere o Património prolongando a estratégia Eucariote) um novo conceito de Objeto. Ora, face à evidente incapacidade da museologia tradicional lidar com a Dança (e com a generalidade dos objetos da “Carta da Performance Humana”), como está a ser tratada a Dança no novo museu onde a sedearam? Que museologia está a ser adoptada para que a sua memória seja comunicada aos presentes e perdure para os vindouros? Repensar o conceito de Objeto em museologia equivale a decidir qual o caminho que melhor musealiza o Património. Servirá este caso para escrutinar todos aqueles que lidam com os cada vez mais frequentes Objetos Novos da nossa contemporaneidade?
Pedro Manuel-Cardoso |
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