Nota de imprensa:
PRÓXIMA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA
Emília
Nadal
Imperativos
1970-2015
(Pintura,
desenho e instalação)
INAUGURAÇÃO
28 de Março de 2015, pelas 17h00,
no MAEDS.
De 28 de Março a 20 de Junho de
2015.
Inauguração a 28 de Março (Sábado)
às 17h00.
Horário de visitas ? de terças a
sábados, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Encerra às segundas, domingos e
feriados. Entrada livre.
Avenida Luisa Todi, nº162.
2900-451 Setúbal.
www.maedseventosactividades.blogspot.com
Integrada nas Comemorações do
Março/Mulher, em que o MAEDS (Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de
Setúbal) sempre participou desde a sua fundação, a presente exposição,
constituída por cerca de meia centena de trabalhos, traz a Setúbal pela primeira
vez a obra de Emília Nadal, uma das mais importantes artistas plásticas
contemporâneas portuguesas.
A obra de Emília Nadal permite
interrogarmo-nos sobre a existência entre nós de uma Arte do Género. Com efeito,
mesmo durante o período de encerramento do país aos ventos de mudança do
Exterior, situação que só a Revolução de Abril de 1974 viria a alterar
radicalmente, a artista cultivou o cosmopolitismo e uma extraordinária
capacidade de critica social, rompendo tabus e demais interdições.
No seu trabalho, Emília Nadal
opera a desconstrução dos ?modelos femininos de esposa ideal? instituídos pelo
Estado Novo, usando linguagens e metodologias inovadoras no meio artístico
português, como as famosas ?embalagens para produtos naturais e imaginários
liofilizados?. Mais recentemente, na série ?produtos emergentes? reflecte sobre
problemas estruturais e abrangentes da sociedade
portuguesa.
Com uma sólida formação académica,
Emília Nadal afirma-se não só como artista singular, com vasto curriculum, mas
também como cidadã pró-activa que tem feito ?escola? na defesa dos interesses
dos artistas portugueses, nomeadamente na Sociedade Nacional de Belas
Artes.
Sobre a
exposição:
Integrada nas Comemorações do
Março Mulher/2015, a presente exposição, constituída por 48 trabalhos, traz a
Setúbal pela primeira vez a obra de Emília Nadal, uma das mais importantes
artistas plásticas contemporâneas portuguesas.
Já vai longe o tempo (1949)
A obra de Emília Nadal permite
interrogarmo-nos sobre a existência entre nós de uma Arte do Género. Com efeito, mesmo
durante o período de encerramento do país aos ventos de mudança do exterior,
situação que só a Revolução de Abril de 1974 viria alterar radicalmente, a
artista cultivou o cosmopolitismo e uma extraordinária capacidade de crítica
social, rompendo tabus e demais interdições. Tenha-se presente a série de
aguarelas-gouaches de 1973, obra de ?clandestinidade? contra a guerra colonial,
que viria a contaminar a intervenção da artista no painel colectivo de 10 de
Junho de 1974, promovido pelo Movimento Democrático de Artistas Plásticos,
infelizmente hoje desaparecido. Citem-se também dois trabalhos da série Sereias,
de 1972 (Crepúsculo e O Festim), onde a sereia é literalmente
devorada por ?inocentes? cordeiros. De notar que
No pós 1974, Emília Nadal opera a
desconstrução dos ?modelos femininos de
esposa ideal? instituídos pelo Estado Novo, usando linguagens e metodologias
de filiação Pop Art, segundo
interpretação muito própria. Na série das embalagens para produtos imaginários,
destacam-se os trabalhos de 1977, Mulher
ideal e A esposa Ideal.
De um modo geral, é possível
afirmar que a obra artística de Emília Nadal reflecte criticamente problemas
estruturais e abrangentes da sociedade portuguesa e, nessa óptica, reconfigura o
acto criativo nas suas dimensões social e política, abrindo frestas para lúcida
e sensível experimentação do real.
Com uma sólida formação académica,
Emília Nadal afirma-se não só como uma artista plástica singular, com vasto curriculum, mas também na comunicação
escrita, com destaque para textos sobre educação e ensino artístico, violência
contra as Mulheres. Na sua participação cívica destacam-se a integração em
diversas comissões governamentais destinadas à análise da educação e do ensino
artístico, e a acção de democratização do ensino e da fruição pública das artes
visuais, na Sociedade Nacional de Belas Artes onde desempenha presentemente o
cargo de Presidente da Assembleia Geral. Em 2013, foi condecorada pelo
Presidente da República com o grau de Grande Oficial do Mérito
Civil.
A exposição deverá proporcionar
uma viagem através dos percursos artísticos de Emília Nadal, organizando-se por
núcleos temáticos.
As obras expostas permitem
observar ecos da matricial cultura visual mediterrânea (ambas as margens
incluídas), em especial da italiana e catalã, com revisitações da Flandres (J.
Bosch), do mundo luminoso de Turner, do cosmopolitismo da Pop Art americana
(Andy Warhol, Tom Wesselmann, Roy Lichenstein) (AAVV, 2011). Como ilustração da afirmação
precedente, observe-se o Canto XI,
de 1973, onde o conceito de Pop Art
está presente não só na linguagem pictórica, como na ideia de desconstrução dos
mitos estereotipados da cultura portuguesa, em cuja sombra estagnava e morria
lentamente o país em interminável guerra colonial. A linguagem plástica
utilizada por Emília Nadal neste trabalho recorre à ?caixa? de dramatização,
exposição, ou simplesmente de selecção temática, para de seguida a desactivar
através das suas diagonais ou oblíquas luminosas. A irreverência colocada na
desmistificação da figura de Camões (desgastada pelo abusivo uso que dela fez a
ideologia do Estado Novo) materializa-se genialmente em caneca de loiça de
feira, de tradição popular oitocentista (Rio-Carvalho, 1986).
Emília Nadal move-se, em oposição
dialéctica, entre geometrismo, estabilidade, busca de equilíbrio e de rigor
(caixa, pêndulo, fio de prumo) de remota influência italianizante (Piero della
Francesca) e as suas oblíquas de luz
em trânsito para o infinito, que atravessam e instabilizam a aparente
solidez das coisas e das ideias. Uma terceira camada impõe-se na construção da
narrativa pictórica de Emília Nadal que compele à observação crítica da
sociedade de consumo massificada, com seu ritmo triturador da condição humana e
à percepção das patologias do contexto sociopolítico de pertença mais próximo,
usando uma imagética realista em aparente mimetismo com as imagens icónicas
dessa realidade social, mas estética e eticamente transformadas pelo génio
criativo.
Referências
AA.VV. (2011) ? Museu Berardo. Um
Roteiro.
RIO-CARVALHO, Manuel (1986) ? Emília Nadal. Lisboa: Imprensa
Nacional-Casa da Moeda.
Joaquina
Soares
Sensibilidade
e Razão
O
espaço descontínuo destinado a exposições temporárias do MAEDS é particularmente
favorável para mostrar o trabalho de Emília Nadal, uma vez que este assume modos
bem diversos, formalmente contrastantes, muito embora coerentes com os
propósitos estéticos e éticos da artista.
Uma
exposição dedicada à obra de ?uma mulher com intervenção na sociedade? podia
voluntariamente limitar-se aos aspectos dessa mesma obra mais próximos dessa
intenção, no entanto a artista preferiu e, muito bem, mostrar não propriamente
uma antologia, mas a raiz humana e artística das suas indignações e, para isso
mesmo, dar a indispensável ideia da variedade de que é feito o seu trabalho. O
próprio percurso que o visitante tem de percorrer neste Museu admite duas ordens
possíveis de visita e, dentro delas, situações de avanço e de recuo, onde a mudança e a
continuidade, a variação e a repetição, se podem encontrar, tal e qual como na
nossa vida de todos
Curriculum
Vitae
De
ascendência catalã, Emília Nadal nasceu em Lisboa em 1938.
Formação
Académica
Referências
Recebeu os Prémios Anunciação e Lupi de Pintura da
(1959) e uma Bolsa da
Menção do XVI Prémio Internacional
de Desenho Joan Miró (1977) e Prémios de Edição na I e na II Exposição Nacional
de Gravura (1977-1979). Participou na pintura do painel colectivo alusivo ao 10
de Junho de 1974, iniciativa do Movimento Democrático de Artistas
Plásticos.
Representou
a
E o 5º Grupo de Estudos de
Reflexão Prospectiva sobre ?O Futuro da Educação em Portugal. Tendências e
Oportunidades?(DAPP). Com Sérgio Grácio, elaborou e publicou o tema ?Modos Diferenciados de Aprender e Saberes do
Futuro?, DAPP-2000.
Comunicações
Fez parte do Conselho Consultivo da
Em 2013 foi condecorada Pelo Presidente
da República com o grau de Grande Oficial do Mérito Civil
Actividade como Artista Plástica
Expõe desde 1957 e participou em
numerosas exposições colectivas e de grupo em Portugal e no estrangeiro, a
título individual ou em representação da pintura e da gravura portuguesa
contemporânea,
Exposições
Individuais
1973? Lisboa. Galeria Ottolini. ?As Caixas?
?Os Ovos?. 1976? Lisboa.
Apresentações e críticas
- Fernando de
Azevedo, José-Augusto França,
Exposições
Colectivas (mais
recentes)
2000? ?Mote e Transfigurações?,
S.N.B.A.,Lisboa. 2001? ?Silent Life?, Festival dos Capuchos,
Monte da Caparica. 2002? ?Cem Anos, Cem Artistas?, S.N.B.A.,
Lisboa. 2003? XIIª Bienal Internacional de
Realização de
Projectos
Criou cenários e figurinos para o
Ballet Gulbenkian,
Representação
Está
representada em
colecções privadas e nas colecções do CAM-
Bibliografia
Emília Nadal, Manuel Rio-Carvalho, Ed. IN//CM,
Col. Arte e Artistas, 1986, Lisboa. Emília Nadal, Pintura de Memórias,
Vários autores. Ed. Cão Menor, 2011.
A Pintura na Teoria e na Prática,
Varela Aldemira,
Ed. Autor, 1961, Lisboa. Portuguese 20th
Century Artists, Michael Tannock, Ed. Phillimore, 1978, England. Idem,
Ed.portuguesa, 1979. Cem Exposições,
José-Augusto França,Ed..IN/CM, Col. Arte e Artistas, 1981, Lisboa. Summa Artis- Historia General del Arte,
José-Augusto França, J.L. Morales ? Wifredo Rincón, 10 Anos de Artes Plásticas e Arquitectura em
Portugal 1974-1984,
Filmografia
Emília Nadal, Pintura de Memórias, DVD.Realização Nuno
Santiago. Ed. Cão Menor, Editora,
2010. Emília Nadal,.
ORG.
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