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[Museum] Os Monumentos que hão-de vir.

Subject :   [Museum] Os Monumentos que hão-de vir.
From :   Maria Isabel Tristany <mty.mty@outlook.pt>
Date :   Thu, 23 Apr 2015 18:48:40 +0000

Qual é o Objeto que é todos os outros, perante o qual não passam de heterónimos ou equivalentes? Aquele Objeto que justifica o esforço humano e todos os recursos disponibilizados por todas as Políticas Públicas de Património?

Um exemplo talvez permita mostrá-lo.

Considerem-se os Monumentos como lugares de memória. E sejamos capazes de antecipar um qualquer desses Monumentos que hão-de vir. Talvez assim se consiga isolar as razões da Relevância, e a coisalidade desse objeto primal do Património que equaciona todos os outros e respetivas razões. E, ao mesmo tempo, torna possível à Museologia fazer um trabalho de gestão do património equivalente em termos de objetivos e benefícios independentemente da assimetria de riqueza e de poder entre os países.

Consideremo-lo, então.

Uns, nos primeiros dias após a inauguração do tal Monumento, nem o notariam: “… over a dozen people walking their dogs passed by the new monument on Monday morning without noticing the piece”. Outros, os seus autores, diriam: “It’s not just about a person or an object. It’s about the ideals that he was trying to work towards and push others to care about. About who were fighting for the same ideals that is fighting for… because it is loaded with significance and meaning and reverence of others.".

E sobre o local onde o Monumento seria colocado, a narrativa sobre a Relevância expressar-se-ia do seguinte modo: - Uns, nem saberiam que naquele local tinha havido um antigo monumento, hoje em ruínas e coberto de sedimentos, em memória aos milhares de prisioneiros mortos numa qualquer guerra revolucionária de independência ou de afirmação de uma identidade. Outros, sobretudo os autores do Monumento, diriam: “We feel that actions really continue a story that began at the beginning of this country. It is built upon a set of ideals to live freely... with freedom of _expression_”.

No discurso do eleito presidente dessa cidade imaginária, onde esse monumento imaginário seria inaugurado, a despesa pública seria justificada do seguinte modo: - “

“… the city would preserve the statue and make it accessible to people, allowing to continue these memory… Our hope is this gift has brought a renewed cultural relevance to the space, inspiring more visitors to ponder the sacrifices made for their freedoms and their responsibility to ensure our liberties last long into the future”.

Que Objeto Patrimonial é este, senão a Relevância? Que perpetração é esta, senão a Relevância, em si mesma, na sua coisalidade?

Uma cidade que cuide dos seus Monumentos, e uma sociedade que se insurja contra quem os conspurque, talvez fossem boas medidas para uma qualquer política pública de património. Obrigar que a futura política pública de património fosse melhor formulada no seio da futura Política de Cultura, talvez fosse um dever a reivindicar atualmente.

Porém, mais do que isso, este exercício de imaginação poderia afinal não sê-lo. Em vez de uma ficção poderia afinal ter sido um facto verídico ocorrido este mês num sítio concreto. E assim, com este esboroamento premeditado e intencional, teríamos compreendido melhor o lugar da Relevância e do Património enquanto factor imprescindível ao Desenvolvimento Humano. E a necessidade de ser melhor formulado e incluído na futura Política de Cultura.

Pedro Manuel-Cardoso 

 



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