O PROBLEMA O Debate mais uma vez resvala para a lógica de cada um dos lados. Nos Debates continua a ser impossível conciliar e equilibrar os objetivos do Interesse Privado (aumento do lucro e sua distribuição por um grupo restrito) com os objetivos do Interesse Público (concretizar o direito de todos ao Património do Estado que pertence a Portugal e aos cidadãos). Tenho referido várias vezes que a dificuldade está na conciliação. E que é fácil fazer a apologia de cada um dos lados. Esses dois lados existem e coabitam todo e qualquer País, Cultura ou Nação. São componentes constitutivos da matriz antropológica do fazer humano. Razão pela qual é impossível a um excluir o outro, apesar das ideologias de cada lado desejarem essa diluição facciosa. A consequência dessa incapacidade de conciliar os dois lados está demonstrada vezes sem conta na prática das últimas décadas. Sucede-se e alterna como em Sísifo. Ora se democratiza o acesso sem olhar aos custos; ora se restringe o acesso sonegando o legado patrimonial à maioria a quem pertence (transforma-se a cultura e o património num condomínio fechado para recreio de quem pode pagar, e até se lhe atribui prémios). Ambas as fações vão para conferências, colóquios, e outros sítios mediáticos mostrar despudoradamente, quantas vezes através de belas apresentações multimédia, os gráficos e os indicadores de cada uma dessas suas lógicas. Uns, mostram os gráficos do aumento da receita e dos visitantes à custa da perda de visitantes nacionais (chegando a atingir 90% de visitantes estrangeiros, e os 10% nacionais serem, ainda por cima, de determinadas classes de portugueses/as com um rendimento nitidamente maior do que a maioria). Outros, deixam para os contribuintes a fatura de uma exponencial despesa pública sem retorno ou sustentabilidade. E andamos neste fado, que, pelo que se vê agora no atual Debate, teima em não mudar. OS CONSTRANGIMENTOS DO CONTEXTO E DA CONJUNTURA
A PROPOSTA OBJETIVO: Transformar a Cultura e o Património em Desenvolvimento. Investir no contributo da Cultura e do Património para acrescentarem benefício à economia, proporcionarem emprego qualificado, aumentarem a competitividade e a atração de investimento em serviços de valor acrescentado, desenvolverem o turismo, permitirem a todos os portugueses visitar e usufruir o património que lhes foi legado e que lhes constrói a Identidade, e afirmar Portugal no contexto global. MEDIDA 1: Programa Reestrutura: Reformar e modernizar os serviços públicos de Cultura e Património. (i) Objetivo: Tornar mais eficazes e eficientes os serviços e infraestruturas do Estado que gerem a Cultura e o Património. De investir na reforma e modernização dos serviços públicos através de uma ação sistémica e integrada, com o objetivo de racionalizar e potenciar os recursos existentes nos diversos serviços e infraestruturas do Estado. De reforçar a ação transversal da política de Cultura com as outras áreas da governação, privilegiando a inclusão do Património no Conceito Estratégico Nacional de Defesa em articulação com as políticas de Defesa, Negócios Estrangeiros e Economia, e a inclusão da Educação Patrimonial nos conteúdos curriculares do ensino básico e secundário em articulação com as políticas de Educação. (ii) Impacto: A medida tem impacto na diminuição dos custos de contexto; em ganhos de eficácia e eficiência na utilização dos recursos públicos e no aumento da qualidade dos serviços de cultura e património tutelados pelo Estado; e no reforço da pertença e identificação da população portuguesa com os valores patrimoniais de Portugal. MEDIDA 2: Programa Investe: Reabilitar e restaurar o Património. (i) Objetivo: Reabilitar, conservar, restaurar e modernizar o Património Nacional, colocando à disposição da sociedade, da iniciativa privada, e dos agentes culturais uma oportunidade de participação no Investimento em parceria e cooperação com o Estado e as Autarquias. (ii) Impacto: A Medida tem impacto na Sustentabilidade do Património, na diminuição da despesa afeta ao Orçamento de Estado, no aumento do Investimento privado no Património, e contribui para tornar Portugal num Destino Cultural mais competitivo e atrativo à escala global. MEDIDA 3: Programa Convida: Aumentar o acesso e a acessibilidade à Cultura e ao Património. (i) Objetivo: Investir no aumento do Acesso e da Acessibilidade à cultura e ao património, colocando à disposição da sociedade, da iniciativa privada, e dos agentes culturais uma oportunidade de participar e investir num programa cultural de lazer, eventos, e formação nas infraestruturas de património afetas ao Estado. Por cada cinco visitantes estrangeiros tem que ocorrer, no mínimo, cinco visitantes portugueses. (ii) Impacto: Aumento do Acesso e da Acessibilidade ao património, concretamente no aumento das visitas, no aumento da transferência de conteúdos, no reforço da formação técnica e científica dos profissionais da cultura e do património, no aumento de conhecimento sobre a cultura e o património português, no aumento da oferta e da qualidade de serviços culturais nas infraestruturas de património afetas ao Estado. Porém, para tudo o que se prometa e para qualquer debate que se desencadeie, jamais se poderão alterar as seguintes duas realidades: 1 - AS FONTES DE FINANCIAMENTO EFETIVAMENTE DISPONÍVEIS Estas são de facto as fontes de financiamento disponíveis em Portugal na atual conjuntura:
2 – OS FATORES DA VERDADEIRA SUSTENTABILIDADE EM VEZ DE ILUSÕES E PROMESSAS Estas são as condições que balizam quaisquer ideias ou promessas para aquilo que se promete:
CONCLUSÃO Em vez de se repetir sempre o mesmo Debate, e o impasse que ele teima em reproduzir sem solução, não será o momento de adoptar uma nova relação de compromisso e responsabilidade entre o Estado e a Sociedade na área da Cultura e do Património que inicie um novo caminho? Não é chegado o momento, por exemplo na área do Património, de iniciar uma reforma que faça a convergência científica e técnica da arquivologia, biblioteconomia, documentação e museologia? A ver vamos… Pedro Manuel-Cardoso |
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