PÔR EM CÓDIGO: CODIFICAÇÃO E COGNIÇÃO 1 – A Memória e o Património (Relevância) são tributários do FENÓMENO DA CODIFICAÇÃO. O PROCESSO DE TRANSMISSÃO às gerações vindouras depende dela (desde o nível bioquímico e molecular até ao nível cultural e simbólico). Se não existisse esse enigmático fenómeno da Codificação não nos tínhamos tornado Cognitivos (Homo sapiens sapiens), nem teriam sido inventados os museus. Se existir alguma coisa que nos distingue e especifica em relação aos outros seres/sistemas é exatamente essa capacidade para codificarmos; isto é, para transformarmos a Existência/Mundo/Natureza em códigos. «Os Codificadores» seria talvez o nome mais adequado para os Humanos. A assimetria de rendimentos e de valor profissional e científico estabelece uma correlação evidente com essa habilidade para codificar. Quem codifica melhor obtém mais dinheiro e maior prestígio. 2 – O PROBLEMA DA CODIFICAÇÃO ganha redobrada importância perante a nova relação que o ser humano está atualmente a estabelecer com os Objetos e com a Realidade (3D, avatares, realidade virtual, comunicação em redes, etc). Que se repercute no modo como visualizamos e nos deixamos visualizar, no modo como se define a territorialidade e o sítio onde efetivamente estamos enquanto nós-próprios, no espaço-tempo onde nos comunicamos e encontramos uns com os outros, e no modo como se gere o património e se fazem exposições. Que respostas se dão hoje para as perguntas: - Como descrever e explicar o fenómeno da Codificação? Isto é, de que modo as coisas se transformam em instruções para as coisas, como que se ganhassem uma qualidade de guias ou condutoras das outras? De que modo o ser humano codifica (ADN e Cultura) e transmite as coisas codificadas? Quais as principais codificações humanas? 3 – Desde sempre, muitos, tentaram discernir os tipos de codificação e como influenciavam a Cognição. Descartes (evidência, análise, enumeração, síntese), Kant (fenómenos, regras, princípios), Hegel (consciência, consciência de si, razão, espírito), C.S. Peirce (firstness or tychist view, secondness or anacist view, thirdness or agapist view), S. Freud (id, ego, superego), José Marinho (visionar, teorizar, conceber), P. Ricoeur (indivíduo, individuação, identificação, imputação), e outros. Quando deparei com o problema da decisão sobre o que é relevante no contexto do património recorri à “teoria da prova”, sobretudo aos contributos de K. Gödel, Wittgenstein, P. Watzawick, G. Bateson, e Wynn & Coolidge, que tinha estudado na antropologia. Tomando em consideração as tentativas anteriores, e à medida que os dados sobre a biologia molecular da cognição e sobre a memória se vão acumulando, e à medida que o estudo sobre a relevância (património) e sobre a transmissibilidade humana se vão desenvolvendo, parece-me que é possível definir CINCO NÍVEIS DE CODIFICAÇÃO A QUE CORRESPONDEM CINCO GRAUS DE COGNIÇÃO, concretamente: i) mimesis, ii) codificação, iii) algoritmicidade, iv) logaritmicidade, v) compreensão/hermenêutica. Com esses cinco níveis seria até possível classificar os processos de comunicação que ocorrem em cada sociedade e em cada cultura, contribuindo de forma pragmática para investigar a Cognição Humana. 4 – Seja como for, foi este facto que nos levou a propor em 2006, ao Museu Nacional de História Natural, a realização de uma EXPOSIÇÃO com o título: «PÔR EM CÓDIGO». Cujo TEMA fosse o problema da transmissibilidade humana. E o OBJETIVO fosse suscitar nos visitantes respostas para a seguinte pergunta: «Pôr em Código a realidade será a condição essencial para garantir a transmissibilidade e o futuro humano?». Sendo constituída por cerca de vinte Quadros e por uma Instalação onde os visitantes poderiam observar os principais “códigos” utilizados pelo ser humano na física, química, matemática, biologia, na comunicação, na sociedade, nas trocas económicas e na cultura. A Exposição proporcionaria aos visitantes observarem num mesmo local e momento, na sua globalidade e em conjunto, a maior parte dos sinais e signos utilizados nesses “códigos humanos” (logótipos, fórmulas, algoritmos, meta-dados, signos alfanuméricos utilizados pela computação, a criptografia, a paleografia, os “thesaurus”, as “escritas dos povos”, o código genético, “morse”, signos da linguagem gestual, signos cromáticos, da música, mapas, etc.). A Exposição teria a funcionar uma “Oficina Educativa”, através de um jogo intitulado “Jogo dos Signos”, para operacionalizar a participação dos alunos e das Escolas. 5 – Na altura não houve condições nem recursos para concretizar o projeto. Hoje, é esse projeto que se tenta recuperar e para o qual voltou a haver interesse. Pedro Manuel-Cardoso (junto em Anexo o Cartaz e a Carta do MNHN de 2006) |
Expo Por em Codigo Mupi 2 PDF a.pdf
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Expo Por Em Codigo carta do MNHN de 31 Maio 2006.pdf
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