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De:
CARLOS FABIÃO [mailto:cfabiao@campus.ul.pt] Inês Vaz: Foi com enorme consternação e estupefacção que recebi no Alentejo a
notícia da inesperada morte do Inês Vaz. O nosso relacionamento remontava aos tempos dos inesquecíveis Colóquios
de Arqueologia de Viseu, no século passado. Desde então, nasceu e ganhou corpo
uma mútua relação de apreço e estima, não lhe chamaria amizade, porque a
distância não ajudou. O Inês Vaz era um homem notável. Muito activo, fazia acontecer coisas,
sempre com aquela discreta e genuína modéstia que era a sua. Chegámos a trabalhar juntos numa dessas comissões criadas para
“reformar a Arqueologia portuguesa”, para que fomos eleitos num plenário de
arqueólogos, na AAP. Como é do conhecimento geral, não reformámos coisa
nenhuma, mas esforçámo-nos, minimamente, mais o Inês Vaz do que eu (diga-se).
Por essa altura, costumávamos brincar dizendo que eu era o representante do
centralismo lisboeta e ele o do “país real” (um chavão que tinha algum sentido
à época). O Inês Vaz tinha um fino sentido da ironia e mesmo da auto-ironia
(como acontece com os homens de bem). Gostávamos de nos encontrar, aqui e ali, um pouco ao acaso e eu
apreciava imenso aquele seu (dele) jeito, feito de amável bonomia, bom humor e
alegria de viver. No nosso meio muito dado à maledicência, às pequenas vaidades
e pequenos rancores, o Inês Vaz era excepção. Em dada altura da sua vida, empenhou-se na actividade política
partidária, pugnando para mudar a sua terra. Não a mudou, mas também não mudou
ele. Foi Governador Civil, com a mesma atitude competente, séria e contida de
quem nunca precisou (ou quis) pôr-se “em bicos dos pés”. Por essa altura,
estive um par de vezes com o Inês Vaz, em actos onde se encontrava em
representação oficial e pude verificar com gosto que o Senhor Governador Civil
de Viseu era apenas o bom Inês Vaz de sempre. Regressou às lides científicas e, de novo, estudou, publicou e fez
acontecer coisas, realizando em Mangualde a Mesa Redonda sobre a Lusitânia
Romana (creio que foi a última vez que estivemos juntos, depois, só em
comunicação via e.mail e similares). Para definir o Inês Vaz em poucas palavras, diria que foi um Homem Bom
(com toda a solene grandeza que o conceito implica). E quando morre um Homem
Bom é sempre uma tragédia. Para o próprio, naturalmente, por toda a vida que
deixou por viver, para os seus mais próximos, pela terrível sensação de perda
que experimentam, mas também para os demais. É sempre uma tragédia quando morre
um Homem Bom… Carlos Fabião
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