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O Museu
Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade
centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas
programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido
incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de
investigadores e colecionadores. Todos
os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a
mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as
peças etnográficas, estão representados no MNA. Às colecções portuguesas
acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito
diversificadas. O MNA
é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças
classificadas como “tesouros nacionais”. Existe,
pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia
e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.
ESTELA
DE TAVILHÃO II Almodôvar.
Beja (n.º E 8 127) Comentada
por Amílcar Guerra Entre
o espólio mais relevante do Museu Nacional de Arqueologia conta-se um conjunto
de monumentos epigráficos do Sul de Portugal pertencentes ao que se designa
como “escrita do Sudoeste”, também conhecida como
“tartéssica”. Esta manifestação é tomada geralmente como a mais
antiga escrita da Península Ibérica, à qual se atribui uma cronologia entre os
séc. VII e V a. C. Um dos mais bem conservados vestígios deste conjunto é a
estela do Tavilhão II, recolhida nesse lugar da freguesia do Ameixial, situado
no interior do concelho de Loulé, em plena Serra do Caldeirão e nas margens da
Ribeira do Vascão. A
área em que este achado ocorre corresponde a um território em que se regista a
maior concentração de manifestações deste género, repartida essencialmente
entre este concelho e os vizinhos de Almodôvar, Silves e Ourique, os quais, só
por si, reúnem mais de metade de todos as inscrições com esta escrita O
monumento em si corresponde a uma estela funerária que certamente identificaria
a sepultura de um membro de elite dessa região, que também na morte se
diferenciava de muitos outros membros da comunidade. A parte inferior do bloco
de xisto deveria ser fixada no solo, acima do qual se apresentaria um texto
escrito da direita para a esquerda (ao contrário, portanto, da orientação da
nossa escrita). O sistema de signos usado nesta inscrição descende do alfabeto
fenício e foi criado no Sul da Península Ibérica para transcrever a(s)
língua(s) dessa região. Embora saibamos transcrever essas inscrições, não é
ainda possível traduzi-las, desconhecendo-se mesmo a língua em que se encontram
escritas, tratando-se, portanto, de um texto indecifrado. 26
de setembro de 2015 | 15h30 | entrada livre Maria Museu
Nacional de Arqueologia,
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