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Proporcionar o acesso à informação é e deve ser sempre o maior objectivo de qualquer arquivo público. Nesse sentido, percebo perfeitamente o descontentamento de um investigador quando confrontado com a negação de acesso à documentação de que necessita. Acredito também que, um organismo público não pode/deve incutir ao investigador os custos de restauro, fazendo disso uma quase chantagem perante a necessidade de consulta da documentação. Contudo, a criação de uma política de consulta de documentos como a iniciada pela Torre do Tombo deve ser entendida por todos como uma mais valia a longo prazo na preservação da documentação. Preocupações no âmbito da conservação preventiva são extremamente importantes e a salvaguarda do material original deve, no meu entender, prevalecer à necessidade de consulta se assim for recomendável. Nesse sentido, gostaria de alertar para dois problemas que encontrei no discurso disseminado: 1) Não ser especialista na área da conservação (neste caso de papel) e reclamar sobre as classificações atribuídas pelos especialistas não me parece de todo razoável. O bom trabalho de muitos técnicos em Portugal deve ser considerado e reconhecido ao invés de desacreditado e desqualificado. Assim, acredito num maior e melhor diálogo entre as partes com o intuito de perceber a necessidade de salvaguarda mesmo quando não há "nenhuma hecatombe que [aparentemente] justifique estas medidas" 2) É certo que se deva questionar a demora no desenvolvimento e cumprimento de formas
alternativas de disponibilização dessa mesma informação. Assim, acredito que
estamos perante um problema de verbas e recursos (técnicos e humanos) e não
propriamente de más políticas (políticas essas que os textos parecem teimar). No entanto, a alternativa proposta (fotografia sem flash, feita pelo investigador) não me parece de todo uma boa forma de resolver o problema: continua a implicar disponibilização de documentação em mau estado, o manuseamento da documentação por pessoas não especializadas e, acima de tudo, implica a reprodução de um documento a um nível individual quando deveríamos preferir a reprodução a nível arquivístico, seguindo normas de preservação digital, para assim servirmos muitos e não apenas um. Cumprimentos, Anabela Bravo
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