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Re: [Museum] Museus, Visitantes, Bandeiras por Luís Raposo

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   Re: [Museum] Museus, Visitantes, Bandeiras por Luís Raposo
From :   PedroManuelCardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Fri, 12 Feb 2016 17:15:29 +0000

            Várias vezes contribuí para a pertinente reflexão que Luís Raposo mais uma vez trouxe ao diálogo.

            A Gestão Pública do Património não pode continuar focada apenas na Memória. Tem que ser capaz de criar Relevância.

Muito daquilo que hoje é Memória, e que é motivo de Visita, foi criado por quem nos antecedeu. Vivemos demasiado do valor que outros criaram. Hoje, quem vive em Portugal não consegue produzir senão 0,2% de riqueza (aumento do PIB no quarto trimestre de 2015). Isto é, com todas as cotecs, com todas as modernizações produtivas e administrativas, com todas as atuais exportações, com os gestores de elite da diáspora em galas presidenciais e auto-elogios, com não sei quantos prémios internacionais, etc. … cada vez somos mais pobres em comparação com outros países.

            Ou seja, para quem nos Visita, somos uma espécie de porteiros ou mordomos daquilo que os nossos antepassados criaram. A especificidade por que somos procurados baseia-se muito mais naquilo que não criámos. Não conseguimos produzir Relevância, vivemos exageradamente da Memória. Alindamos o Passado como se fosse uma criação do Presente. Os resultados não permitem iludir esta realidade.

Os países capazes de produzir riqueza equilibram muito mais a Relevância com a Memória na gestão do património. Temos medo de criar o Novo. Temos muito Fado, muita bravata, muita corrupção e compadrio; mas pouca coragem para mudar, e para investir nos que nos rodeiam, nos nossos vizinhos, e até nos nossos amigos.

            É necessário mudar a Gestão Pública do Património, e o modelo de organização e governança da Administração Pública. Temos vindo a dizê-lo. Porém, mais uma vez, os programas de governo repetiram o erro.

            É necessário uma nova relação entre o Estado e a Sociedade, expressa numa nova agenda de compromisso e de contratualização entre a Iniciativa Privada e os recursos públicos. Os programas de governo deveriam dizer isto, para que pudesse ser executado por quem é nomeado. Ora, não foi isso que aconteceu. Falharam outra vez. Lá não diz nada disto. Diz o mesmo que há quarenta anos.

            A Gestão Pública feita pelo Estado devia adoptar o Índice Matemático de Patrimonização [IP=Fx(iP+iD+iC/cT+cR)] fazendo a convergência científica e técnica entre museologia, arquivologia, biblioteconomia e documentação. Essa reforma daria maior eficácia e eficiência aos Serviços Públicos e à Gestão do Património.

            O Estado devia contratualizar com a Iniciativa Privada a coordenação geral e a operacionalização dos três Programas que propus:

- Programa «Património Invest».

- Programa «Património Restrutura».

- Programa «Património Convida».

            Há atualmente em Portugal empresas que são capazes de se associarem para gerirem cada um desses três Programas, mediante a apresentação de um plano e programa sujeitos a concurso e escrutínio público (por exemplo, Monte da Lua, Spira, Acesso Cultura, e outras)

            Adiante volto a apresentar a solução:

 

 

Reforma da Política Pública de Património: COMO DEVE SER EXECUTADA?

 

Medidas:

1. Instituir um Novo Modelo de Gestão e de Organização para o conjunto dos serviços responsáveis pelo Património (museus, arquivos, bibliotecas, monumentos, palácios, centros, parques, sítios-de-interpretação, lugares de memória, circuitos históricos, património imaterial, bases-de-dados patrimoniais, e outras infraestruturas que acolhem o Património e a Documentação), baseado numa visão sistémica e numa avaliação quantificada das missões, valor, e impacto na Sociedade.

2. Adotar um modelo de gestão e de organização transversal a esses serviços e infraestruturas focado no  Património (gestão através do Índice Matemático de Patrimonização) e na Gestão da Informação

3. Integrar a Gestão do Património na “Estratégia Digital para os Serviços Públicos”.

4. Implementar os seguintes três Programas [Investir + Reestruturar + Convidar]:

- Programa «Património Invest» - Programa para atrair investimento privado no Património (museal, bibliográfico, arquivístico, imaterial, natural, cultural).

- Programa «Património Restrutura» - Programa para tornar mais eficazes e eficientes os serviços e infraestruturas do Estado que gerem o Património e a Documentação.

- Programa «Património Convida» - Programa cultural de lazer, eventos, e formação nas infraestruturas do Estado que gerem o Património e a Documentação.

5. Incluir a Política de Património no Conceito Estratégico Nacional de Defesa, de acordo com a orientação dos Ministérios da Defesa, Economia, e Negócios Estrangeiros.

6. Incluir a Educação Documental e Patrimonial nos conteúdos curriculares do Ensino Público, de acordo com as orientações dos Ministérios da Educação e Ensino Superior.

 

 

            Atualmente há criações, obras, projetos e trabalhos de excelência que seriam capazes de construírem a nova Relevância de que Portugal necessita, para mudar a imagem de País medíocre que necessita de pedir emprestado e só consegue 0,2% do PIB. O Estado tem que investir nessa energia e nessa iniciativa, não pode continuar a esfarelar-se em chefias intermédias e serviços sem sentido que esbulham a capacidade produtiva e criativa do País.

            O Estado tem que mudar o modo como tem vindo a gerir o Património.

            Quando?

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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