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[Museum] A Museologia, hoje, sobretudo a que se apelida a si mesma de Nova, não terá que ser forçosamente Pós-Expográfica?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] A Museologia, hoje, sobretudo a que se apelida a si mesma de Nova, não terá que ser forçosamente Pós-Expográfica?
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Fri, 15 Jul 2016 13:46:47 +0100

Terá o MINOM sucumbido, ou terá sido apropriado, pela “Museologia Antiga, Tradicional, Clássica e Contemporânea”?

            Hoje não é o tempo da Museologia Compreensiva em vez da Museologia da Memória? Hoje (2016) - com os avanços na ciência, na tecnologia, e na Cultura - os novos visitantes/público não exigem uma Museologia Pós-Expográfica?

            Os regimes da Visibilidade e os conceitos de Evidência estão a ser abalados pelos recentes contributos da Física, da Biologia Molecular, e da Matemática. A Paisagem Humana e o Ambiente Cultural deste início do séc. XXI oferecem-nos a imagem de milhares de Seres-Humanos curvados sobre si mesmos a viajarem por outros mundos e a agirem com uma lógica diferente através de implantes e algoritmos manipulados em minúsculos écrans e surfaces. O corpo humano deixou de coincidir com o sítio do corpo do ser-humano. Logo, quem entra?, quem sai?, quem visita?, quem é contabilizado nas visitas e nas expografias? Isso já não é medível através dos métodos da “Museologia Antiga, Tradicional, Clássica e Contemporânea”. No Museu da Gestualidade, a esta nova etnografia até lhe chamamos: “uma nova gestualidade” (Marcel Mauss chamar-lhe-ia «uma nova técnica de corpo»).

            O Fim da Expografia Clássica fará parte do tempo da geração que nasceu após-2001. Veja-se essa atualidade, por exemplo, no “PSF2016” (“Post-Screen Festival: International Festival of Art, New Media and Cybercultures” organizado pelo CIEBA (Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes, da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) e pelo CeiED (Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona) que ocorrerá no próximo mês de Novembro2016 em Lisboa.

            O que está a movimentar e a excitar as Pessoas hoje é um outro Mundo, uma outra Realidade. Isto é, um novo conceito de Objeto, de Visibilidade, e de Expografia (ver por exemplo o que está a acontecer nos EUA, Austrália, Japão, ou na Coreia do Sul com o Pokémon Go; ou o que está a acontecer com as aplicações e os algoritmos devido às recentes descobertas na Física; ou o que está a acontecer a nível do debate Hermenêutico; ou o que está a acontecer nas Ciências Sociais Após-o-malfadado-Relativismo Cultural de Geertz, Clifford, Marcus, Bloor, Latour, Pickering e outros, por terem ficado fechados num ambiente e numa presunção ideológica que os obrigou a cingirem-se a temas já sem sentido, como por exemplo os de “capital cultural”, “hibridismo”, “pós-colonialismo”, “multiculturalismo”, “etnicidade”, “género”, “transnacionalismo”, “vozes múltiplas”, etc.)

            A questão que desafia hoje a Museologia e os Museus/Monumentos (e as outras infra-estruturas de Património) é se os Visitantes/Público não exigirão uma Museologia Pós-Expográfica. Porque, de facto, o local do usufruto e do prazer de visitar uma qualquer Exposição/Expografia passou a ser outro. Logo, «a construção, a montagem e a edição» daquilo que a “Museologia Antiga, Tradicional, Clássica e Contemporânea” designa por «Exposição/Expografia» passou a ser um assunto diferente do Passado (antes de 1999). Hoje, na “Museologia Antiga, Tradicional, Clássica e Contemporânea” e, consequentemente, os Museus/Monumentos por ela guiados (sobretudo os tutelados pelo Estado) ainda fazem exposições/expografias à antiga. Razão pela qual as ditas “Expografias” foram entregues a meros técnicos (designers, arquitetos, projetistas, e a outros pretensos especialistas em “espaço”, “cenografia” e “materiais”) abolindo a dimensão Cultural e Social do acto de Compreensão/Interpretação Patrimonial.

            Nesse Debate de Sábado próximo (16julho 2016, no Museu Nacional de História Natural, com «entrada livre»), como se poderá afirmar que existe uma Nova Museologia se se copia e se sucumbe ao status, às metodologias, e aos conceitos da Antiga Museologia?

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 





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