No
âmbito da abertura solene do Ano Académico, a Universidade da Beira Interior
vai atribuir, na tarde do próximo dia 10, o grau de doutor honoris causa a António Salvado, a Elisa
Pinheiro e a Ryszard Kowalczyk.
Da
página da UBI, cumpre-me transcrever o seguinte, a este propósito:
Com a entrega do Doutoramento Honoris
Causa a Elisa Pinheiro é reconhecido o trabalho de uma das investigadoras mais
importantes no estudo do património industrial da Covilhã e principal obreira
do Museu de Lanifícios da UBI, que dirigiu até 2011. Para o reitor da UBI,
António Fidalgo, a distinção vai além do que fez na instituição.
?A professora Elisa Pinheiro é
fundamental não só para a UBI, mas também para toda a memória da Covilhã. Tudo
o que é o património industrial da cidade, que neste momento se concretiza no
Museu de Lanifícios, tem uma figura que é a professora Elisa Pinheiro?.
Quem também ajudou a construir a
história da UBI foi Ryszard Kowalczyk, docente ao longo de 19 anos, na área da
Engenharia Civil. Em 1992, foi um dos vários professores que vieram da Polónia
para a instituição, onde desempenhou ainda os cargos de diretor de curso e
presidente do Departamento de Engenharia Civil. Deixou a UBI em 2009, para
voltar para a Polónia.
?É uma figura de renome
internacional?, descreve António Fidalgo. O reitor lembra que Ryszard Kowalczyk
já recebeu outros doutoramentos Honoris Causa, algo que ?deixa feliz a UBI?,
salienta, uma vez que ?é um elemento que faz parte da história da
Universidade?.
A homenagem ao poeta António Salvado,
natural de Castelo Branco, representa a ligação da UBI à região, destacando
quem mais se notabiliza.
?Nós reconhecemos o mérito. António
Salvado é uma figura cimeira da cultura e da poesia portuguesa. É da região e,
portanto, a UBI honra-se a si mesma quando o distingue com a maior honra que a
universidade pode dar?, explica ainda António Fidalgo.
A concessão do grau de Doutor Honoris
Causa destina-se a homenagear personalidades eminentes, nacionais ou
estrangeiras, de reconhecido mérito nos domínios do ensino, da ciência, da
cultura, da arte e das atividades sociais, que tenham contribuído para o engrandecimento
de Portugal ou da Universidade. Até hoje, a UBI já atribuiu 15 destas
distinções.
Os
homenageados
Elisa Pinheiro
Elisa da Conceição Silveira Calado
Correia Pinheiro nasceu no Tortosendo, vila do concelho da Covilhã, e é
licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Atualmente aposentada, foi docente da
UBI entre 1987 e 2011, nos departamentos de Engenharia Civil, Sociologia e
Letras da Universidade da Beira Interior. É sobretudo reconhecida pelo trabalho
desempenhado na institucionalização e direção do Museu de Lanifícios da UBI.
Começou por ser responsável pela musealização da área das tinturarias da Real
Fábrica de Panos (Polo I) e pela criação do primeiro núcleo do Museu, entre
1978 e 1992. Acompanhou ainda intervenções de reconhecimento e valorização
patrimonial de imóveis como a Capela de São Martinho, Convento de Santo
António, Real Fábrica de Panos e a Fábrica do Rato.
É atualmente Provedora do Munícipe do
Concelho da Covilhã.
Ryszard
Kowalczyk
Ryszard Kowalczyk nasceu em Deblin, na
Polónia. Fez toda a sua formação académica na área da Engenharia Civil na
Universidade de Tecnologia de Varsóvia.
O docente e investigador começou a
carreira profissional em 1952, tendo chegado à UBI em 1992, onde foi professor,
mais tarde responsável pelo curso de Engenharia civil e Departamento de
Engenharia civil. Ao mesmo tempo, produziu investigação na área das estruturas
inteligentes, edifícios em altura e betão. Atualmente é docente do Departamento
de Arquitetura e Engenharia Civil, na universidade situada em Warszawa, na
Polónia.
António
Salvado
António Forte Salvado nasceu em
Castelo Branco. Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, com uma dissertação final sobre Frei Agostinho da Cruz,
em 1959. Exerceu depois a docência em Lisboa, Luanda e Castelo Branco.
Tinha 15 anos quando publicou ?Poemas
de Alma? e não mais parou, centrando a sua obra em temas do quotidiano beirão
(as quadras festivas, o Natal, o Carnaval, ou a Páscoa) ou de abrangência
universal como a luz, a noite e o dia, o amor, a natureza, o silêncio, a
palavra, a alma, a amizade e o amor.
António Salvado editou ainda uma série
de antologias, com elas desempenhando um papel relevante na consolidação e
difusão do cânone literário português.
Por tudo o que desenvolveu no campo
cultural, a presidência da República Portuguesa concedeu-lhe a Ordem de
Santiago da Espada, em 2010, e o Governo português a Medalha de Mérito
cultural.