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[Museum] ANTROPOLOGIA: TEMPOS DE MUDANÇA (conceptual e metodológica)

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] ANTROPOLOGIA: TEMPOS DE MUDANÇA (conceptual e metodológica)
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 5 Dec 2016 23:27:30 -0000

www.youtube.com/watch?v=U1z9B9FQAuE

Conferência “O Corpo em Mutação”, por Pedro Manuel-Cardoso, em 3Dez2016 14h30, na Fundação Engenheiro António de Almeida (rua de tenente Valadim, 325, Casa-Jardim, Porto), organizada pela Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE).

Excerto da Conferência:

(….)

1. Doravante a ANTROPOLOGIA talvez deva «analisar todos esses Corpos que o Ser-Humano habitou e usou na Filogenia no seu Conjunto», e comparar e classificar as suas características a partir «daquilo que os impele a todos de dentro», e não através da Adaptação (darwinista; epigenética; ou «gene-cultura») como tem sido feito até agora. Não deve cair nesse erro, de tomar as «tácticas» conjunturais de sobrevivência pela «estratégia». Não deve escolher a Adaptação em detrimento da Transformação. Razão pela qual, às variáveis da teoria darwinista e epigenética da evolução (“variação – adaptação – seleção”) proponho que se acrescente uma quarta, a Transformação. Porque é isso que os dados da observação empírica e do raciocínio analítico exigem.

2. A «Estratégia» - aquilo que impele o Ser-Humano de dentro - é a TRANSFORMAÇÃO. É a procura da substância ou da casa (corpo) que «SUBSISTIRÁ A TODAS AS OUTRAS». Aquela que não «morrerá» por causa das outras (seja infinitamente pequena ou grande, tenha muita ou pouca energia), logo, uma casa (corpo) que não necessitará de «renascer» ou de «reincarnar» outra vez.

3. O Ser-Humano é impelido de dentro nessa busca. Razão pela qual, de fora, o vemos num comportamento transformativo, tumultuoso e intempestivo, face a tudo que o rodeia. Misturando e re-misturando todas as substâncias e tipos de matéria (físicas, químicas, biológicas, sociais, culturais) de que cada Contexto e Ecologia são feitos. Um autêntico e frenético vai-e-vem de re-materializações, re-substanciações, e re-misturações. Etnograficamente, essa é a condição humana mais evidente. A que mais releva na observação empírica por quem se dedica à Antropologia. A que especifica mais o Ser-Humano nas suas experiências sensoriais e existenciais concretas.

4. Esta Conferência sugere à Investigação que procure ONDE ESTÁ em cada casa incompleta e não-definitiva (chame-se-lhe: objeto, corpo, artefacto, casa, sociedade, símbolo) «A MARCA DESSE DESEJO DA «CASA FINAL» OU DO «CORPO FINAL». Porque é nela que está O CORPO-DO-SER-HUMANO, e, consequentemente, O OBJETO-DA-ANTROPOLOGIA.

5. É esta mudança-de-caminho (Metodologia) que propomos nesta Conferência (que designámos por: «Sete Exigências Metodológicas para Re-iniciar a Antropologia»). Porque só desse modo conseguirá construir as ferramentas analíticas necessárias ao estudo do Ser-Humano. Foi isso que nos permitiu discernir a «Estrutura da Relevância codificada no cérebro», a classificação dos «9 Grandes Tipos de Comportamento Humano», e a «Matriz do Agir Humano» com a formulação da respetiva «Equação» [Ge.(Mo.Fi.Ag.Il.Mi.Al.Lu.Pa.)/Ep.Tp.], e outros resultados que estão no desdobrável e no PowerPoint.

6. Os avanços e mutações no Saber Antropológico conduzem-nos a um novo tempo e a um novo paradigma do Conhecimento. Em que a palavra Ser-Humano deixa de ser um substantivo e passa a ser um adjectivo… de algo - um fenómeno - que desconhecemos ainda mais do que julgávamos.

7. O Corpo-Humano que atualmente nos serve de Suporte, e que desde sempre constituiu o objeto da Biologia, já não nos serve de referência para conseguirmos responder à pergunta de Kant fundadora da Antropologia: “O que é o Ser-Humano?”. Renovada hoje pela pergunta de Kantor e de Wheeler: “Viemos da Coisa ou da Informação?”.

8. O Ser-Humano, enquanto objeto da Antropologia, passa a ser concebido como um fenómeno que germina tanto nos outros «Seres ditos Vivos» como nos «Objetos ditos inertes». Provavelmente a uma Escala diferente, com um Corpo diferente daquele a que hoje chamamos Corpo-Humano.

9. É um novo ponto-de-partida. Que exige (tanto à Ciência como à Consciência-de-Nós) sermos capazes de mudar a anterior visão-do-mundo e o atual conceito de Corpo.

10. Há ainda uma conclusão final. Mas essa é uma CONCLUSÃO IMPRONUNCIÁVEL. Não se pode dizer. Apenas se pode ler ou ver. É do foro das condições epistemológicas inerentes ao próprio processo de Conhecimento. EXIGE UMA TRANSFORMAÇÃO naquilo que hoje designamos por Ser-Humano. Está escrita nas Notas e no slide n.º 51 da projeção em PowerPoint.

Muito Obrigado. (….) (Pedro Manuel-Cardoso, 03/12/2016, SPAE – Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia/ Fundação Engenheiro António de Almeida, Porto).

 

 


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