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[Museum] NÃO É O MUNDO (Atualizado, com as duas respostas solicitadas pela pergunta de um Colega)

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] NÃO É O MUNDO (Atualizado, com as duas respostas solicitadas pela pergunta de um Colega)
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 12 Dec 2016 12:33:21 -0000

            Não é o Mundo… É apenas mais uma Interpretação. Apenas mais uma Ficção, que modifica a anterior.

            Algumas reações foram violentas. A propósito da mensagem n.º 16287 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16287.html) que enviei.

            Na Lista Museum é-nos dada coletivamente a oportunidade de debater aquilo que seja útil para a compreensão e gestão do Património e dos Museus. É essa regra que cumpro escrupulosamente. Desse modo a resposta possível, aqui, é aquela que tenha por objetivo incentivar esse Debate.

Quando, em 2012, formulei a nova teoria da evolução humana (é disso efetivamente que se trata) decidi esperar por uma oportunidade e um local credível para a apresentar. Essa oportunidade surgiu, no início de 2016, através do Convite da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE). Foi nesse contexto que decidi apresentar aquela mudança na teoria da evolução de Darwin/Wallace apresentada em 1julho1858 na Sociedade Lineana de Londres, juntamente com a nova orientação Metodológica que propus.

           Foi com muito cuidado e prudência. Razão pela qual disponibilizei ao público as Notas (169 páginas, em letra 10 word) e o PowerPoint (51 slides).

           Nas reações mais violentas é importante verificar, do ponto de vista científico, de onde surgem as principais resistências. Elas foram essencialmente duas. Por um lado, os darwinistas (naturalistas, bio-antropológicos, sociobiológicos, ecologistas, filogenéticos, epigenéticos, teorias «gene-cultura», etc., isto é, todos os que adoptaram a Adaptação como mecanismo explicativo do objeto-da-Antropologia, ou Ser-Humano). Por outro lado, uma parte das Igrejas institucionais (que é um domínio completamente diferente do da Religiosidade humana). Porque para os mais apressados terei profanado a «ressurreição». Já tive esse sinal, da parte de alguns de uma Diocese; enquanto outros, na mesma Igreja, e exatamente ao contrário, se regozijam por o Ser-Humano não depender das «Mutações do Corpo», tal como está escrito na palestra de Paulo aos Coríntios, embora isso coloque em causa o pecado decretado oficialmente em 2008 pela Santa Sé, de que a “mutação genética é um pecado capital”.

            Portanto, foi necessário muita prudência e serenidade.

            As repercussões são várias.

            Na ARQUEOLOGIA altera o modelo vigente sobre a explicação da passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico, mostrando uma adequação muito melhor aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016 na mesma Conferência da SPAE sobre "O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de Foz Côa". O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais perdem algum folego face às capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas. Porque a Transformação realizada pelas populações e grupos humanos na Ecologia/Ambiente/Contexto (a tal 4.ª Variável) processa-se através de «Níveis e Graus de Complexidade» que são comuns ao fenómeno que se designa por «Ser-Humano», logo, independentemente da Adaptação, da descontinuidade geográfica, ou dos contactos/empréstimos/miscigenações.

            Na PALEONTOLOGIA, as passagens e cruzamentos entre as diferentes espécies (corpos) de Homo (H. erectus, H. habilis, H. Neandertal, H. sapiens) ficam melhor explicadas. A «genética das populações» e o «pool genético» não chega para explicar as transformações e as adaptações. Por causa da mesma razão derivada do efeito do processamento provocado pela 4.ª Variável (Transformação).

            Na SOCIOLOGIA e na HISTÓRIA questiona as explicações baseadas no Relativismo Cultural, de que é a lógica exterior de cada época/contexto que explica o Ser-Humano. Desaparecem as tautologias vigentes, por exemplo, que o Psicológico se explica pelo «comportamento», a Sociedade pelo «social», e a Cultura pelo «cultural».

            Na ETNOGRAFIA, sobretudo na Etnografia dos Factos Sociais e Culturais Contemporâneos (após o cérebro e a cognição terem ampliado os 1395cc com implantes e máquinas), essa adequação aos dados empíricos ainda é maior.

No PATRIMÓNIO, porque interfere com a substância daquilo que é a Relevância e, consequentemente, na Patrimologia (também designada por «Museologia»). Uma das repercussões mais interessantes é a de proporcionar a construção de uma Relevância (um Património, um Museu) que permita construir uma nova Identidade capaz de resolver os problemas de perda de Identidade derivados da hibridação, multiculturalismo, mestiçagem, transnacionalismo, luta de género, etc. No projeto da Casa da Cultura do Olimpismo que me pediram para coordenar isso é feito através de uma metodologia e de uma concepção baseada no mecanismo antropológico do Jogo.

Na ARTE, volta a reacender o debate que parecia resolvido no seio da História e Filosofia da Arte. Entre, por um lado, os que defendem que deve ser explicada pela “forma estética” (C. Bell), pela “expressão e sentimento estético” (R.G. Collingwood), ou pela “essência ou estrutura do invisível estético-artístico” (Nietzsche, Adorno, Heidegger, W. Benjamin, M. Mandelbaum, J. Lichtenstein). Por outro lado, os que, ao contrário dos primeiros, recusam as definições baseadas na “essência”, no “impulso estético”, ou em “propriedades universais do estético, do belo, ou do sublime”, e adoptam, ou o conceito de “semelhanças de família” (Wittgenstein, Weitz), ou os conceitos de “mundos-da-arte” e “contextos institucionais” (Beardsley, Dickie, Danto, Stolnitz, Goodman), explicando-a na atualidade por «um jogo de comunicação entre o autor e o recetor, e entre a coisa e a sociedade». E ainda, num terceiro vértice do debate, pelos que explicam a Arte através da “utilidade e função” (Tolstoi), conduzindo-a a uma prática de «transgressão sistemática das normas da Tradição ou do status quo», ou, em que a originalidade da obra-de-arte «deve ser medida pelo grau de indignação causada no recetor/consumidor/destinatário», incluindo aí, portanto, os óculos não-expostos em 2016 por Kevin Nguyen no Museu de Arte Moderna de São Francisco (EUA).

            E outras repercussões, na Filosofia e na Matemática, que não há tempo de agora referir (ver por exemplo a mensagem n.º 14700 que enviei em 20dez2015).

Por detrás de todas estas repercussões está a mudança na Teoria da Evolução (dita «teoria neo-darwiniana» e/ou «epigenética gene-cultura») que propus. É apenas uma mudança de Interpretação ou, melhor dito, de Ficção. Outras virão.

Não se trata de dogmas ou convicções a priori. Trata-se da fragilidade e da efemeridade de argumentos, de verificações, de demonstrações empíricas, e de raciocínios analíticos.

O tempo ajuizará o valor do contributo. Até lá, talvez fique apenas aquilo que escrevi na Epígrafe da Conferência do dia 3dez2016 na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia:

 

 

1.“No início, uma nova teoria é atacada porque é absurda; depois, admite-se que é verdadeira, mas óbvia e insignificante; finalmente, é considerada tão importante que os seus adversários reclamam que foram eles próprios que a descobriram.” (William James, 1907, “A Pragmática da Verdade”) 2.

 

2.“Alguns dos meus críticos, dizem : «É um bom observador, mas não consegue raciocinar». Duvido, na medida em que a «Origem das Espécies» não é senão uma longa argumentação do princípio ao fim, e conseguiu convencer mais do que uma pessoa competente.” (Charles Darwin, 1887, Autobiographie)1.

 

3.“A manipulação genética é pecado” (Santa Sé, Vaticano, 2008) 62

 

4.“Agora, para o melhor ou o pior, vivemos todos no mundo CRISPR*” (Science, 2015) 3

[* CRISPR-Cas9 é o acrónimo de Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats / Repetições Palindrómicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas), uma ferramenta molecular criada em 2012 que permite cortar e colar partes do genoma (ADN) de qualquer célula. Em 2015 foi considerada pela revista Science a principal descoberta científica do ano. Em 14 de setembro de 2016 foi tornada mais eficaz com a variante iCas]

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


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