Sobre a mensagem “Pós-Antropologia? Que acontecerá ao Património?” fomos interpelados por três «comunidades» que perseguem aparentemente finalidades diferentes (CulturalAnthropology1, Med Anthro Theory2; e Take A Part3)
Pretendiam saber porque tínhamos substituído a coisa4 «Ser-Humano» pela coisa4 «um fenómeno desconhecido que, antropocentricamente, começámos por chamar Ser-Humano».
Respondemos que, de facto, na nossa opinião, trata-se da presunção e da sobranceria de pretendermos fazer equivaler Juízo a Evidência, provocando um erro no objeto-que-se-pretende estudar/compreender. Demonstrámo-lo em 3dez2016 (www.youtube.com/watch?v=U1z9B9FQAuE). E que aqueles que apressadamente acusaram Descartes de “erro” (e são muitos) equivocaram-se. Equivocaram-se também porque, com a cegueira tecnológica (acompanhada da tal sobranceria contemporânea), menosprezaram os dados da Etnografia das Sociedades Humanas desde o início do processo de hominização até à atualidade. Dados e resultados que foram postos nos arquivos, bibliotecas, e museus como se fossem algo do Passado que estaria ultrapassado. Respondemos que aquilo que estamos a fazer Hoje, em termos científicos e de investigação, é como apanhar novamente o Beagle – novamente com a mesma curiosidade e com o mesmo impulso incontrolável. Mas agora, para percorrer a viagem humana de transformação do próprio corpo até alcançar a matéria indivisível/indecomponível que lhe permita habitar uma casa que subsista a todas as vicissitudes da Adaptação. Esse desejo incontrolável a que Aristóteles chamou de “Teleonomia”, Kant de “Finalidade», o Evolucionismo darwinista de “Evolução”, Bateson de “Neguentropia”, e a atual definição da química e da biologia chamou “Auto-organização e Auto-catálise”, etc. Ao olharmos para trás, percebermos que esse percurso deixou uma marca perene. Investigada por muito poucxs. É desse Fenómeno que se trata. Foi sempre Ele - desde as Sociedades ditas Primitivas, passando pelos Pré-Socráticos, por Aristóteles, Kant ou Heidegger, até à atual definição de Vida usada hoje pela química e pela biologia/antropologia. Não nos iludamos. Continua a ser esse o objeto-de-estudo/compreensão. Sobretudo, depois de percebermos o quanto estamos separados dos «Corpos» (também designados por: suportes; casas; habitáculos; membranas; infraestruturas) com a robótica e a inteligência artificial. Evidentemente que esta realidade provoca mudanças. Por exemplo, no modo de sermos «Comunidade», naquilo que consideramos que a Arte é, no conceito de Ser-Humano, na escolha e classificação daquilo que é Património, e assim por diante. Razão pela qual as perguntas vieram aparentemente de sítios diferentes. A conclusão que parece razoável, talvez seja, dizermos que o Dever de Inventário que o Património permite é, sejam quais forem as diferenças de opinião, um benefício que justifica plenamente os recursos e o árduo trabalho que lhe dedicamos. Pedro Manuel-Cardoso |
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