Ontem e hoje Conimbriga tem sido amplamente difundida nos meios de comunicação social em torno da notícia que dá como certa a sua requalificação como “Museu Nacional”. Bom, apenas quem nada entenda sobre Conimbriga e que a veja como uma marca sem que dela tenha afetividade poderá fazer grande alarido em torno deste episódio. Para mim dizer-se que Conimbriga terá, de novo, um estatuto nacional é como ouvir dizer que o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de futebol do mundo. Não é novidade ainda que nos atulhe de orgulho. A notícia deveria ter sido encarada não com regozijo e teatralidade, mas com aspereza no olhar pela dilação.
Conimbriga não é uma meretriz com quem se vai ao baile. Conimbriga é uma donzela de fina casta que vale todo o apreço. Assim como todos os que a ela entregaram e entregam o seu amor. Não um amor furtuito de interesses indefinidos, mas um amor leal de paixão e de comprometimento.
Assim, quando encherem a boca para falar de Conimbriga, tenham ao menos a delicadeza de saber de quem estão a falar. Tenham ao menos a sensatez de saber o seu verdadeiro valor. Tenham ao menos um pouco de respeito pela instituição e pelos que nela trabalham. Não de ontem, mas de há muitos anos. Conimbriga é de todos e para todos, mas saibam-na respeitar, por favor.
Humberto Rendeiro
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