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[Museum] Um Grande Problema... Um crânio humano com 400 mil anos em Portugal.

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Um Grande Problema... Um crânio humano com 400 mil anos em Portugal.
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 13 Mar 2017 22:00:07 -0000

 

A descoberta de um crânio humano fossilizado com cerca de 400 mil anos na gruta da Aroeira em Portugal pela Equipa de João Zilhão (salvo erro em 2015) foi agora notícia.

É um momento de justificado regozijo, que merece elogio.

Uma descoberta que coloca uma questão relevante à Antropologia e à Arqueologia. Porque questiona as inúmeras explicações do legado humano com base no difusionismo e nos contactos e miscigenações culturais.

Este fóssil humano datado de cerca de 400 mil anos, portanto (se não foi plantado por alguém mais recente), não chegou a Portugal por uma qualquer migração anterior a essa data. Mostra que houve Adaptação e Transformação (biológica, social, e cultural) da Ecologia por efeito de uma capacidade autóctone. Isto é, não veio tudo, nem se explica tudo, pelos empréstimos e contactos vindos da atual Mongólia, Ásia do Norte, Grécia, Itália, França, ou Alemanha, e assim sucessivamente, como vem escrito nessas inúmeras explicações sobre a história da Humanidade neste extremo Ocidental a que hoje chamamos «Portugal».

Talvez se compreenda melhor, agora, a obsessão por essa misteriosa substância (que não se reduzia à mistura nem à miscigenação) a que Leite Vasconcelos se dedicou a vida inteira.

Paradoxalmente, é a descoberta desse fóssil humano que vem agora (em parte) contradizer o tipo de explicação usado pelo próprio responsável pela Equipa que fez a descoberta.

Ora estes dados voltam a confirmar, e a dar credibilidade empírica, à tese que formulámos em 2012, relativa à nova teoria da evolução humana. Que apresentámos na Conferência de 3dez2016 na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. E que referimos nas mensagens n.º 16295 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16295.html) e n.º 16287 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16287.html).

Nessa altura, em Dezembro2016, chamámos a atenção para as consequências que teria na Arqueologia, do seguinte modo:

 

 

“Na ARQUEOLOGIA altera o modelo vigente sobre a explicação da passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico, mostrando uma adequação muito melhor aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016 na mesma Conferência da SPAE sobre "O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de Foz Côa". O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais perdem algum folego face às capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas.”

 

 

Pedro Manuel-Cardoso


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