A descoberta de um crânio humano fossilizado com cerca de 400 mil anos na gruta da Aroeira em Portugal pela Equipa de João Zilhão (salvo erro em 2015) foi agora notícia. É um momento de justificado regozijo, que merece elogio. Uma descoberta que coloca uma questão relevante à Antropologia e à Arqueologia. Porque questiona as inúmeras explicações do legado humano com base no difusionismo e nos contactos e miscigenações culturais. Este fóssil humano datado de cerca de 400 mil anos, portanto (se não foi plantado por alguém mais recente), não chegou a Portugal por uma qualquer migração anterior a essa data. Mostra que houve Adaptação e Transformação (biológica, social, e cultural) da Ecologia por efeito de uma capacidade autóctone. Isto é, não veio tudo, nem se explica tudo, pelos empréstimos e contactos vindos da atual Mongólia, Ásia do Norte, Grécia, Itália, França, ou Alemanha, e assim sucessivamente, como vem escrito nessas inúmeras explicações sobre a história da Humanidade neste extremo Ocidental a que hoje chamamos «Portugal». Talvez se compreenda melhor, agora, a obsessão por essa misteriosa substância (que não se reduzia à mistura nem à miscigenação) a que Leite Vasconcelos se dedicou a vida inteira. Paradoxalmente, é a descoberta desse fóssil humano que vem agora (em parte) contradizer o tipo de explicação usado pelo próprio responsável pela Equipa que fez a descoberta. Ora estes dados voltam a confirmar, e a dar credibilidade empírica, à tese que formulámos em 2012, relativa à nova teoria da evolução humana. Que apresentámos na Conferência de 3dez2016 na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. E que referimos nas mensagens n.º 16295 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16295.html) e n.º 16287 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16287.html). Nessa altura, em Dezembro2016, chamámos a atenção para as consequências que teria na Arqueologia, do seguinte modo:
Pedro Manuel-Cardoso |
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