LABORATÓRIO DE ANTROPOLOGIA E PATRIMOLOGIA: teoria e prática/ investigação e aplicação. Uma antiga aspiração. Que nasceu na investigação-de-campo em antropologia em 1982. E depois na “Castro Castrorum” (Castro Verde, Alentejo, Portugal) em 1984. Já lá vão mais de trinta anos. Em Portugal bem tentámos. Mas não houve apoio nem interesse efetivo. Agora foi possível concretizar o projeto em Londres (felizmente um «lugar não-UE»), com Colegxs de cinco nacionalidades, apoiado por duas universidades e uma empresa privada. Em breve haverá mais notícias. Trata-se de um espaço laboratorial (tal como existem nas ciências ditas «naturais e físicas»). Uma Oficina-de-Trabalho onde se manipulam e experimentam objetos e conceitos através de procedimentos manuais e quânticos/digitais, com o objetivo de alcançar resultados de compreensão aplicáveis à transformação e melhoria Daquilo Que Existe no domínio do Património e da Antropologia. Expressos em modelos, protótipos, e patentes. Trata-se de juntar a Patrimologia e a Antropologia no esforço cooperativo de Patrimonizar «os novos objetos», «as novas coleções», «os novos modos de fazer a expografia», através da criação de ferramentas práticas e teóricas que permitam sustentar uma prática sistemática e continuada. Enfim, o esforço para que as novas Relevâncias [IA, robótica, avatares, personagens das Segundas-Vidas, realidades-entre-Escalas (aumentadas e diminuídas, 10-n/10n), códigos algorítmicos e logarítmicos, bio-nanotecnologia, novos organismos biológicos criados e modificados em laboratório pela manipulação do ADN, novos objetos e matérias artificiais criados pela física, etc.] façam parte da Memória e da Compreensão dos presentes e vindouros. Trata-se de um espaço adequado para sedear esse trabalho e esses resultados. Que permita um trabalho in situ e à distância (a partir de qualquer sítio/lugar através da Internet/WWW). Tornando-o acedível à visão de visitantes reais, de investigadores, de empresas, de universidades/escolas, e de responsáveis pela gestão do património. PORQUÊ? Porque a consciência e a compreensão do mundo são também um objeto. Um objeto que difere consoante as épocas e as conjunturas. Porém, é sempre desse sítio que se define «o que é o Passado», «o que é o Presente», e se projeta «aquilo que será Futuro». Porque é daí, dessa coetaneidade e desse lugar, que nasce o valor patrimonial dos objetos e coleções sujeitas a patrimonização. Porque hoje o contexto é de acelerada Mudança material e ideológica, sendo imprescindível uma Oficina de Trabalho que contribua para uma correta Gestão do Património. MAS ESTE DESFECHO PERMITE CONSTATAR UM OUTRO FACTO Que o projeto político designado por “União Europeia” foi um crime contra a Europa. Ao fim de trinta anos, só não percebem os que se habituaram a viver dessas malfadadas avenças, ou acreditaram ingenuamente nessa ilusão mesmo sabendo dos fracassos anteriores (que são anteriores, como a História nos ensina, a Napoleão, Bismark, Hitler, e outros). Esse insano projeto político está a estragar a Diversidade e a Criatividade das nações europeias, através de uma imposição normalizadora de leis e instituições sem nexo nem sentido. À revelia do que a Europa efetivamente é, e tinha sido. Não conseguiu (nem nunca conseguirá) integrar as diferenças de Identidade existentes, as quais são o património da sua riqueza cultural. Pelo contrário, ao fim de trinta anos, constata-se que essa ganância política atiçou os povos uns contra os outros, e as diferenças umas contra as outras. Um resultado triste, ao fim de tantos anos de burocracia e de milhares de leis inócuas. Hoje, os que ganham numericamente em votos têm mais de 30% ou 40% de Pessoas que não querem a “União Europeia”, e quase 50% que nem sequer vai votar. Coisa impensável há 20 anos, e que se acentua de eleição em eleição. É um fracasso evidente. Transformou a maioria do território num lugar ausente de inovação e de perpetração da mudança, que espera sempre um “subsídio” ou um “fundo comunitário” para resolver o que quer que seja. Só que a caixa do dinheiro está em Frankfurt, guardada pretorianamente pelos ideólogos-chefes da “União”. A “União Europeia” é na Política, hoje, o mesmo que o Acordo Ortográfico é para a dinâmica da Língua Portuguesa. De facto, as coisas interessantes estão a acontecer fora da famigerada “União Europeia”, inclusive dentro de países europeus que estão a salvo dessa normalização saxónica. E ainda bem. Porque este gradual EXIT joga a favor daquilo que verdadeiramente especifica a Humanidade e as Pessoas. Pedro Manuel-Cardoso |
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