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Caros colegas e amigos,
O Teatro Municipal Maria Matos foi o vencedor da primeira edição do Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples. O texto premiado foi o da folha de sala do espectáculo “A Caminhada dos Elefantes”, de Inês Barahona e Miguel Fragata. Houve também uma menção honrosa para o Museu de Évora e o texto “Megalitismo em Évora”, que faz parte da exposição permanente do museu.
Cláudia Camacho, membro do júri, citou Charlie Chaplin: “O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é - ou deveria ser - a mais elevada forma de arte.”
E precisamente esta forma de arte que a Acesso Cultura procura apoiar, promovendo a reflexão, motivando e dando ferramentas aos profissionais do sector cultural para, com coragem e humildade, vencerem a barreira da linguagem e tornarem os seus conteúdos mais acessíveis para mais pessoas.
Nesta primeira edição, o prémio foi dado ao Teatro Maria Matos (Lisboa) pelo texto da folha de sala do espectáculo “A Caminha dos Elefantes”, de Inês Barahona e Miguel Fragata. Sandra Fisher-Martins, membro do júri, diz que o Teatro Maria Matos usou com eficácia os truques do arsenal da clareza:
- linguagem simples mas rica, adequada ao público-alvo
- informação completa, atenta às necessidades do leitor
- títulos informativos e tipografia que diferencia os vários tipos de informação
- design convidativo, com muito espaço em branco.
E acrescenta: “Uma avaliação apressada poderia levar-nos a crer que é fácil usar este arsenal ao escrever para crianças. Bastaria ‘nivelar por baixo’. Mas quem já experimentou escrever para este público sabe que não é assim. Pelo contrário, há pelo menos duas dificuldades adicionais:
- A tentação do paternalismo é forte. Para lhe resistir, é preciso não esquecer que a suposta ingenuidade infantil é muito exigente quanto à verdade e ao rigor dos conteúdos.
- A simplicidade é uma coisa complicada. Aos 15 anos, Picasso já pintava com o perfeito domínio técnico das academias. Na velhice, confessou que tinha demorado a vida inteira a aprender a pintar como as crianças. No mundo superformatado em que nos movemos, a simplicidade sem concessões requer um grande esforço de reconstrução.” (ver texto na íntegra em baixo)
Houve também uma menção honrosa para o texto “Megalitismo em Évora”, que se encontra na exposição permanente do Museu de Évora. Diz Cláudia Camacho, membro do júri:
“O Museu de Évora apresentou três textos de uma simplicidade esmagadora. Passado algum tempo, após as votações das juradas, ainda parece ser incompreensível entender como é que uma abordagem à temática megalítica pode ter sido, num conjunto vasto de textos, um dos que mais nos seduziu. Já alguém dizia que ‘a simplicidade é o último resultado da experiência, a derradeira força do génio’. E os textos apresentados pelo Museu de Évora vieram provar que a destreza da escrita só pode estar intimamente ligada ao conhecimento profundo e fundamentado e, formalmente, afastado da eloquência sem sentido. O texto envolvente, a escrita simples, a explicação exacta de certa terminologia, a linguagem inclusiva, a cadência frásica e o tamanho adequado fazem deste texto um exemplo a seguir.”
O Prémio Acesso Cultura – Linguagem Simples é um prémio de reconhecimento que procura criar uma motivação adicional para estudar, implementar e dar a conhecer as boas práticas no uso da linguagem simples. Nesta primeira edição, foram recebidas 19 candidaturas de 7 entidades diferentes (cada entidade ou indivíduo poderia apresentar até 3 textos):
Aquário Vasco da Gama
Maria Matos Teatro Municipal
Município de Oliveira de Azeméis
Município de Vila Franca de Xira
Museu da Baleia
Museu de Évora
Parques de Sintra Monte de Lua
Os membros do júri que apreciou as candidaturas são:
Cláudia Camacho, curadora
Rita Caré, bióloga / comunicação de ciência
Sandra Fisher-Martins, directora da Claro
Desde a sua fundação, a Acesso Cultura tem procurado promover a reflexão e as boas práticas na comunicação escrita, tanto no que diz respeito à relevância da informação para os destinatários finais, como no que diz respeito ao uso de linguagem simples, acessível. A Acesso Cultura pretende manter a reflexão viva, sempre presente, incentivar e ajudar na passagem da teoria para a prática, sendo esta uma forma de contribuir para o acesso à cultura.
Este prémio vem complementar o esforço para a promoção da reflexão e as boas práticas na comunicação escrita que tem sido desenvolvido através do curso de formação “Comunicação Acessível: design de comunicação e linguagem simples” (que teve até agora cerca de 15 edições, sempre esgotadas, em diferentes pontos do país), assim como através de debates e conferências e da partilha de notícias sobre estes temas.
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