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As redes regionais aqui mencionadas são efectivamente exemplos de boa governança.
São modelos horizontais de gestão do território que implicam as pessoas, as comunidades e os seus representantes nas decisões sobre processos de musealizacao e patrimonializacao. São estruturas de terreno mais ágeis que no seu processo
de acção-negociação exercem uma pedagogia de cidadania pelo património, fundamental para a sua sustentabilidade e continuidade.
As redes locais de museus e património , estamos de acordo, são hoje em Portugal, nesta frágil e fragmentada política cultural, o elo mais forte exactamente por serem estruturas ágeis, actuarem numa escala de proximidade com envolvimento
directo das pessoas e dos diversos agentes na comunidade.
As redes locais vão-se estruturando de baixo para cima e esse tempo de crescimento é um tempo qualitativamente diferenciador porque representa um tempo de aprendizagem , discussão e negociação que alicerça as decisões e reforça
a redes enquanto comunidades de interesse e instrumentos de governança cultural numa perspectiva transversal, plural e integrada de património.
Esta forma de " governança " do património deveria ( poderia ) alavancar uma discussão sobre políticas públicas da cultura e património a partir de unidades sustentáveis ancoradas no terreno mas, no meu entender, não dispensa uma
discussão sobre o rumo da RPM e o compromisso politico do governo no que toca ao património e aos Museus.
Sabemos que as redes locais de museus e património têm fortes aliados nas autarquias locais ( câmaras municipais e Juntas de freguesia ) que se constituem em muitos casos como parceiros activos.
O papel da RPM poderia , nesta fase, ser muito importante se tivesse caminhado a par destas dinâmicas com responsabilidade política e independência que se espera de uma política pública da cultura num estado democrático.
O capital de conhecimento gerado por todos estes processos formais e informais terá que ser a base para seguir em frente. Não se pode estar sempre a começar do princípio e chamar a isso inovação.
Saudações museologicas
Um enorme abraço
Isabel Victor
Enviado do meu iPhone Dois colegas (Pedro Cardoso e Isabel Vitor) abordaram neste fim de semana chuvoso as questões da "moribunda" rede portuguesa de museus, e da "política" publica para os museus em Portugal. Sobre a Rede evocaram-se o lastro histórico, o longo caminho para a sua institucionalização (poderemos situar a sua génese nos anos 90 do século passado, com a formação Rede de Projeto em 2000, com a sua cristalização na Lei de Base dos Museus Portugueses em 2004) e a sua rápida dissolução a partir da crise de 2008/2009. Sobre a Politica pública para os museus, evocam-se igualmente dois argumentos de relevância. Um, sobre a estratégia de afirmação (uma política publica com base nas unidades territoriais), seguindo de perto as políticas de promoção da leitura de teatro e arquivos. Outro sobre a adequabilidade das funções e ações publicas sobre o património e sobre os museus, refletindo sobre sua relevância para a transmissibilidade para as gerações futuras. É certo que a rede, foi no seu tempo uma iniciativa inovadora. Teve grandes méritos e também alguns defeitos. foi uma importantes instrumento da administração publica na qualificação, formação e informação. Desde 2001 foi implementada e teve uma especial relevância para a consciência da diversidade museológica portuguesa. Teve também uma importes influência em outros sistemas museológicos, sobretudo no Brasil. Há algumas críticas sobre a sua burocratização a partir de 2006, do carácter fechado e seletivo das suas ações de formação, duma visão algo elitista e hierárquica pouco ajustada à ideia de rede. Em síntese se na sua formulação foi inovadora, a sua ação, embora estimulante, ficou aquém do seu potencial. Uma questão que todos remetem para a formulação das políticas públicas a partir de 2011, que a tornou num objeto irrelevante. E os tempos que correm parecem não abrir perspectivas de alteração desse quadro. Não parecem existir condições para processo "pesados" conduzidos a partir do estado central. Não obstante, existem em alguns lugares, "vontades" de rede de museus. Na Região transfronteiriça a Rede Museion. A Rede de Museus Rurais do Sul, dinamizada a partir de Castro Verde, com encontros em Santiago do Cacém, Coruche e Mértola. A Rede de Museus do Algarve, e algumas outras em formas mais informais. Serão experiências a ter em conta para pensar o futuro. A discussão sobre as políticas públicas para os museus está também contaminada pela questão da "regionalização" ou "desconcentração administrativa" do estado, com a passagem de competências até aqui centrais, a serem delegada em entidades supramunicipais ou autarquias. Um discussão que está a fazer seu caminho. sobra a qual existem ainda algumas indefinições mas algumas certezas. De que as coisas irão mudar, e com isso o trabalho dos profissionais irá também ser alterado. Todos sabemos que em Portugal reagimos todos muito mal à mudança. As coisas vão mexer e nada será como antes. Para além da “estrutura do valor patrimonial” que levará certamente algum tempo a constituir-se como senso comum, haverá que discutir os caminhos que estão à nossa frente. E os sinais não são muito animadores. O Caso de Lisboa pode ser um bom exemplo para olharmos para o que ira suceder às políticas públicas para o património. Não sei se é do tempo chuvoso, mas o horizonte está cinzento e este rio Tejo plúmbeo. --
Pedro Pereira Leite
(Ph.D) MINOM Board _______________________________________________
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