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[Museum] Exposição: PÔR EM CÓDIGO?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Exposição: PÔR EM CÓDIGO?
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Thu, 22 Jun 2017 16:53:38 +0100

 

Nas mensagens n.º 17264 e 17265 de 11junho2017 referimos a importância de um trabalho de Gestão do Património relativo aos Novos Objetos que dominarão a Relevância (Património) neste século XXI. Concretamente os Objetos relativos às construções humanas de algoritmos e meta-dados, juntamente com aqueles Objetos que permitem o conhecimento da realidade molecular e bioquímica.

Porquê?

Porque o Conhecimento sofreu no início deste século XXI uma mudança profunda de perspetiva. Da convicção de que estávamos a «descrever a Realidade» (os factos e os fenómenos, em si mesmos, na sua materialidade/positividade) passou a perceber-se que estávamos, afinal, apenas, a «descrever o modo como a nossa cognição se estava a esforçar por compreendê-la».

Foi nesse sentido propus, em 2006, ao Museu Nacional de História Natural, a Exposição «POR EM CÓDIGO?» (ver Anexo à mensagem n.º 17264). Porque serviria para renovar a compreensão do Património, e tornar consciente essa mudança.

Entretanto, neste mês de junho de 2017, Roman Ikonicoff, Mathilde Fontez, Mathieu Grousson, Hervé Poirier, e Benoît Rey publicaram um trabalho a que deram o nome de: “Repenser le Monde: Les 7 Formules du XXIe Siècle”, S&V, 1197, jun2017, pp.47-66). E que ajuda a compreender o benefício a que me venho referindo com essa Exposição. Verificamos que a Realidade a que chamamos «Tempo», «Inteligência», «Vida», «Universo», «Abstração», «Simplicidade», ou «Matéria» já não se coadunam com uma descrição/narrativa tal como a fazíamos. De uma convicção ingénua e positivista dominada pela algoritmicidade passámos para uma descrição logarítmica. Tida como o esforço da nossa cognição para aceder à Realidade. Das Fórmulas de Pitágoras (a2 + b2 = c2), Newton (F = ma), Euler (ein + 1 = O), e Einstein (E = mc2) passámos a codificar a Realidade com base nas seguintes 7 Fórmulas e suas derivações:

 

Tempo

 

 

S = Kb log(W)

(L. Boltzmann, 1877)

 

 

Simplicidade

 

 

P = NP

(S. Cook, L. Levin, 1970)

 

 

Inteligência

 

 

P (A/B) = P(B/A) x P(A)/P(B)

(T. Bayes, 1760; P-S de Laplace, 1812)

 

 

Vida

 

 

N = R* x Fp x ne x Fl x Fi x Fc x L

(F. Drake, 1961)

 

 

Universo

 

 

ER = EPR

(L. Susskind, J. Martin, 2013)

 

 

Abstração

 

 

LgalÌLaut

(R. Langlands, 1967)

 

 

Matéria

 

 

L = -¼FμvFμv + iūDū + h.c. + ūiyijūjø + h.c. + |Dμø|2 - V(ø)

(Paul Dirac, 1928)

 

 

Esta mudança afeta inevitavelmente o conceito de Património, e a sua Gestão (sejam quais forem os objetos e coleções, e estejam sedeadas em museus, bibliotecas, arquivos, parques, sítios, imagens em movimento, ou em quaisquer outras infraestruturas patrimoniais).

As gerações mais novas procurarão, e sentir-se-ão cada vez mais atraídas, por esses Novos Objetos. Que farão parte do seu dia-a-dia, e terão influência no tipo de emprego e de rendimentos que obterão.

Razão pela qual, de facto, a mudança de «museologia» (ICOM) para Patrimologia (ICH) deveria ser um desígnio urgente para todos os atuais responsáveis pelo Património. Porque dela depende a sua sobrevivência futura enquanto Pessoas escolhidas para gerir o Património (o caso da ausência de arqueólogos na gestão do Coa, e outras escolhas atuais, estão aí a comprová-lo com toda a evidência).

Talvez a Responsabilidade do Estado pela Gestão do Património (sobretudo através da DGPC) devesse acautelar esta realidade patrimonial.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


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