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Nas mensagens n.º 17264 e 17265 de 11junho2017 referimos a importância de um trabalho de Gestão do Património relativo aos Novos Objetos que dominarão a Relevância (Património) neste século XXI. Concretamente os Objetos relativos às construções humanas de algoritmos e meta-dados, juntamente com aqueles Objetos que permitem o conhecimento da realidade molecular e bioquímica. Porquê? Porque o Conhecimento sofreu no início deste século XXI uma mudança profunda de perspetiva. Da convicção de que estávamos a «descrever a Realidade» (os factos e os fenómenos, em si mesmos, na sua materialidade/positividade) passou a perceber-se que estávamos, afinal, apenas, a «descrever o modo como a nossa cognição se estava a esforçar por compreendê-la». Foi nesse sentido propus, em 2006, ao Museu Nacional de História Natural, a Exposição «POR EM CÓDIGO?» (ver Anexo à mensagem n.º 17264). Porque serviria para renovar a compreensão do Património, e tornar consciente essa mudança. Entretanto, neste mês de junho de 2017, Roman Ikonicoff, Mathilde Fontez, Mathieu Grousson, Hervé Poirier, e Benoît Rey publicaram um trabalho a que deram o nome de: “Repenser le Monde: Les 7 Formules du XXIe Siècle”, S&V, 1197, jun2017, pp.47-66). E que ajuda a compreender o benefício a que me venho referindo com essa Exposição. Verificamos que a Realidade a que chamamos «Tempo», «Inteligência», «Vida», «Universo», «Abstração», «Simplicidade», ou «Matéria» já não se coadunam com uma descrição/narrativa tal como a fazíamos. De uma convicção ingénua e positivista dominada pela algoritmicidade passámos para uma descrição logarítmica. Tida como o esforço da nossa cognição para aceder à Realidade. Das Fórmulas de Pitágoras (a2 + b2 = c2), Newton (F = ma), Euler (ein + 1 = O), e Einstein (E = mc2) passámos a codificar a Realidade com base nas seguintes 7 Fórmulas e suas derivações:
Esta mudança afeta inevitavelmente o conceito de Património, e a sua Gestão (sejam quais forem os objetos e coleções, e estejam sedeadas em museus, bibliotecas, arquivos, parques, sítios, imagens em movimento, ou em quaisquer outras infraestruturas patrimoniais). As gerações mais novas procurarão, e sentir-se-ão cada vez mais atraídas, por esses Novos Objetos. Que farão parte do seu dia-a-dia, e terão influência no tipo de emprego e de rendimentos que obterão. Razão pela qual, de facto, a mudança de «museologia» (ICOM) para Patrimologia (ICH) deveria ser um desígnio urgente para todos os atuais responsáveis pelo Património. Porque dela depende a sua sobrevivência futura enquanto Pessoas escolhidas para gerir o Património (o caso da ausência de arqueólogos na gestão do Coa, e outras escolhas atuais, estão aí a comprová-lo com toda a evidência). Talvez a Responsabilidade do Estado pela Gestão do Património (sobretudo através da DGPC) devesse acautelar esta realidade patrimonial. Pedro Manuel-Cardoso |
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