Na II.ª Oficina do Fazer Impronunciável que decorreu em junho2014 no Monte do Lago Lilás em Castro Verde (ver mensagem n.º 13787) foi construída uma nova «Máquina para Aceder ao Real». Em 16agosto2017, em Viena de Áustria, após a apresentação da obra em Impronuncialismo DzóÂÃ (mensagem nº 17505), a referida Máquina voltou a realizar o cálculo. O número impronunciável obtido em 2017 diferiu apenas 0,00012 Z/s (de acordo com o Sistema Internacional de Unidades/SI) em relação ao de 2014.
Qual o interesse desta experiência-criação para o Património? Para além do Objeto (a «experiência-criação-resultado/número») que passou a ter uma existência como Obra de Impronuncialismo, o que é importante para o debate sobre o Património é a reflexão que permite antecipar. Concretamente, sobre os novos tipos de Relevância que estão a surgir. Porque irá ser ela, mais uma vez, a decidir aquilo que será classificado como Património (nesta época, no futuro próximo, e nas próximas gerações). Hoje cada vez mais Humanxs entretêm-se a transferir partes da inteligência humana para «software e máquinas autónomas» (um trabalho que designam genericamente por Inteligência Artificial). Assistimos a desenvolvimento autónomos (de aprendizagem e de re-configuração do estado inicial de partida) desses robots. Que já fogem ao controlo humano, e ultrapassam em muito a capacidade individual de calcular e de estabelecer relações lógicas (por exemplo, em 2016, o algoritmo e a máquina que calculou o problema booleano dos trios pitagóricos; ou, em 2017, o Dota 2 de E. Musk). Ou seja, cada lógica inicial dada a um algoritmo já provoca o nascimento de um processo evolutivo na máquina que o recebe independente da vontade e da capacidade humana. E parte da Inteligência Humana usada para «tarefas quotidianas», para «fazer coisas para vender e ganhar dinheiro», ou para «resolver problemas complexos não ao alcance da capacidade neuronal humana», entre outras, está a ser substituída pela Inteligência Artificial. Assim sendo, o que especifica o Ser-Humano para além da inteligência (cognição) e do sistema sensorial (corpo) será inevitavelmente o território de onde surgirá a nova Relevância. Logo, os novos tipos de Património. Percebe-se que uma nova época e uma nova mentalidade estão a acontecer. O Impronuncialismo apenas está a dar mais velocidade a esse discernimento. Trata-se de diagnosticar os novos tipos de Património que estão a surgir, e que fazem parte da mesma responsabilidade pública que a atual Lei do Património consagra. Pedro Manuel-Cardoso |
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