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[Museum] IMPRONUNCIALISMO: A Máquina para Aceder ao Real e Os novos tipos de Património. Viena|Austria.

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] IMPRONUNCIALISMO: A Máquina para Aceder ao Real e Os novos tipos de Património. Viena|Austria.
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Wed, 16 Aug 2017 16:58:33 +0100

 

            Na II.ª Oficina do Fazer Impronunciável que decorreu em junho2014 no Monte do Lago Lilás em Castro Verde (ver mensagem n.º 13787) foi construída uma nova «Máquina para Aceder ao Real». Em 16agosto2017, em Viena de Áustria, após a apresentação da obra em Impronuncialismo DzóÂà (mensagem nº 17505), a referida Máquina voltou a realizar o cálculo. O número impronunciável obtido em 2017 diferiu apenas 0,00012 Z/s (de acordo com o Sistema Internacional de Unidades/SI) em relação ao de 2014.

 

 

A Máquina para Aceder ao Real é constituída por oito caixas ligadas em série, convergindo panopticamente para um centro onde, através de oito fios de cobre, se ligam a uma placa de chumbo. A superfície do chumbo é aquecida, sendo nela que se inscreve o Número obtido pelo cálculo de interseção das oito Equações do Realismo. Na vertical existe um espelho côncavo e uma tela de celulose electrificada. Cada caixa encerra uma construção que modeliza um dos oitos tipos de Realismo definidos pela matemática e pela hermenêutica. Concretamente:

1.CAIXA-CONSTRUÇÃO 1: “Realismo Materialista” [onde tudo é matéria e colisões];

2.CAIXA-CONSTRUÇÃO 2: “Realismo Clássico” [onde tudo é matéria e campos magnéticos];

3.CAIXA-CONSTRUÇÃO 3: “Realismo Abstrato” [onde o mundo físico é acedível por estruturas matemáticas que permitem demonstrar uma Realidade independente do Observador];

4.CAIXA-CONSTRUÇÃO 4: “Realismo Heurístico” [onde se crê que existe um real físico independente do observador mas impossível de compreender; pressupondo dois níveis de realismo: a realidade (a que temos acesso compreensivo) e a existência (cuja compreensão não está ao nosso alcance até ao momento)];

5.CAIXA-CONSTRUÇÃO 5: “Realismo Finito” [onde se crê que existem objetos finitos: por exemplo, os inteiros, grafos, estruturas algébricas finitas, etc.; aceitando, mesmo que não saibamos responder à pergunta filosófica da existência de um Real Absoluto, que apenas existem objetos finitos, mesmo que não saibamos a que Real pertencem];

6.CAIXA-CONSTRUÇÃO 6: “Realismo Infinito Decomponível” [o conjunto dos números/objetos Inteiros existe; N corresponde, de facto, a um número real; e as partes de N existem, mesmo que N seja infinito; os Intuicionistas e os Construtivistas recusam ir além deste nível de abstração];

7.CAIXA-CONSTRUÇÃO 7: “Realismo Contínuo” [crê-se que, mesmo que não haja finito ou infinito, há um Contínuo heracliteano; o conjunto R dos números Reais, existe; as partes de R, as funções, existem; o conjunto das funções também existe (topologia); existe tempo mesmo que não saibamos se existem coisas; os Predicativistas recusam ir mais além do que este nível de abstração];

8.CAIXA-CONSTRUÇÃO 8: “Realismo dos Conjuntos” [os conjuntos existem, mesmo que não saibamos o conteúdo das coisas (substância e ou essência) que os constituem; «o conjunto das partes de N, mas também o conjunto das funções que são partes de R, existem»; «os conjuntos dos sucessivos conjuntos das partes existem, tal como elas].

PLACA CENTRAL: Cálculo da Interseção dos Oito Realismos. E projeção do Número encontrado contra uma tela de celulose electrificada através de um espelho côncavo.

 

 

            Qual o interesse desta experiência-criação para o Património?

            Para além do Objeto (a «experiência-criação-resultado/número») que passou a ter uma existência como Obra de Impronuncialismo, o que é importante para o debate sobre o Património é a reflexão que permite antecipar. Concretamente, sobre os novos tipos de Relevância que estão a surgir.

            Porque irá ser ela, mais uma vez, a decidir aquilo que será classificado como Património (nesta época, no futuro próximo, e nas próximas gerações).

            Hoje cada vez mais Humanxs entretêm-se a transferir partes da inteligência humana para «software e máquinas autónomas» (um trabalho que designam genericamente por Inteligência Artificial). Assistimos a desenvolvimento autónomos (de aprendizagem e de re-configuração do estado inicial de partida) desses robots. Que já fogem ao controlo humano, e ultrapassam em muito a capacidade individual de calcular e de estabelecer relações lógicas (por exemplo, em 2016, o algoritmo e a máquina que calculou o problema booleano dos trios pitagóricos; ou, em 2017, o Dota 2 de E. Musk).

            Ou seja, cada lógica inicial dada a um algoritmo já provoca o nascimento de um processo evolutivo na máquina que o recebe independente da vontade e da capacidade humana. E parte da Inteligência Humana usada para «tarefas quotidianas», para «fazer coisas para vender e ganhar dinheiro», ou para «resolver problemas complexos não ao alcance da capacidade neuronal humana», entre outras, está a ser substituída pela Inteligência Artificial. Assim sendo, o que especifica o Ser-Humano para além da inteligência (cognição) e do sistema sensorial (corpo) será inevitavelmente o território de onde surgirá a nova Relevância. Logo, os novos tipos de Património.

            Percebe-se que uma nova época e uma nova mentalidade estão a acontecer. O Impronuncialismo apenas está a dar mais velocidade a esse discernimento.

            Trata-se de diagnosticar os novos tipos de Património que estão a surgir, e que fazem parte da mesma responsabilidade pública que a atual Lei do Património consagra.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 


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