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Um dos acontecimentos mais trágicos no ano de 1947 ocorreu na praia de Matosinhos. Quatro traineiras naufragaram quando se aproximavam da barra de Leixões e, à vista
de todos os que desesperavam em terra, afundaram-se nas vagas e arrastaram consigo a vida de 152 pescadores. A memória daquele dia aziago de dezembro de há 70 anos ficou registado em fotografias e também na arte: João Martins da Costa, então um estudante do
último ano do curso superior de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto, fixou-o numa tela que apresentou na tese final de curso e que havia de ficar intimamente ligada à memória e ao património artístico de Matosinhos. “Mar Sagrado – Tragédia marítima de 2 de Dezembro de 1947” é uma das mais de quatro dezenas de obras que compõem a exposição “Martins da Costa… [d]aquilo que fica”,
que no próximo sábado, 7 de outubro, pelas 17 horas, será inaugurada no Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira. Com vocação retrospetiva, a exposição ficará patente até 28 de janeiro e abarca cerca de cinco décadas da produção artística de Martins da Costa, entre a década de
1940 e o final do século XX. A mostra reúne obras dos acervos do Museu Nacional de Soares dos Reis, do Museu da Faculdade de Belas Artes do Porto, do Museu Municipal de Coimbra, da Câmara Municipal de Matosinhos e de alguns colecionadores particulares, incluindo
trabalhos de pintura e desenho. Paisagens, autorretratos, naturezas mortas e episódios bíblicos são alguns dos temas patentes nas obras. Nascido em Coimbra em 1921, João Martins da Costa viveu alguns anos em Matosinhos e conquistou distinções como o Prémio António Carneiro (1948) e o Prémio Henrique
Pousão (1950). Bolseiro do Governo Italiano e do Instituto de Alta Cultura, estudou nas escolas de Belas Artes de Roma, Florença e Ravena, onde aperfeiçoou a técnica de pintura mural que lhe permitiu deixar trabalho em vários edifícios emblemáticos, como o
Palácio da Justiça do Porto, a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, o Café Embaixador e a Embaixada de Portugal em Roma. Durante a cerimónia de inauguração da exposição será ainda apresentado o livro “Contos Vividos”, que reúne um conjunto de textos que João Martins da Costa produziu
para o Diário de Penacova, compilados pelo jornalista Álvaro Coimbra e editados pela Câmara Municipal de Penacova. A apresentação estará a cargo do historiador e investigador portuense Hélder Pacheco. Museu Quinta de Santiago
Luís Soares Museólogo
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