Às muitas mensagens que recebi por causa de «A Ética da Diversidade: uma lição exemplar dada pelo Património e Museus» [http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg17718.html] apenas acrescento um comentário. A Unidade e a Diversidade, em termos antropológicos (ou científicos, se se quiser), estabelecem uma Relação que pode ser matematizada. Isto é: --- A partir de um certo limiar a Unidade/União/Normalização desfaz-se se impedir a Diversidade/Diferença/Identidade/«Singularidade». Deixa de exercer uma força benéfica e transformadora das Pessoas e das Sociedades/Comunidades/Regiões/Países/«Conjuntos». No lado contrário, a Diversidade torna-se não-Adaptativa se não permitir um certo limiar de Unidade. Trata-se portanto de uma Correlação (utilizando uma linguagem matemática). Porém, a questão é: --- «Qual é esse limiar? A partir do qual deixa de funcionar, e se torna num factor de guerra, conflito, e aniquilamento?». Uma pode viver sem a outra. Mas não durarão muito. Se encetarem esse caminho acabarão ambas na decadência e na falta de sustentabilidade. Foi assim que todas as Unidades (por exemplo, Impérios, Reinados, ou Monopólios) morreram. E foram assim que todas as «Diversidades orgulhosamente sós» desapareceram (veja-se o exemplo das Línguas). A Unidade/União/Normalização pode manter-se durante um certo tempo através da imposição coerciva. Obrigando a Diversidade a obedecer (contra-vontade) à Unidade. Mas ao deixar de ser desejada pela Diversidade acaba mais cedo ou mais tarde por desaparecer. Logo, a solução é uma Proporção e não uma Imposição (legal, militar ou outra). A esse acto político e científico chamo: Interdependência. Portanto, uma solução completamente diferente da ideologia “todxs Diferentes, todxs Iguais”. A qual obriga (sub-repticiamente) a uma «Igualdade serva da imposição de uma Normalização ditada pela preponderância da Unidade». A Interdependência mantem «Todxs Diferentes, Todxs Diferentes». Não há qualquer concessão à dissolução da Diferença numa «Miscigenação Global Anónima e Indiferenciada». A Diferença mantém-se independente e irredutível a qualquer dissolução. Não alivia a dificuldade da Unidade ter sempre que lidar com a Diferença. É este caminho que deveria estabelecer a Nova Ética no Património e nos Museus. Ou dito por outras palavras, a nova forma de Acesso ao Património (o Nosso e o dos Outros). De que o exemplo que indiquei na Mensagem n.º 17718 é a demonstração empírica. Pedro Manuel-Cardoso |
| Mensagem anterior por data: [Museum] Newsletter Património Cultural N.º 253 | Próxima mensagem por data: [Museum] Re«A Ética da Diversidade: uma lição exemplar dada pelo Património e Museus». Os EUA saiem da UNESCO. |
| Mensagem anterior por assunto: [Museum] Réplicas da Dama de Elche | Próxima mensagem por assunto: [Museum] Re«A Ética da Diversidade: uma lição exemplar dada pelo Património e Museus». Os EUA saiem da UNESCO. |