No próximo dia 2 de novembro a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO (adoptada na 31.ª Conferência Geral, Paris, em 2nov2001) comemorará o seu décimo sexto aniversário. Se nessa altura a língua inglesa se justificava por causa da proximidade dos trágicos acontecimentos do «11 de setembro em New York», hoje, pela mesma razão, talvez se deva utilizar a língua castelhana. Sobre este problema da relação entre Unidade e Diversidade, que hoje ocorre mesmo aqui, nas Nações ao nosso lado, os Responsáveis pelo Património não deveriam esquecer o legado patrimonial deixado por centenas de nossos congéneres, que decidiram consagrar a sua vida à investigação científica sobre a Etnografia Humana. Permitam que recorde, desses contributos, apenas dois: O de Fredrik Barth (numa linguagem antropológica), e o de Paul Dirac (numa linguagem matemática). O trabalho de Fredrik Barth permitiu constactar que: “Paradoxalmente, dois grupos étnicos quanto mais próximos estão mais são impelidos a diferenciar os seus traços culturais” (F. Barth, 1969, “Fronteiras Étnicas”). Um “processo de identificação” que Paul Ricoeur igualmente confirmou em 1988 (P. Ricoeur, 1988, “Indivíduo e Poder”, Edições70). Em 1928 Paul Dirac escreveu: {L = -¼FμvFμv + iūDū + h.c. + ūiyijūjø + h.c. + |Dμø|2 - V(ø)}. Ou seja, o trabalho de Paul Dirac permite constactar que, também paradoxalmente, a diferença entre a energia cinética e a energia potencial, e as subsequentes propriedades dinâmicas de transformação das equações, não altera nem destrói a estrutura de um sistema, por exemplo, o «Modelo Standard da Física». Em 2017, a propósito desta equação, Frank Wilczek, prémio Nobel da Física em 2004, afirmou: “Esta fórmula constitui o fundamento completo e provavelmente definitivo da biologia, da química, da ciência dos materiais, e da maior parte dos fenómenos da astrofísica”. E Mathieu Grousson acrescentou: “A sua génese remonta a 1928, quando Paul Dirac, depois de 40 anos de trabalho, escreveu a primeira equação simultaneamente quântica e relativista”. Dois contributos, em linguagens diferentes, ambos fruto de toda uma vida de investigação, lá, no terreno onde acontecem os fenómenos humanos e naturais… e que constactam e dizem o Mesmo: --- Que a Unidade e a Normalização não são a condição que permite a Vida e a Continuidade. Que, ao invés dessa tentação monopolista e colonizadora (motivada pela ganância de propriedade, e pela ganância de poder económico, tecnológico, e espiritual sobre o Outro), são a Diversidade e a Interdependência que devem ser o caminho do sucesso adaptativo e da sobrevivência. Hoje, daqui a pouco, por causa do que se passa no seio das Nações nossas vizinhas, as palavras em castelhano da Declaração Universal sobre a Diversidade talvez devam ser lidas e soletradas com vagar, no silêncio da consciência de cada Ser Humano que nos habita.
Em conclusão: Agora, que é preciso não calar a responsabilidade e a defesa do Património em nome dos Valores e dos Princípios, é que (quase) todxs se calam? Pedro Manuel-Cardoso |
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