QUAL A RESPOSTA DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL? Na mensagem n.º 17841 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg17841.html) referimo-nos ao impacto que a Educação Patrimonial sofrerá, nas próximas duas décadas, em consequência dos avanços na Inteligência Artificial (IA) e da inevitável introdução das Máquinas (robots) na Gestão do Património. As Máquinas (robots) acompanharão os Visitantes; detetarão quaisquer objetos e pormenores na expografia; e responderão com rigor científico e histórico a um conjunto de perguntas que quase esgotarão as que xs Humanx poderiam formular nessa visita. Falarão qualquer língua, e ultrapassarão as capacidades humanas de memória e de percepção. Não estarão sujeitas às vicissitudes normativas, éticas, e corporais inerentes à condição Humana (emprego, profissão, doença, horário, hábitos, idiossincrasias, preconceitos, contestação, envelhecimento, género, conhecimentos e formação, relações familiares ou de amizade, opção religiosa, filiação partidária, e assim sucessivamente). Permitindo um acesso à informação, à interpretação, e à visualização muito maior do que aquele que é atualmente disponibilizado na maioria das infraestruturas patrimoniais. Acresce ainda que, neste momento, essas Máquinas (robots) já conseguem, autonomamente, trabalhar e aprender a partir de uma Base-de-Dados. Aperfeiçoando-se sem a intervenção sistemática de um determinado software ou programação. Permitindo oferecer as seguintes competências:
PERANTE ESTE DESAFIO E ESTA INEVITABILIDADE QUAL SERÁ A RESPOSTA DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, HOJE? As Instituições (públicas e privadas) Responsáveis pela Gestão do Património talvez devessem começar, desde já, a criar um PROJETO. A que se poderia chamar, por exemplo, «Projecto de Interdependência Evolutiva, Mútua e Recíproca entre xs Humanxs e as Máquinas no Contexto do Património Cultural». Ou seja, firmar uma Parceria (cientifica e tecnológica) com as melhores universidades e centros de engenharia que desenvolvem essas Máquinas em Portugal, com o objetivo de criarem uma Máquina programável pelos Visitantes. E disponibilizar desde já, numa das rubricas do Orçamento, os necessários recursos humanos, técnicos, materiais e financeiros. Iniciando, desde já, o longo e árduo caminho da experiência, do teste e adaptabilidade a cada caso concreto, e do aperfeiçoamento sistemático dessa relação entre a máquina e o visitante subordinada à missão e à ética patrimonial. A resposta sensata para aquele desafio talvez seja este Projeto, ou um semelhante. O Projeto de construir uma Máquina que Consiga Acompanhar o Visitante que pretende usufruir do Património. Sobre esta relação entre as Máquinas e xs Humanxs há muito temor e muitas coisas têm sido ditas. Mas talvez o mais útil sobre este assunto esteja no local onde sempre estão as soluções humanas para os problemas que a Natureza lhe coloca. Um local onde «o Fazer se sobrepõe ao Cismar». Um local chamado «Imaginação, Intuição, Criatividade, Ousadia, Criatividade». Imagine-se uma Empresa que consegue, mais rápido do que outras, proporcionar aos visitantes de um museu/monumento/palácio/parque a possibilidade de escolherem a máquina que os acompanharão na Visita. A possibilidade de escolherem uma máquina alta ou baixa, gorda ou magra, simpática ou lúdica. Uma máquina que os visitantes poderão programar (através de interfaces normalizados), permitindo-lhes escolher a textura da pele (superfície), o tom de voz, o traje, e a relação emocional-afectiva durante o percurso da visita (até convidá-los fazer uma pausa, na cafetaria ou loja do museu). Uma Máquina programável para o nível cognitivo e classe etária do visitante. Uma Máquina em que o Visitante poderá pô-la a estabelecer a relação que deseja durante a visita, adaptando-a à sua personalidade ou ao seu humor de momento. Uma relação que, nalguns casos, nenhum Humano estabelece com o visitante na Vida Real. Uma relação desejada pelo Visitante, nalguns casos, que ainda não conseguiu que nenhum outro Humano estabelecesse com ele na Vida Real. Uma Máquina destas no contexto patrimonial não teria clientes? Não me refiro aos críticos e aos maldizentes, refiro-me a quem desejaria comprar e utilizar. A questão, mais cedo do que parece, não será: Seremos nós a fazê-la, ou tê-la-emos que comprar? Seremos pioneiros e criadores, ou consumidores passivos? Será que num Projeto destes as capacidades humanas dos Profissionais do Património se perderiam ou menorizavam? As competências dos profissionais do Património não eram obrigadas a evoluir? Não continuava a ser necessário programar e criar os conteúdos? Não é isso que o legado patrimonial da Natureza nos ensina: --- A predados mais ágeis e rápidos sucederam predadores mais velozes e astutos. Logo, é provável que a Máquinas mais inteligentes sucedam Humanxs mais inteligentes. Não se trata, afinal, da mesma relação de Interdependência Evolutiva, Mútua, e Recíproca que foi responsável por sermos o que somos quando nos adjetivamos de Humanxs? Logo, não será este Projeto (ou um similar) uma parte inevitável do futuro da Educação Patrimonial? Pedro Manuel-Cardoso |
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