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Anda agitada a vida cultural do país! Na verdade o estado de agitação tem vindo a manter-se com regularidade. Uma parte por responsabilidade dos atores do costume, outra parte por razões da decadência dos Povos Peninsulares que o nosso Antero defendeu nas oitocentistas Conferencias do Casino nos idos de oitocentos. Entre inflamadas polémicas queirozianas, bengaladas psicológicas e chapeladas veementes vamos seguindo, entediados os vários episódios desta rocambolesca novela. Para não recuar às "bofetadas" metafóricas do anterior ministro. Este ano já tivemos incêndios em Conventos, rabiscos criativos em Foz Côa, novos modelos de gestão para museus. Entretanto vai-se mantendo em banho-maria o tal processo de descentralização/desconcentração administrativa para os museus, e o destino da moribunda rede piramidal de museus. Talvez o período de Natal nos traga mais novidades. Na última audição sobre o orçamento, mais uma vez ficou patente a ausência da coerência política cultural para os museus e património. Já aqui se falou da assustatora ideia do instituto para museus e património. E um exemplo de quem continua a pensar que governar a cultura museológica é criar instituições. Na ausência duma política, a ação da cultura para o património, para um observador externo, não passa de medidas aleatórias. Tomemos como exemplo o tal "museu da emigração": Vai para alguns anos a secretaria de estado das comunidades, promoveu os estudos preliminares para um Museu da Emigração. É certo que de vez em quando surgem as ideias sobre novos museus. Todos nos lembramos do Museu da Língua portuguesa em Belém, lançada ao vento por uma ministra entusiasmada com o museu homónimo de São Paulo. Agora, na Assembleia da Republica anunciou uma nova política museológica desconcentrada. O exemplo seria o Museu da Música em dois polos (em Lisboa e em Mafra), ou um Museu de Arqueologia Sub-aquática em Xabregas (este curiosamente sem polos) o que evidencia, mais uma vez a continuidade das velhas políticas museológicas de expor objetos. Esperemos que não seja na abandonada fábrica de fosforoso, porque com especulação imobilária que ohub criativo está a gerar, não sei se o orçamento não tenha que ser reforçado. http://www.canal.parlamento.pt/?cid=2319&title=ministro-da-cultura-oe2018 Mas o que talvez seja um caso interessante seja o do Museu da Emigração. De quando em quando fala-se deste museu. Em Maio o presidente prenunciou-se, com recados para a educação. As comunidades portuguesas também se posicionam. É um tema que merece atenção. Emigrantes que somos, imigrantes que temos e recebemos. Migrantes e refugiados nas agendas contemporâneas. Trata-se uma questão relevante para a museologia, se se conseguir saír do umbigo. Outra questão é onde fazer o museu e que tipo de museu: Sobre a localização há várias sugestões. Fafe, Guarda. Em tempos pensou-se fazê-lo no Terreiro do Paço. Mas mais relevante do que onde, será ainda antes pensar no seu Modelo. Fala-se num museu polinucleado. Em concelhos ou em comunidades inter-municipais. Mas talvez um olhar mais ousado possa trazer uma nova abordagem. Aproveitar as oportunidades de criar qualquer coisa que seja útil para as comunidades. Talvez fosse uma boa ocasião para repensar uma velha proposta existente no Ministério dos Negócios Estrangeiros de um museu "prestador de serviços". A título de exemplo aqui fica um extrato, já com Dez anos" de Mário Moutinho e Judite Primo feito no Centro de Sociomuseologia, para um Museu da Emigração e das Comunidades Portuguesas. "No último quartel do século XX as práticas museológicas e os conceitos que lhes estão ligados sofreram alterações profundas. Este processo procurou adaptar as instituições museológicas às mutações da própria sociedade sempre no sentido de levar os museus a participarem activamente no âmbito das sociedades que lhes davam e dão vida. Isto não significa que todos os museus tenham sido sempre tão sensíveis aos contextos de mudança, pelo que hoje encontramos museus que se auto-excluiram dos processos de participação. São museus alheios ao desenvolvimento, sorvedouros de recursos financeiros, fechados sobre as suas colecções que na maior parte dos casos se deterioram ao ritmo dos anos. Por isso, esses museus, reduzem a sua actividade à manutenção de uma exposição permanente quantas vezes mal montada e que por isso mesmo ainda envelhece mais rapidamente. São numerosos os documentos orientadores que foram produzidos pelas mais respeitadas instituições, como sejam a UNESCO e o Concelho Internacional dos Museus ICOM e que mostram a importância de encarar os museus como factores de desenvolvimento. Neste quadro julgámos que o projecto museológico para o Museu da Emigração deveria ter em consideração o pensamento e práticas da Museologia contemporânea para aí podermos fundamentar as opções necessárias. Por isso considerámos que o Museu a criar deveria ser um instrumento aberto sobre a sociedade, actuante no processo de desenvolvimento do País e um espaço de diálogo, de educação e de lazer. Assim entendido, o Museu da Emigração, instituição para a promoção reforço e dinamização das relações culturais entre Portugal e as comunidades portuguesas no estrangeiro deverá apresentar-se como uma instituição prestadora de serviços devendo fundamentar a estruturação do seu programa museológico na definição dos serviços que, razoavelmente, poderia prestar com utilidade e com sucesso." (Moutinho, M. & Primo, J. (2006) "Museu da Emigração e das Comunidades Portugesas). talvez ainda esteja lá numa geveta das necessidades. --
Pedro Pereira Leite
(Ph.D) MINOM Board (http://www.minom-icom.net) Post Doctoral Resaercher at CES.UC (http://www.ces.uc.pt/en/ces/pessoas/investigadoras-es-em-pos-doutoramento/pedro-pereira-leite) Professor at Lusofona University Lisbon (http://www.museologia-portugal.net/docentes/docentes-investigadores) ICOM Portugal- Board (http://icom-portugal.org/) |
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