Um facto relevante aconteceu ontem, após a proposta para a criação de um “MUSEU PARA A CIDADANIA MUNDIAL”, na sequência da mensagem sobre o “museu da emigração”.
Recebemos uma mensagem da IOM (International Organization for Migration) e da “Agência das Nações Unidas para as Migrações” (UN Migration Agency), concretamente do Departamento DTM (Displacement Tracking Matrix) que é responsável pela monitorização mundial dos deslocamentos e migrações humanas. A ideia de criação desse “Museu para a Cidadania Mundial” foi acolhida com muita consideração. Uma repercussão que, de todo, não esperávamos. Talvez o projeto, afinal, consiga passar da utopia à realidade. De facto, a ideia de uma “Identidade Europeia”, tal como a “União Europeia” a define nos seus Tratados e atuais Instituições, é uma ideia quase obscena. Um disparate sem sentido nem perdão. Voltar costas a uma História em que Portugal foi pioneiro à escala global, reduzindo-a a uma mera “União Europeia” é quase um crime. Uma ideia desactualizada já há 50 anos, que subsiste ainda hoje, para prejuízo do nosso futuro, da nossa economia, e da nossa segurança. Que cria competições e conflitos (e oportunismos) desnecessários, onde podia haver interdependência e complementaridade. Um acto contrário ao legado patrimonial de inúmeras Nações e Culturas que habitam há milénios o território geográfico denominado “Europa”. Onde ocorreram imigrações, emigrações, e migrações a uma escala Global, muito para além da famigerada “Europa”. Só um desígnio afastado da realidade quotidiana da Vida poderá justificar esta ignomínia. Nas ruas, nas empresas, nas habitações, por todo o lado, vivem connosco Famílias de milhares de Cidadãxs de proveniência não-Europeia. Têm cá a sua residência permanente, o seu negócio ou trabalho, os seus descendentes, os seus templos, e fazem parte (até juridicamente) daquilo que se designa hoje por «Portuguesxs». A China, a India, os EUA, a Austrália, o Canadá, o Brasil, e outros não-Europeus, dominam o sistema energético, o sistema de telecomunicações, a banca, os portos, e outros recursos estratégicos daquilo a que chamamos hoje «Portugal». A Defesa de Portugal é garantida pela NATO. Querem o quê? Que os oriundos da China, da Índia, dos EUA, do Canadá, do Brasil, do Norte de África, da África do Sul, e tantos outros, abdiquem da sua Identidade Originária (materna/paterna) em favor dessa tal “Identidade Europeia”? É isso que gostariam que fizessem aos Portuguesxs espalhados pelo Mundo? Ou a “União Europeia” pretende fazer-lhes o mesmo que aqui fizeram aos ditos “Cristãos-novos”? Haja sensatez. Antes que se cometam desastres como aquele que se prefigura com um pretenso “exército europeu”, ou com aquela “linha fronteiriça” que separa e escorraça em vez de unir e miscigenar. Vamos combater quem? Onde começa e termina a dita Europa? Querem fabricar que inimigos? Outra vez uma linha entre o Outro e o Nós? Novamente a não aceitação da Heteronimidade Humana, que no passado já teve o nome de escravatura, exploração, e colonialismo? Hoje nenhum problema local se resolve senão no nível global (defesa, segurança, economia, comércio, poluição, rendimento, energia, recursos hídricos e alimentares, comunicações, saúde, desenvolvimento, ciência, paz, etc.). Portanto, apenas por mera estultícia ou oportunismo conjuntural, se podem propor soluções intermédias entre as Identidades Originárias e a Identidade de uma Cidadania Global. Essas soluções intermédias (tais como a “União Europeia”) geram conflitos e aumentam a insegurança. Um Museu para construir essa Cidadania Mundial… talvez fosse um pequeno, mas bom contributo, para aquilo que está subjacente a todos os tipos de deslocações humanas. E para pôr fim aos negócios desses intermediários, que matam milhares de migrantes em naufrágios e outras deslocações semelhantes ao tentarem desesperadamente alcançar essa Cidadania. Foi isso que a IOM, a UN Migration Agency, e o DTM (Displacement Tracking Matrix) reconheceram ao projeto. Ainda bem. Pedro Manuel-Cardoso |
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