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[Museum] Museu para a Cidadania Mundial

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museu para a Cidadania Mundial
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Wed, 15 Nov 2017 16:29:47 -0000

 

            Um facto relevante aconteceu ontem, após a proposta para a criação de um “MUSEU PARA A CIDADANIA MUNDIAL”, na sequência da mensagem sobre o “museu da emigração”.

 

MUSEUM FOR WORLD CITIZENSHIP

And if we create a «transformer Museum of people and communities»? A museum that was called «Museum for World Citizenship». A museum to build this transformation on the Other in Us. Through the same voyages in and out of Itself that made every migration, emigration and immigration. Which, since always, impregnated the heteronymity of the human being. A museum not only for show, not only to serve. A museum to transform.

 

MUSEU PARA A CIDADANIA MUNDIAL

E se se criasse um «museu transformador das Pessoas e das Comunidades»? Um museu que se chamasse «Museu para a Cidadania Mundial». Um Museu que construísse essa transformação do Outro em Nós. Através das mesmas viagens para dentro e para fora do Si Próprio que fizeram todas as migrações, emigrações, e imigrações. As quais, desde sempre, impregnaram a heteronimidade do Ser-Humano. Um Museu não apenas para mostrar, nem apenas para servir. Um Museu para transformar.

 

Pedro Manuel-Cardoso, 14/11/2017

 

 

 

            Recebemos uma mensagem da IOM (International Organization for Migration) e da “Agência das Nações Unidas para as Migrações” (UN Migration Agency), concretamente do Departamento DTM (Displacement Tracking Matrix) que é responsável pela monitorização mundial dos deslocamentos e migrações humanas.

A ideia de criação desse “Museu para a Cidadania Mundial” foi acolhida com muita consideração. Uma repercussão que, de todo, não esperávamos.

Talvez o projeto, afinal, consiga passar da utopia à realidade.

 

De facto, a ideia de uma “Identidade Europeia”, tal como a “União Europeia” a define nos seus Tratados e atuais Instituições, é uma ideia quase obscena.

Um disparate sem sentido nem perdão. Voltar costas a uma História em que Portugal foi pioneiro à escala global, reduzindo-a a uma mera “União Europeia” é quase um crime.

Uma ideia desactualizada já há 50 anos, que subsiste ainda hoje, para prejuízo do nosso futuro, da nossa economia, e da nossa segurança. Que cria competições e conflitos (e oportunismos) desnecessários, onde podia haver interdependência e complementaridade.

            Um acto contrário ao legado patrimonial de inúmeras Nações e Culturas que habitam há milénios o território geográfico denominado “Europa”. Onde ocorreram imigrações, emigrações, e migrações a uma escala Global, muito para além da famigerada “Europa”.

            Só um desígnio afastado da realidade quotidiana da Vida poderá justificar esta ignomínia. Nas ruas, nas empresas, nas habitações, por todo o lado, vivem connosco Famílias de milhares de Cidadãxs de proveniência não-Europeia. Têm cá a sua residência permanente, o seu negócio ou trabalho, os seus descendentes, os seus templos, e fazem parte (até juridicamente) daquilo que se designa hoje por «Portuguesxs». A China, a India, os EUA, a Austrália, o Canadá, o Brasil, e outros não-Europeus, dominam o sistema energético, o sistema de telecomunicações, a banca, os portos, e outros recursos estratégicos daquilo a que chamamos hoje «Portugal». A Defesa de Portugal é garantida pela NATO.

            Querem o quê? Que os oriundos da China, da Índia, dos EUA, do Canadá, do Brasil, do Norte de África, da África do Sul, e tantos outros, abdiquem da sua Identidade Originária (materna/paterna) em favor dessa tal “Identidade Europeia”? É isso que gostariam que fizessem aos Portuguesxs espalhados pelo Mundo? Ou a “União Europeia” pretende fazer-lhes o mesmo que aqui fizeram aos ditos “Cristãos-novos”?

            Haja sensatez. Antes que se cometam desastres como aquele que se prefigura com um pretenso “exército europeu”, ou com aquela “linha fronteiriça” que separa e escorraça em vez de unir e miscigenar. Vamos combater quem? Onde começa e termina a dita Europa? Querem fabricar que inimigos? Outra vez uma linha entre o Outro e o Nós? Novamente a não aceitação da Heteronimidade Humana, que no passado já teve o nome de escravatura, exploração, e colonialismo?

 

Hoje nenhum problema local se resolve senão no nível global (defesa, segurança, economia, comércio, poluição, rendimento, energia, recursos hídricos e alimentares, comunicações, saúde, desenvolvimento, ciência, paz, etc.). Portanto, apenas por mera estultícia ou oportunismo conjuntural, se podem propor soluções intermédias entre as Identidades Originárias e a Identidade de uma Cidadania Global. Essas soluções intermédias (tais como a “União Europeia”) geram conflitos e aumentam a insegurança.

Um Museu para construir essa Cidadania Mundial… talvez fosse um pequeno, mas bom contributo, para aquilo que está subjacente a todos os tipos de deslocações humanas. E para pôr fim aos negócios desses intermediários, que matam milhares de migrantes em naufrágios e outras deslocações semelhantes ao tentarem desesperadamente alcançar essa Cidadania.

Foi isso que a IOM, a UN Migration Agency, e o DTM (Displacement Tracking Matrix) reconheceram ao projeto.

Ainda bem.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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