PERGUNTAS INICIAIS Entre Perpetradores e Actuadores, quem são, de facto, xs Classificadores do Património? Quem lhes deu licença? E se o Património não for uma Coisa? E for uma Relação? Uma relação entre O QUÊ e QUEM? Porque, se não se sabe o que é uma Coisa (de facto, no concreto, nem a Ciência nem as Humanidades sabem), ENTÃO, como é que a Coisa (qualquer que seja) pode ser o Património? Ora se, como dizem, a Coisa (a sua coisalidade, a sua massa) for uma «Relação» (isto é, um equilíbrio, um movimento, uma disrupção, um jogo entre partículas catiónicas e aniónicas vindas desde a escala de Planck), ENTÃO, também a Relevância o é. Logo, uma relação entre O QUÊ e QUEM? Se o Património não é uma Coisa, ENTÃO, o que é uma EXPOSIÇÃO? Será aquilo que Agamben disse?: “O [ser humano] é o Ser que, confrontando-se com as coisas, e unicamente neste confronto, se abre ao não-coisal. E inversamente: aquele que, sendo aberto ao não-coisal, está, unicamente por isso, irreparavelmente entregue às coisas. Não-coisalidade (espiritualidade) significa: perder-se nas coisas, perder-se até não poder conceber mais nada senão coisas. E só então, na experiência da irremediável coisalidade do mundo, chocar com um limite, tocá-lo. Este é o sentido da palavra: EXPOSIÇÃO.” (G. Agamben, A Comunidade Que Vem, 1993:84) A Questão Patrimonial encerrará um enigma? O de ser surpreendente que, apesar de não existir nenhuma certeza absoluta acerca do Mundo e das Coisas que o compõem, o Ser-Humano saiba, apesar disso, decidir o que é Relevante, e o que não é? O Património será esse enigma de, perante tudo o que o rodeia – sejam a natureza, o mundo, ou ele-próprio – saber atribuir mais valor a umas coisas do que a outras; saber preferir isto a aquilo; ser impelido a relevar e a preferir? O Património será uma decisão intuitiva, inconsciente, ilógica, e irracional? Apesar de ter ocorrido de modo regular e permanente ao longo de toda a história da Humanidade? |