Os arquitetos Filipe Madeira e Vânia
Saraiva são os autores da proposta vencedora do concurso de ideias para o Mercado de Santa Clara, anunciou hoje
a Trienal de Arquitetura de Lisboa.
O
anúncio dos premiados do concurso foi realizado numa sessão que decorreu no
salão nobre do Palácio Sinel de Cordes, sede da Trienal, organizadora da
iniciativa, que distinguiu ainda dois projetos com menções honrosas.
O
júri também decidiu atribuir menções honrosas ao arquiteto Rui Mendes e à
equipa composta por João Pedro Cravo, Bernardo Sousa, Diogo Lafaia e Pauline
Gasqueton.
O
concurso de ideias, que recebeu 26
propostas, tinha sido lançado em julho, desafiando arquitetos a pensar a adaptação do Mercado de Santa Clara a novos usos, lançando
a reflexão pública sobre a sua utilização
futura.
De
acordo com a organização, a proposta
de Filipe Madeira e Vânia Saraiva apresenta uma solução
"que, através de um sistema de compartimentação
pragmático e flexível de telas reguláveis em altura, permite facilmente
diferentes configurações, tipologias e transformações do espaço do
mercado".
Para
o júri, a proposta da dupla de
arquitetos, "é a que melhor viabiliza o programa, resolvendo também
algumas questões técnicas do edifício, como o controlo da luz natural, abrindo
a possibilidade de leitura da nave na sua totalidade até à sua múltipla
compartimentação".
"A
solução proporciona a futuros
utilizadores a possibilidade de
economia de meios de suporte na realização
de uma diversidade de eventos", justificou ainda o júri.
O
júri decidiu atribuir ainda menções honrosas a Rui Mendes, que apresentou uma
proposta que "promove a utilização
pública do edifício em conjunto com o espaço urbano" e, à equipa composta
por João Pedro Cravo, Bernardo Sousa, Diogo Lafaia e Pauline Gasqueton, com uma
proposta que pretendeu "musealizar o edifício, propondo pequenas
intervenções construídas que serão a âncora dos núcleos programáticos".
Promovida
no quadro do programa de revitalização
dos mercados da Câmara Municipal de Lisboa, esta iniciativa tem como objetivo
integrar o Mercado de Santa Clara na rede de espaços dedicados a empresas e
projetos no setor das indústrias criativas como o Mercado do Bairro Alto, o
FabLab Lisboa, o Pólo das Gaivotas, a incubadora criativa municipal a funcionar
na Mouraria, entre outros.
Adicionalmente,
segundo a Trienal, o mercado será também a nova sede do Clube dos Criativos de
Portugal (CCP) que assumirá, em 2018,
a programação,
"ativando exposições, formação,
festas, concertos e uma biblioteca
criativa, ajudando também a que o renascido mercado se torne um espaço de
referência para a comunidade local e criativa", de acordo com a Trienal,
que cita a vogal do CCP, Ana Castanho.
Para
o presidente da Trienal de Lisboa, José Mateus, a opção
pelo concurso de ideias significa
que a entidade acredita na importância deste modelo "para abrir e promover
o debate sobre pontos estratégicos da cidade", no quadro da
"discussão pública" de soluções para a capital.
Os
membros do júri do concurso de ideias
foram Alberto Souza Oliveira, Matilde Cardoso (da junta de freguesia de São
Vicente), Margarida Grácio Nunes (da Câmara Municipal de Lisboa), José Mateus
(da Trienal de Arquitectura de
Lisboa) e Pedro Geraldes (Clube de Criativos de Portugal).
Da
autoria do arquiteto Emiliano Augusto de Bettencourt, o Mercado de Santa Clara
servia como mercado abastecedor e é
um exemplo da utilização
privilegiada do ferro em arquitetura, típica do fontismo do final do século
XIX, patente na estrutura da nave e nos portões de ferro forjado, recorda a
organizadora do concurso.
A
história do mercado está associada à da Feira da Ladra que, em 1882, passou a
preencher o espaço circundante, e desde 2011, acolhe o Centro das Artes
Culinárias, resultado duma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e As
Idades dos Sabores -- Associação
para o Estudo e Promoção das Artes
Culinárias.
No
espaço são apresentadas oficinas, venda de publicações, produtos tradicionais,
entre outros eventos temáticos.
Inaugurado
em outubro de 1877, no coração da
freguesia de S. Vicente, o Mercado de Santa Clara (antigamente designado de
Oriental), é o mais antigo mercado coberto de Lisboa.
O
Campo de Santa Clara é uma zona de Lisboa marcada
por diversos acontecimentos
históricos, já que foi neste solo que Afonso Henriques
acampou as tropas que planearam a conquista de Lisboa aos mouros, no século
XII.
Mais
tarde, foi ali que se construiu a Igreja Mosteiro de S. Vicente, que, por ser
terreno baldio e com pouca população,
se tornou em "campo da forca", onde se executavam penas capitais.
Também ali, no século XIII, foi construído o Mosteiro de Santa Clara, que deu
nome à zona.
Na
segunda metade do século XIX, foi neste local que se edificou o mercado, que é
envolvido, todas as terças-feiras e sábados, pela Feira da Ladra.
Em
1926, tornou-se mercado agrícola onde se podiam encontrar bancadas de venda de
legumes e frutas, de peixe e carne.