O Património afasta-se cada vez mais das infra-estruturas que tradicionalmente o suportavam (museus, monumentos, edifícios, estátuas, e outras coisas/objetos nessa Escala). Esse afastamento, provocado pela deslocação da Relevância (logo, do Valor Patrimonial) é Hoje causado pela mudança tecnológica. Sobretudo pela «mudança de Escala daquilo que é Relevante e é crucial para a Continuidade (adaptação/sobrevivência humana)». Sempre foi assim na história do Património. Muito do que Hoje possui valor patrimonial (Património) passou de 10-/+4 para 10-/+20, e assim sucessivamente. Mesmo o Ser-humano que nasce, já o querem ensinar na escala do ADN e da engenharia molecular regenerativa. É aí que estão os maiores investimentos, os melhores recursos humanos e materiais, e os atuais esforços dxs mais habilitadxs. A diferença medida em dólares ou euros é abissal. Os Objetos Patrimoniais passam a estar nessa Escala. Essa migração, atualmente, ocorre a uma velocidade enorme. E isso provoca o colapso das anteriores infra-estruturas onde a Gestão do Património se fazia. Não é uma questão de “intangibilidade” ou “imaterialidade”, como erradamente se disse a partir dos anos-1990. É a mesma questão da materialidade (e do Realismo) mas num sítio físico diferente do tradicional (anterior). Se uma Gestão do Património insistir nessas infra-estruturas antigas (instituições, edifícios, e suportes), mais cedo do que tarde, ficará a gerir coisas ocas e vazias de Património. Meros edifícios, suportes, e infra-estruturas que um qualquer especialista em logística, obras-públicas, e animação cultural poderia fazer. Qualquer coisa que sirva para as Pessoas lá entrarem e saírem, de preferência consumindo. E com um “Relatório de Contas Anual” que agrade às finanças do Proprietário. Hoje, essa mudança deveria fazer mudar a Gestão. Porém, não é a essa alteração a que se assiste. A esta mudança de materialidade que o Património está a sofrer devia corresponder uma mudança nas ferramentas conceptuais e metodológicas de Gestão. Começando pelos conceitos de «Património» e de «Objeto/Coisa». Ou seja, começar por definir com rigor e clareza «aquilo que se quer gerir», e a respetiva «finalidade e objetivo a curto, médio e longo prazo». Mas não é isso que está a acontecer. Se a atual discrepância se continuar a verificar de nada servirão os Cursos de Património baseados no anterior paradigma. Os quais acabarão por ensinar a manter infra-estruturas, coleções, e suportes que custam muito dinheiro aos atuais Proprietários (privados e Estatais), mas onde o Património já lá não está. Ou seja, a preparar Pessoas para aliviarem os custos dos Proprietários de uma coisa que está em decadência e já não pertence ao domínio do Património. Tal como tenho vindo a mostrar é possível criar essas novas ferramentas conceptuais e metodológicas, baseadas em algoritmos, fórmulas quantificadas, e equações com rigor matemático. Ou seja, é possível criar um programa de Gestão do Património adequado às mudanças de materialidade do Valor Patrimonial e dos novos Objetos Patrimoniais. Não é que visitar Ruínas não continue a dar dinheiro aos Proprietários, e a vender muitos gadgets; a questão é que isso deixa de ser Gestão do Património. Gerir o Património exige outras competências disciplinares e interdisciplinares. Se a resposta do Mercado e do Estado for complacente com esta inércia (e este interesse egoísta/oportunista) serão as Políticas Públicas de Património que sofrerão, e com elas a Identidade (isto é, a possibilidade de manter uma Diferença/Diversidade que não se dissolva; logo, evitar a perda de Independência na busca da Continuidade por parte de uma Comunidade que ocupa um determinado Território). Pedro Manuel-Cardoso |
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