Dizem bem. Mas não fazem o que aquelas palavras detectam e diagnosticam. É com alguma pena que assisto ao quase-desespero de Pedro Pereira Leite e Luís Raposo. Pessoas que muito prezo, e com quem me tenho cruzado várias vezes neste debate sobre o Património e Museus. Refiro-me ao pavor de se separem das palavras/coisas designadas por «museu» e «museologia». Querem encontrar um qualquer compromisso (“ponte”) entre aquilo que se separou para sempre, definitivamente. Querem acreditar que o morto ainda pode ter uma réstia de vida. Pronunciam as palavras certas. Aquelas que detectam que a Realidade, de facto, se Transformou. Mas recusam-se em sair do lugar (ubi) e do estado (situs) em que estão mergulhados. Recusam-se a tirar as consequências do que pronunciam e diagnosticam. Concretamente, o desaparecimento do Património dos «museus» e da maior das «instituições congéneres». Inclusive, em termos de Conhecimento, o desaparecimento do Património da própria «museologia» e «formações conexas». Os edifícios/infra-estruturas/museus passaram a ser “contentores” sem conteúdo patrimonial. Logo, cada vez mais, uma despesa que onera em demasia os proprietários (Estado e privados). Cada vez mais um assunto de arquitectura, de construção-civil (reabilitação, revitalização, etc.); e jamais de Património e da sua correta Gestão. Cuja salvação económica está na Animação Turística-Cultural, na restauração, e no afluxo de consumidores, seja por que meios/eventos forem. Ou seja, um assunto completamente diferente de Património. Aquelxs que fugiram a tempo para um limbo chamado «imaterialidade» ou «intangibilidade» ficaram em melhor posição. Veja-se, por exemplo, as últimas classificações conseguidas por Portugal na UNESCO. Desapossaram-se da inevitabilidade material dos edifícios e demais infra-estruturas (museus). Patrimologia em vez de «museologia»… tenho tantas vezes avisado. Não é uma ideia, uma idiossincrasia, ou um arbítrio. É a condição de sobrevivência e de continuidade do Património como área profissional (emprego) e do conhecimento (formação).
O inferno é colocarem-se no sítio errado. É por isso que lhes parece que a alternativa é, apenas, entre: «ruptura» ou «aceitação do status quo». Tal como a última mensagem de Luís Raposo explicita com clareza, e com grande coragem e honestidade intelectual. Não. Não é aí, nem daí. Não é esse o local (o patamar; o ponto-de-partida, a perspetiva, etc.) de onde, Hoje, se deve discutir o Património. E portanto, a sua relação com as «instituições ditas museológicas na acepção do ICOM e das «DGPC’s dos países mais desenvolvidos», etc.). Um erro em que também caíram aqueles que há uns anos pugnaram por um caminho adjetivado por «ecomuseologia, nova museologia, sociomuseologia, museologia comunitária, etc.). Talvez porque ficaram demasiado agarrados aos lugares que essa luta lhes proporcionou. Para ressuscitarem o morto era necessário, apenas, proporem dentro do ICOM essa mudança terminológica e epistemológica (mesmo que não tivessem êxito no curto-prazo). Nada mais se lhes exigiria. Isso já seria enorme. EM CONCLUSÃO No Tempo --- deste século que há dezoito anos se iniciou --- é impossível discutir seja o que for sem considerar o fenómeno da Transformação. Seja o conceito de FAZER, de COISA/OBJETO, de ARTE, de PATRIMÓNIO, ou de SER-HUMANO. O Impronuncialismo tem-lo dito no Painel 8. E até, é por isso, que se denomina de Impronuncialismo, tal como demonstra no Painel 1. Demorou quase três milénios (desde Heraclito e Aristóteles, ou até antes), e foi preciso que a Física o demonstrasse, para que isso acontecesse. O legado patrimonial daqueles que a tão grande distância discerniram essa necessidade só agora está a produzir efeitos. Transformação (tal como o Impronuncialismo a explicita no Painel 2) é, Hoje, a condição de toda e qualquer Compreensão (logo, de qualquer Gestão, de qualquer Fazer). A relação entre o Património e os «edifícos/infra-estruturas/instituições equiparadas a museus» mudou. É essa mudança que o ICOM, as DGPC’s, e a maioria das instituições responsáveis pelo Património, se recusam a debater. Em Cannes, no passado dia 30 de Dezembro de 2017, o Impronuncialismo produziu um longo debate sobre o Património e sobre os «museus, museologia, e outras designações do ICOM e de outras “instituições afins”». Fica aqui, e no ANEXO, com o objetivo de mera Partilha, o caminho de REDEFINIÇÃO DO PATRIMÓNIO que o Impronuncialismo propõe (Painéis 21 e 22):
Pedro Manuel-Cardoso |
IMPRONUNCIALISMO por Pedro Manuel Cardoso. Exposição IMPRONUNCIA 2018.pdf
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