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Estreia mundial
das Dez Canções
Populares Húngaras
27.Fev.2018
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Estreia mundial das Dez Canções Populares Húngaras,
de
Fernando Lopes-Graça
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Serpa acolhe, a 3
de Março (21h30, no Musibéria – Centro Internacional de Músicas e
Danças do Mundo Ibérico), a estreia mundial das Dez Canções Populares
Húngaras, de Fernando Lopes-Graça. 64 anos
depois de ter sido composto, este notável ciclo permanecia no
papel. O concerto, homenagem do festival alentejano ao grande
compositor, revela as suas peças inéditas, de uma beleza
emocionante, e, a par delas, as animadas canções da tradição
popular magiar em que o mestre se inspirou.
Para este projecto de largo alcance, o Terras sem Sombra coloca
lado a lado artistas lusos e húngaros: a soprano Cátia Moreso e
os cantores e bailarinos tradicionais Hanga Kacksó e Áron Vára,
acompanhados por Nuno Vieira de Almeida – um grande conhecedor da
obra de Lopes-Graça, de quem foi amigo – ao piano e por Béla
Szerényi na sanfona, na flauta e no “tárogató”.
O evento, organizado em parceria com o Município de Serpa, conta
com a colaboração da Academia Liszt. No Baixo Alentejo estará
também uma autoridade em música popular europeia, o professor Pál
Richter, docente na Academia Liszt e director do Instituto de
Musicologia da Academia Húngara das Ciências, a mais destacada
instituição científica deste país.
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Relembrar
Lopes-Graça, marco da música portuguesa com projecção
internacional
“Afigura-se irónico o destino de Fernando Lopes-Graça em
território nacional: um homem de esquerda, respeitado ou odiado
pelas suas convicções políticas, quase nunca pela obra deixada
como compositor”, salienta Nuno Vieira de Almeida. E acrescenta:
“pouca gente conhece verdadeiramente a sua música, que nem sempre
é fácil, mas é infinitamente variada e interessante”.
Não obstante ter vivido em circunstâncias difíceis, por causa da
perseguição política, Lopes-Graça deixou uma produção, talvez
mais conhecida fora do que dentro das nossas fronteiras, que o
coloca entre os mais importantes compositores do seu tempo.
Deve-se-lhe, nomeadamente, a criação de muitas obras originais
sobre textos de grandes poetas – Régio, Sophia, Camões, Pessoa,
Botto, entre outros –, a par de uma verdadeira procura da música
popular.
O seu interesse pela tradição não se limitou, no entanto, a
Portugal; uma curiosidade genial levou-o a harmonizar canções
tradicionais francesas, inglesas, checas, russas, gregas,
americanas, etc. Este imenso conhecimento de múltiplas linguagens
deu origem a verdadeiros prodígios de imaginação e inventividade,
iniciados em 1948, com Six Vieilles Chansons Françaises,
e prolongados, até 1969, com Cantos Sefardins.
Infelizmente, grande parte destas obras permanece inédita, não
tendo nunca sido tocada em concerto ou gravada. É o caso das Dez Canções Populares
Húngaras, de 1954. A sua
apresentação neste festival, em estreia absoluta, reveste-se,
portanto, de grande importância artística. Os temas tratados alternam
entre o humor, o sarcasmo ou a nostalgia e Lopes-Graça
desenvolveu-os com notável expressividade. Uma aproximação às
lindíssimas canções originais, tal como eram cantadas na Hungria
rural dos séculos XIX e XX, torna o concerto único.
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Património e
biodiversidade em Serpa: da arte tardo-gótica a oliveiras
milenares
O Festival Terras sem Sombra constitui uma porta aberta sobre o
que há de mais interessante no Alentejo, em termos culturais e
ambientais. Fiel ao rumo traçado, dedica a tarde do próximo
sábado a um monumento nacional muito pouco conhecido, apesar da
sua importância histórica e artística: o convento de Santo
António, cuja origem está ligada a um dos mais antigos milagres
de São Francisco em Portugal. Fundado pelo infante D. Fernando,
duque de Beja, e terminado pelo seu filho, D. Manuel I, constitui
um dos tesouros bem guardados de Serpa. A visita começa às 15h é
guiada pelos historiadores António Martins Quaresma e José
António Falcão e pela arquitecta Maria Manuel Oliveira.
Domingo, 4 de Março, é consagrado, a partir das 10h, às oliveiras
multisseculares do Monte da Zanga. Hoje, os olivais antigos estão
em vias de desaparecimento, substituídos por novas plantações
cujo impacto não passa despercebido. Naquela herdade dos
arredores de Serpa, porém, subsistem árvores com mais de 1000
anos, um verdadeiro repositório da biodiversidade. Este olival,
alvo de meticulosos cuidados, produz variedades tradicionais de
azeitona de onde se extraem azeites com paladares de outros
tempos. Uma alternativa à massificação da agro-indústria muito a
ter em conta. A actividade é orientada pelo engenheiro agrónomo
José Pedro Fernandes de Oliveira.
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(Portugal)
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