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M Um português e o seu sonho em Málaga por Carla Amaro Fotografia
de Leonardo Negrão/Global Imagens. Em Málaga, há um tesouro escondido: uma colecção
ímpar de carros e vestidos vintage
exposta no Museu Automobilístico de Málaga. O dono é português, João Magalhães,
e a colecção é vista por cinquenta mil pessoas por ano. Foi a poucos metros do mar, numa das zonas mais privilegiadas da
cidade espanhola de Málaga, que João Magalhães realizou um sonho. Málaga, sol,
calor... é lugar de muitos. Mas o de João era especial: ter um museu. Um museu
para mostrar as suas obras de arte. Obras de arte … sim, porque para este
homem de sessenta e muitos anos, talvez 70 - ele recusa dizer a idade -, os
automóveis antigos e os vestidos vintage
que foi coleccionando são peças de arte. E assim
nasceu o Museu Automobilístico de Málaga. Os carros começou a comprá-los por
influência do pai, que também os coleccionava. Mas, ao contrário deste, que tinha paixão pelas corridas, João
adquiriu-os por os achar
«um bom investimento». O fascínio pela moda «esteve sempre presente». A mãe era
«uma senhora com muito bom gosto e dona de um guarda-roupa impecável» e o pai
era proprietário de algumas fábricas de tecidos, onde João trabalhou durante
muitos anos e introduziu novidades: «Só fazíamos tecidos lisos e tecidos tintos em fio, ou seja, aos
quadrados e às riscas. Mas depois decidimos, por vontade minha, investir numa
estamparia. Todos os anos fiz uma colecção nova de tecidos estampados. Foi um
sucesso». Um dia, resolveu deixar as fábricas da família e
seguir o seu caminho. «Montei uma confecção de gabardinas em Vila Nova de Famalicão e
consegui um grande contrato em Paris com o Maurice Widerman, o maior industrial
de confecção da Europa nos finais dos anos 1970». Mais tarde, abriu as primeiras lojas Benetton em Portugal. Foi ter
com Luciano Benetton a Treviso e de lá trouxe o master franchise da marca.
Depois, criou a Kookai, que também acabou por
vender. E foi o que ganhou com esta venda que aplicou na compra dos primeiros
automóveis do Museu Automobilístico de Málaga. Desde que abriu, em 2010, este museu
juntou-se à lista de razões porque vale a pena ir à cidade onde nasceram o
pintor Pablo Picasso e o actor António Banderas. Málaga já não é só praia. Há o
Museu Picasso, o Centro de Arte Contemporânea e o Festival de Cinema Espanhol à cabeça. As peças de João Magalhães foram «muito
bem acolhidas» pelo município de Málaga, que não só lhe cedeu o edifício, onde
antes funcionava uma fábrica de tabaco, como assegura as despesas de
manutenção, água e electricidade. «Foi uma coincidência feliz, porque a Câmara tinha acabado de comprar este complexo e andava à
procura de conteúdos interessantes para o encher. Foi na hora certa». Para João, é uma troca de benefícios
justa: «É vantajoso para a cidade, porque recebe
turistas de muitos países. E para mim é óptimo, já que é das receitas geradas
pelo museu que hoje em dia vivo». Da venda de bilhetes, realização de
eventos e jantares e também do aluguer de carros e de roupas para festas
temáticas. Quando o FC Porto jogou com o Málaga, esteve agendado um jantar com
as duas direcções, na noite anterior ao jogo. O jantar de beneficência da Gala
Starlight, patrocinado por António Banderas e cujas receitas são entregues a
várias instituições internacionais que trabalham para a melhoria das condições
de vida de crianças desfavorecidas, foi no museu. Anos antes de transportar os seus tesouros
para Málaga, João Magalhães tentou que ficassem em Portugal. Mas o país
queixa-se, fechou-lhe as portas: «Ninguém quis saber disto para nada. Há 15
anos, tentei instalar-me em Famalicão, num terreno bem situado, perto de tudo:
a Virou-se para Madrid, onde, garante, o seu
projecto foi recebido
de braços abertos. «O Ministério da Cultura espanhol percebeu logo as vantagens
que um espólio destes poderia trazer a qualquer cidade espanhola e perguntou-me
em qual eu gostaria de ter o museu. Eu só pedi que fosse uma cidade pequena,
porque numa grande poderia passar despercebido. Entre as que receberam a
proposta, Málaga foi a primeira a dizer que sim. E cá estou. Já lá vão três
anos». Nota: Reconheci alguns carros como sendo de um industrial têxtil
de Famalicão (António Magalhães), e pelo menos um Mercedes que seria de
um outro industrial têxtil (irmão do 1º e de nome José António Magalhães) que
vivia em Vizela. Ambos os irmãos tinham, cada qual, o seu museu particular de
automóveis antigos. A maior parte dos carros deste Museu de Málaga, devem ter
vindo de V.N. de Famalicão e de Vizela. Post-scriptum: Com esta nota, a que tomei a liberdade de dar uma forma mais ligeira,
vinha um pps de 12 MB a mostrar a colecção. Envio-o, com todo o gosto, a quem
estiver interessado. - J. d’E. ............................................ Professor Doutor José d'Encarnação R. Eça de Queirós, 89 PAMPILHEIRA P - 2750-662 CASCAIS Tel. (+351) 214 866 409 TM: (+351) 96 302 34 10 |
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