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Caro sócio ou "amigo" da SPAE No próximo sábado dia 10 de março de 2018 temos uma AG convocada para o
edifício FLUP I&D, cujo acesso é normalmente pela rua dos Bragas (fica nas
traseiras da Faculdade de Direito), mas ao sábado à tarde fecham as portas,
pelo que a entrada é pelas traseiras do complexo, ou seja, pela Praça Coronel
Pacheco, ao lado do edifício onde está a nossa sede. Tome como referência
por favor as traseiras da Faculdade de Direito. A AG ordinária está marcada como anunciado a todos os
sócios para as 14 h. para funcionar a partir das 14,30 h. com qualquer número
de sócios. Segue-se, e então com entrada livre, com começo impreterível às 15,30
h. (dado que a sala tem de encerrar às 17,30, é necessário haver espaço para
debate, e há pessoas que se deslocam de longe) a anunciada conferência da
nossa sócia Inês Sousa, doutoranda da FLUP, sobre: Inteligibilidade, Operações, Objectos em Fernando Gil. Um
modelo de inteligibilidade operatória Junto o resumo e
referências enviadas por esta autora: Inês Sousa O conceito giliano de inteligibilidade
assenta sobre a natureza espistémica do conhecimento. A inteligibilidade
funda-se na actividade da mente, e reporta-se a uma apropriação intuitiva do
saber. A pertinência cognitiva de um tal conceito aí reside. A inteligibilidade
e a compreensão dão-se no sujeito. A compreensão acentua as determinações
subjectivas do conhecimento. Reconhecer, como o faz Fernando Gil, que a
problemática da inteligibilidade reenvia para a compreensão (o que é uma outra
maneira de associar a questão da inteligibilidade à temática da evidência),
implica conceber o conhecimento como um produto do sujeito, das suas
construções (operações). O conceito giliano de inteligibilidade supõe a
actividade do sujeito. Tudo isto nos conduz ao reconhecimento de
que a “fundação do saber e a sua compreensão obtêm-se conjuntamente.” A
explicação sempre se destina a um sujeito. A “inteligibilidade funda-se na
subjectividade, a subjectividade é activa, e a actividade compreende-se a si
mesma intuitivamente.” O conceito giliano de inteligibilidade é um afecto, um
afecto intelectual. Trata-se nisto de perceber que o conhecimento funda-se
sobre as estruturas do espírito. O sentimento de inteligibilidade designa a
clareza das construções do sujeito, o encadeamento das operações e dos passos
de investigação que o sujeito é capaz de em si reproduzir, assim convertendo o
conhecimento em experiência. “Toda a prática é antes do mais uma efectuação.”
Com Descartes, Fernando Gil afirma que “no fim de uma demonstração é preciso
que a mente refaça , muito rapidamente, todas as etapas numa espécie de
intuição da sua totalidade.” O sentimento de inteligibilidade decorre da
perfeita conclusão da compreensão, da sua completude: ele designa a alegria de
conhecer. A inteligibilidade é o efeito da clareza das construções. A
actividade do espírito é o suporte de tais construções. O principal objectivo da conferência é
caracterizar o modelo giliano de inteligibilidade. Explorarei a hipótese de que
a natureza epistémica do conceito giliano de inteligibilidade aponta para um
modelo de inteligibilidade operatória. Começarei por (i) propor que o conceito
giliano de inteligibilidade supõe o carácter activo da mente na constituição do
objecto e da objectividade. O conhecimento é um produto da actividade do
sujeito. “O sujeito é portador da
sua experiência, essa experiência é sentida, a vontade tem por conteúdo actos
que a materializam.” (ii) Sublinharei que a vontade e a acção - correlatos do
sujeito - são elementos inerentes à realidade do conhecimento, eles são
actividade sem objecto. Este último ponto permitir-me-á passar à (iii)
elucidação do papel desempenhado pelo par operatório/objectal no conceito
giliano de inteligibilidade. Discutirei a maneira como, segundo Fernando Gil,
tal par contribui para a determinação da natureza do sentimento de
inteligibilidade. Este aspecto implicará (iv) uma reflexão sobre o estatuto da
dualidade do pensamento formal. (v) Definirei, na esteira de Gilles-Gaston
Granger, a dualidade como categoria primitiva do pensamento formal,
precisamente, enquanto regra constitutiva de todo o pensamento de objecto. Uma
(vi) elucidação do estatuto transcendental da dualidade será necessária. (vii)
Defenderei a possibilidade da dualidade em filosofia, referindo que em
filosofia, distintamente do que sucede no pensamento científico, a dualidade
cinge-se à co-determinação das operações e dos objectos do conhecimento. Por
fim, (viii) procurarei demonstrar que no conceito giliano de inteligibilidade a
articulação decisiva da dualidade é a operatória. Concretamente, proporei que a
valorização do papel do sujeito no conhecimento, e, correlativamente, o
reconhecimento da natureza activa do conhecimento deixam reflectir um modelo de
inteligibilidade que favorece o papel das operações na constituição do
conhecimento, por relação ao papel da determinação dos objectos do conhecimento. Bibliografia Gil,
Fernando - (1998) Modos da Evidência, Lisboa, Imprensa Nacional/ Casa da Moeda.
_____
(2003) A Convicção (2000), trad.
portuguesa Adelino Cardoso e Marta Lança, Porto, Campo das Letras. _____
(2005) Acentos, Lisboa, Imprensa
Nacional/ Casa da Moeda. Granger,
Gilles-Gaston - (1988) Pour la connaissance
philosophique, Paris, Éditions Odile Jacob. _____
(1994) Formes, opérations, objets,
Paris, Vrin. |
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