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[Museum] SPAE - AG E CONFERÊNCIAS DO CENTENÁRIO - no próximo sábado!

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@ml.ci.uc.pt>, "archport" <archport@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] SPAE - AG E CONFERÊNCIAS DO CENTENÁRIO - no próximo sábado!
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Mon, 5 Mar 2018 15:48:55 -0000

Caro sócio ou "amigo" da SPAE

No próximo sábado dia 10 de março de 2018 temos uma AG convocada para o edifício FLUP I&D, cujo acesso é normalmente pela rua dos Bragas (fica nas traseiras da Faculdade de Direito), mas ao sábado à tarde fecham as portas, pelo que a entrada é pelas traseiras do complexo, ou seja, pela Praça Coronel Pacheco, ao lado do edifício onde está a nossa sede. Tome como referência por favor as traseiras da Faculdade de Direito.

A AG ordinária está marcada como anunciado a todos os sócios para as 14 h. para funcionar a partir das 14,30 h. com qualquer número de sócios.

Segue-se, e então com entrada livre, com começo impreterível às 15,30 h. (dado que a sala tem de encerrar às 17,30, é necessário haver espaço para debate, e há pessoas que se deslocam de longe) a anunciada conferência da nossa sócia Inês Sousa, doutoranda da FLUP, sobre:

 

Inteligibilidade, Operações, Objectos em Fernando Gil. Um modelo de inteligibilidade operatória Junto o resumo e referências enviadas por esta autora:

Inês Sousa

O conceito giliano de inteligibilidade assenta sobre a natureza espistémica do conhecimento. A inteligibilidade funda-se na actividade da mente, e reporta-se a uma apropriação intuitiva do saber. A pertinência cognitiva de um tal conceito aí reside. A inteligibilidade e a compreensão dão-se no sujeito. A compreensão acentua as determinações subjectivas do conhecimento. Reconhecer, como o faz Fernando Gil, que a problemática da inteligibilidade reenvia para a compreensão (o que é uma outra maneira de associar a questão da inteligibilidade à temática da evidência), implica conceber o conhecimento como um produto do sujeito, das suas construções (operações). O conceito giliano de inteligibilidade supõe a actividade do sujeito.

Tudo isto nos conduz ao reconhecimento de que a “fundação do saber e a sua compreensão obtêm-se conjuntamente.” A explicação sempre se destina a um sujeito. A “inteligibilidade funda-se na subjectividade, a subjectividade é activa, e a actividade compreende-se a si mesma intuitivamente.” O conceito giliano de inteligibilidade é um afecto, um afecto intelectual. Trata-se nisto de perceber que o conhecimento funda-se sobre as estruturas do espírito. O sentimento de inteligibilidade designa a clareza das construções do sujeito, o encadeamento das operações e dos passos de investigação que o sujeito é capaz de em si reproduzir, assim convertendo o conhecimento em experiência. “Toda a prática é antes do mais uma efectuação.” Com Descartes, Fernando Gil afirma que “no fim de uma demonstração é preciso que a mente refaça , muito rapidamente, todas as etapas numa espécie de intuição da sua totalidade.” O sentimento de inteligibilidade decorre da perfeita conclusão da compreensão, da sua completude: ele designa a alegria de conhecer. A inteligibilidade é o efeito da clareza das construções. A actividade do espírito é o suporte de tais construções.

O principal objectivo da conferência é caracterizar o modelo giliano de inteligibilidade. Explorarei a hipótese de que a natureza epistémica do conceito giliano de inteligibilidade aponta para um modelo de inteligibilidade operatória. Começarei por (i) propor que o conceito giliano de inteligibilidade supõe o carácter activo da mente na constituição do objecto e da objectividade. O conhecimento é um produto da actividade do sujeito. “O sujeito é portador da sua experiência, essa experiência é sentida, a vontade tem por conteúdo actos que a materializam.” (ii) Sublinharei que a vontade e a acção - correlatos do sujeito - são elementos inerentes à realidade do conhecimento, eles são actividade sem objecto. Este último ponto permitir-me-á passar à (iii) elucidação do papel desempenhado pelo par operatório/objectal no conceito giliano de inteligibilidade. Discutirei a maneira como, segundo Fernando Gil, tal par contribui para a determinação da natureza do sentimento de inteligibilidade. Este aspecto implicará (iv) uma reflexão sobre o estatuto da dualidade do pensamento formal. (v) Definirei, na esteira de Gilles-Gaston Granger, a dualidade como categoria primitiva do pensamento formal, precisamente, enquanto regra constitutiva de todo o pensamento de objecto. Uma (vi) elucidação do estatuto transcendental da dualidade será necessária. (vii) Defenderei a possibilidade da dualidade em filosofia, referindo que em filosofia, distintamente do que sucede no pensamento científico, a dualidade cinge-se à co-determinação das operações e dos objectos do conhecimento. Por fim, (viii) procurarei demonstrar que no conceito giliano de inteligibilidade a articulação decisiva da dualidade é a operatória. Concretamente, proporei que a valorização do papel do sujeito no conhecimento, e, correlativamente, o reconhecimento da natureza activa do conhecimento deixam reflectir um modelo de inteligibilidade que favorece o papel das operações na constituição do conhecimento, por relação ao papel da determinação dos objectos do conhecimento.

 

Bibliografia

Gil, Fernando - (1998) Modos da Evidência, Lisboa, Imprensa Nacional/ Casa da Moeda.

_____ (2003) A Convicção (2000), trad. portuguesa Adelino Cardoso e Marta Lança, Porto, Campo das Letras.

_____ (2005) Acentos, Lisboa, Imprensa Nacional/ Casa da Moeda.

Granger, Gilles-Gaston - (1988) Pour la connaissance philosophique, Paris, Éditions Odile Jacob.

_____ (1994) Formes, opérations, objets, Paris, Vrin.

 


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