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Seminário
O OBJETO:
NA ARQUEOLOGIA, NA ANTROPOLOGIA E NO PATRIMÓNIO
Estudos Pós-Doutorais em Cultura e Património
1 – O que a Arqueologia
procura é um Objeto muito para além do Ser-humano. Apesar de, quase sempre, na atualidade, a vejamos reduzida à Antropologia, ou à determinação dos locais por onde esse
humano deixou vestígios.
2 – A
lógica-do-Arché (arqueo-logia) procura um Objeto muito para além do da
lógica-do-Anthropos (antropo-logia). Essa redução da Arqueologia à Antropologia não se justifica. Prejudica o avanço científico das duas
Disciplinas. E abre espaço ao mau uso do Objeto pelo Património.
3 – O
Património (na atualidade) usa cegamente tudo aquilo que lhe é dado. Porque esse vazio convém aos interesses que atualmente o dominam (basta ver a formação académica de quem está nos lugares de decisão no Estado).
Basta-lhe (como dizem todos os atuais programas preliminares lançados pela DGPC/Estado) o “efeito cénico” e a “experiência memorável” como atractores do Turismo e do aumento de Visitantes. Esse efeito cénico e essa experiência memorável
(dominada pela arquitetura e pelo design), para além das vantagens que possam ter, são a prisão que reproduz e multiplica essa mesma lógica (a mesma mentalidade, a mesma ideologia, a mesma cegueira) – a ideologia hedonista do consumo cultural. Não permite
oferecer às Pessoas e à Sociedade o outro benefício do Património, que é muito mais importante do que esse. Não permite, também, o avanço científico e o conhecimento da Patrimologia (“a ciência que estuda e gere o Património”, 2010, PM-C), vulgarmente
designada por museologia.
4 – Ora, o
conceito de Objeto constrói o conceito de Real (em cada época, em cada momento histórico, em cada espaço étnico-cultural). É sempre um
Juízo sobre a Evidência (Objetividade). Um entre outros possíveis. Aquele que foi eleito como
preponderante, como o mais alto na hierarquia da predação. O vórtice de cada
ideologia da Objetividade.
5 – Há, portanto, uma relação cúmplice e ideológica no
uso do Objeto que impede o discernimento e o benefício do Património para as Pessoas. Para ser possível a análise sobre este intrincado e complexo
Objeto ter-se-á que ir a montante, ao modo como a Arqueologia e a Antropologia o concebem e usam. É sobre este obstáculo e este desafio que este Seminário se debruça. Tentando responder às seguintes perguntas:
# Porque um
artefacto lítico (ou um Objeto feito de qualquer outro tipo de átomos) permite descobrir o Ser-humano? Porque não serve apenas para determinar a localização e o uso material?
# Porque um
Objeto arqueológico permite descobrir o Mundo muito para além do Ser-humano que a Antropologia procura?
# Porque a atual museologia/museografia permite que o
Objeto seja reduzido à atual ideologia hedonista do consumo cultural nos
museus/monumentos, e sítios patrimoniais congéneres?
Neste Semestre o
Seminário de Estudos Pós-Doutorais em Cultura e Património porá a Patrimologia a debater este tema/problema.
22março2018
Museu da Gestualidade & Oficina Žylěch
Lisboa
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