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Recentemente têm ocorrido várias descobertas que contribuem para o discernimento da
comunicação impronunciável – que irá dominar inevitavelmente o séc. XXI, e alterar o
conceito de Objeto que vigora na atual ideologia da Objetividade (ou seja, na atual crença indemonstrável de que o que vemos
É).
E terá repercussões em todos os domínios da atual Vida humana. Inclusive no Património. Um exemplo, entre muitos, serve para ilustrar.
Neste exemplo, impronunciável no sentido de haver seres-vivos que comunicam sem palavras nem símbolos (logo, sem imagética nem narrativa); sem usarem o corpo como
signo (logo, sem motricidade/gestualidade, imagética, figuratividade, tactilidade, odoridade, oralidade, sonoridade, etc.); sem código (logo, sem gramática nem ADN). Trata-se da descoberta (e descrição bioquímica) de um
processo de comunicação utilizado por seres-vivos baseado em iões de potássio e sódio como canais de envio/recepção de
informação.
O que permitiu um avanço na compreensão do modo como a Comunicação organiza os seres-vivos em Comunidades, e constrói a Sociabilidade. Só que agora, esses seres-vivos vivem na escala mícron (1–10
μm), alguns até próxima da de Planck.
Os resultados dessa investigação estão disponíveis no artigo de Gabriel Popkin publicado na «Quanta Magazine» (https://www.quantamagazine.org/bacteria-use-brainlike-bursts-of-electricity-to-communicate-20170905/ September 5, 2017)
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“Bacteria Use Brainlike Bursts of Electricity to Communicate With electrical signals: cells can organize themselves into complex societies and negotiate with other colonies.”
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O que este assunto releva para o Património, para além das repercussões práticas que o afetarão,
é o alerta para que esta discussão seja feita pelos Responsáveis pelo Património. Porque, mais do que em qualquer outro lugar, é no seio do Património (Patrimologia) que a
gestão concreta do Objeto é um trabalho quotidiano e contínuo.
Muitas teorias do Património usam o conceito da Identidade para critério da classificação do «valor patrimonial» dos objetos/coleções/comportamentos.
Ora se passa a não haver territórios e fronteiras geográficas para a Identidade (nesses seres-vivos do artigo de G. Popkin),
e se são substituídos pela partilha de símbolos/ícones/representações sem necessidade de um território fixo e respetiva posse;
se essa é uma realidade da Vida nessas escalas; se a Vida torna possível isso nessa
escala; então, porque não será inevitável vir a ocorrer nas escalas das Sociedades humanas (países, Estados)? Ou seja, a inevitabilidade de uma Cidadania Mundial, concebida como um território de ninguém, completamente livre para a circulação
de Pessoas e Bens.
A mudança de escala da Identidade alteraria a sua essência/substância? O território, os países, os monumentos, castelos, palácios, estátuas, coleções e demais
objetos que servem agora para a estabelecer e sinalizar, ao mudarem de
escala afetá-la-iam?
Provavelmente a Identidade continuaria a necessitar de formas e de
coisas/objetos para se especificar e particularizar. Só que agora essa materialidade passaria a estar numa
escala diferente da que nos habituámos. Numa escala inacessível ao sistema perceptivo humano (sensorial, háptico, visual, gustativo, feromonal, auditivo, químico). Tornando-se detectável apenas através de máquinas e ferramentas (robots) comandadas
por (alguns) Humanos (ou pós-humanos, no sentido de Wittgenstein-Gödel). Simplesmente pelo facto do atual corpo
Sapiens não ser capaz disso.
As Obras (objetos) que atualmente governam o Mundo e a existência humana estão cada vez mais nessa
Escala (algoritmos, IA, nano-artefactos, implantes bioquímicos, circuitos neuronais e genéticos artificiais, ferramentas, sistemas de defesa e de segurança, fronteiras do poder, controlo da comunicação, exploração da Natureza, suportes das obras-de-arte,
etc.).
Assim sendo, os modelos de comunicação utilizados para o Acesso ao Património (por exemplo nos «serviços educativos» e nas «exposições») têm algo a aprender com estes novos dados. Desde que se tome por referência nesse
debate o “Ciclo do Objeto Patrimonial” tal como foi descrito no
Painel 17 do Impronuncialismo (IMPRONUNCIA method).
Antecipar também faz parte de uma boa prática de Gestão.
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