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Seminário
Estudos Pós-Doutorais em Cultura e Património
O
LUGAR DO SABER PATRIMOLÓGICO na concepção dos Museus e congéneres:
PORQUÊ?
Nos Programas Preliminares dos Concursos Públicos de Concepção relativos a Museus (e congéneres) é exigido por lei que seja a Arquitetura a “coordenar” todas as outras “Especialidades Técnicas” e todos os outros contributos da “Equipa
Projetista”.
Se se reparar com atenção no tipo de Saber exigido a essas diferentes “Especialidades Técnicas” verifica-se que a maioria pertence
apenas à área da arquitetura e das engenharias (fundações, estruturas, demolições, instalação dos vários sistemas, equipamentos e comunicações, segurança, comportamento térmico e acústico, acessibilidades físicas, etc.).
Mas exige também, a contragosto e reduzido a meia-página, que haja um Projeto Patrimológico e Museográfico.
PORQUÊ?
ESTE SEMINÁRIO, a partir de dez casos concretos (Projetos de Concepção de Museus realizados nos últimos três anos, incluindo Portugal), avaliará e debaterá
o Lugar do Saber Patrimológico (e museográfico) nesses dez resultados finais.
No Debate pretende-se obter Respostas para os seguintes quatro conjuntos de
Perguntas:
1 – PORQUE nas “Especialidades Técnicas” desses Concursos Públicos de Museus se exige à Arquitetura e às Engenharias “profissionais habilitados” (inclusive inscritos na respetiva Ordem Profissional), e à Patrimologia (museologia/museografia)
se permite que não sejam também profissionais habilitados com um curso de Museologia (a nível de mestrado ou doutoramento, nos termos da lei das habilitações académicas da legislação do Estado Português em vigor)?
PORQUE todos e quaisquer uns podem fazer o tal Projeto Patrimológico
(museológico/museográfico), e às arquiteturas e engenharias isso é proibido? QUAL É A RAZÃO para esta
menorização do Saber Patrimológico (museológico) nos actos públicos sobre Museus?
QUEM a faz, e quem a deixa fazer? COMO TEM REAGIDO a esta discrepância o ICOM, a APOM, e as outras organizações representativas do
Saber Patrimonial?
2 – PORQUE atualmente (nesses dez casos concretos ocorridos nos últimos três anos) a Arquitetura tem imposto ao Património sempre a mesma narrativa ideológica, a mesma que os Historiadores impunham há umas décadas atrás (e que mereceu a célebre crítica
de M. Foucault ao “Círculo Epistemológico” dos historiadores)? COMO É POSSÍVEL conceber um
Museu impondo essa narrativa ideológica a priori, e depois no final afirmar que o edificado é um «Museu» (na acepção que o ICOM exige, e até na da atual Lei do Património em vigor em Portugal)?
De onde vem a licença para este arbítrio?
3 – PORQUE todas as outras Especialidades Técnicas exigidas à “Equipa Projetista” necessitam do
Saber Patrimológico (e museográfico) mas não lhe reconhecem o mesmo estatuto profissional do que o delas?
PORQUE, todas juntas ou por si próprias, não conseguem transformar «a
Coisa construída» num «Museu que cumpre a missão patrimonial»? PORQUE, nem a infra-estrutura molecular da percepção e da cognição; nem os desenhos da arquitetura e do design; nem as narrativas dos historiadores e disciplinas afins; nem
a aplicação das engenharias e das novas tecnologias; por si sós, conseguem transformar as Coisas/Objetos (documentos, objetos, coleções, imagens, factos, testemunhos, vestígios)
em Património e em Memória? PORQUE o Saber da Patrimologia (vulgarmente designada por
museologia) é uma relação com os Objetos/Coisas que está num nível Lógico, Epistemológico, e de Gestão muito diferente do dessas
Especialidades e disciplinas?
4 – PORQUÊ este menosprezo e a menorização do Saber Patrimológico nos
Projetos de Concepção de Museus? NÃO É a principal causa de «a construção edificada» (infelizmente,
aquilo a que atualmente foi reduzido o Património pelas atuais Políticas Públicas) acabar por servir para outros usos e interesses que não os do benefício do Património?
NÃO É por essa razão que inúmeros Museus (e projetos congéneres) estão a falhar na missão patrimonial consignada na Lei do Património em vigor, e a constituírem-se num fardo orçamental? Um exercício de soma das subvenções públicas (pagas anualmente
pelos contribuintes) para lhes garantirem o Funcionamento NÃO É uma bela história que está por contar na atual
Política Pública de Património? PORQUE se insiste em fazer mais
Museus desses, quando há tanto para resolver nos atuais? Se se fizessem Museus com uma orientação Patrimológica mais consistente, por profissionais devidamente habilitados,
NÃO HAVERIA um ganho em valor e em competitividade? Se não é para fazer Museus na acepção Patrimonial definida pelo ICOM, então,
não seria melhor acabarem com essa hipocrisia? PORQUE não têm coragem de tirar a Patrimologia (museologia/museografia) desses Concursos Públicos, que
fingem ser para a concepção de Museus?
7abril2018
Museu da Gestualidade & Oficina Žylěch
Lisboa
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